Correio de Carajás

Gordura hidrogenada: entenda por que tomar cuidado e como identificar

Consumo de alimentos específicos pode aumentar riscos de doenças cardiovasculares

Pessoa espalhando manteiga em uma fatia de pão com uma faca.
Margarina pode ter gordura hidrogenada em sua composição /Foto: Freepik
✏️ Atualizado em 06/05/2026 13h54

A gordura hidrogenada ainda pode ser uma vilã na alimentação dos brasileiros, mesmo sem que a maioria da população saiba. Apesar da gordura trans industrial estar banida no país desde 2023, alimentos ultraprocessados ainda possuem substâncias que podem estar associadas a doenças cardiovasculares e alterações no colesterol. A gordura hidrogenada (principal fonte de gordura trans industrial) é considerada uma das mais prejudiciais à saúde cardiovascular.

Segundo a nutricionista Elaine Rodrigues explicou à CNN Brasil, a gordura hidrogenada não possui nenhum benefício, possibilitando a criação de placas de gordura. “O consumo excessivo aumenta o colesterol LDL (‘ruim’) e reduz o HDL (‘bom’), favorecendo o acúmulo de placas nas artérias”, declarou.

“Isso eleva significativamente o risco de doenças como infarto e AVC. Ela é tão temida justamente porque não traz nenhum benefício ao organismo e seus efeitos são cumulativos e silenciosos”, seguiu.

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Alguns estudos, como os publicados na revista Arquivos Latino-Americanos de Nutrição, demonstram que o consumo de gordura hidrogenada e ácidos graxos possue relação direta com o aumento de doenças coronarianas.

Para evitar o consumo de alimentos que podem ser prejudiciais, é possível fazer algumas leituras específicas nos rótulos dos alimentos industrializados.

“É importante olhar a lista de ingredientes, não só a tabela nutricional. Termos como ‘gordura vegetal hidrogenada’ ou ‘parcialmente hidrogenada’ indicam a presença de gordura trans. Mesmo que o rótulo diga ‘0g de gordura trans’, a legislação permite pequenas quantidades por porção, então, se aparecer na lista de ingredientes, o alimento contém sim”, explicou Rodrigues.

Existem exemplos de alimentos que contêm gordura hidrogenada e podem não parecer, como:

  • Biscoitos recheados e crackers
  • Pães industrializados e massas prontas
  • Pipoca de micro-ondas
  • Sorvetes industrializados
  • Cremes vegetais e margarinas
  • Molhos prontos e refeições congeladas

“Muitos desses alimentos passam uma imagem de ‘inocentes’, mas podem ter grande quantidade de gorduras ruins”, pontuou a nutricionista.

Sobre um consumo controlado desta gordura, Elaine afirmou que a recomendação é evitá-la ao máximo. “Organizações de saúde indicam que o consumo de gordura trans deve ser o mais próximo possível de zero. Não existe uma quantidade considerada segura para consumo regular”, avaliou.

Além dos riscos cardiovasculares, o consumo desse tipo de gordura pode causar “inflamação no organismo, resistência à insulina, maior risco de obesidade, acúmulo de gordura abdominal e impactos negativos na saúde cerebral a longo prazo”.

“No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou a eliminação progressiva das gorduras trans industriais. Desde 2023, há restrições rigorosas que praticamente proíbem o uso de gordura parcialmente hidrogenada em alimentos industrializados. A medida segue uma tendência global para reduzir o risco de doenças crônicas na população”, apontou Elaine Rodrigues.

(Fonte: CNN Brasil/Paulo Vito)