Correio de Carajás

Flávia Saraiva brilha na trave e conquista o bronze no Mundial de ginástica

Dez anos depois da primeira final olímpica, brasileira fatura sua primeira medalha no aparelho em que é especialista. Brasil fecha o Mundial de Roterdã com dois pódios

Flávia Saraiva é bronze no Mundial — Foto: REUTERS/Yves Herman

Flávia Saraiva abriu o sorriso e comemorou antes mesmo de receber a nota. A ginasta de 27 anos sabia que precisava cravar sua série mais forte em uma final de trave de nível muito alto no Mundial de ginástica artística. E foi isso que ela fez. Neste domingo, Flavinha brilhou em Roterdã e conquistou o bronze com 14,300 pontos. Cotada para um pódio da trave desde a Rio 2016, a brasileira enfim pôde colocar essa medalha no peito, a segunda do Brasil na Holanda, depois que Rebeca Andrade foi tricampeã do salto.

– Essa medalha representa uma menina de 16 anos em sua primeira final olímpica. Muito orgulhosa de ter treinado mais dez anos e ter conquistado essa primeira medalha na trave em Mundial. Eu me sinto muito feliz. Foi um trabalho muito bem-feito, estratégias montadas para colocar o máximo de dificuldade. Tá todo mundo lutando por cada décimo. Eu queria aproveitar essa oportunidade e fazer o meu melhor. Vim para disputar e para estar entre as melhores. Finalmente consegui depois de dez anos tentando. Dá um alívio, mas agora quero mais – disse a ginasta.

Flavinha é especialista de trave desde a categoria de base, conquistando a prata nas Olimpíadas da Juventude em 2014. Foi duas vezes finalista olímpica do aparelho e chegou em Roterdã a sua terceira decisão em Mundiais. No ano passado, a brasileira beliscou o pódio na quarta posição. Desta vez, a medalha veio, igualando o feito de Rebeca Andrade no Mundial de 2023, os melhores resultados do Brasil na trave na história.

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Medalhista olímpica por equipes em Paris 2024, Flavinha conquistou sua terceira medalha em Mundiais. Em 2023, ela foi prata por equipes e bronze no solo.

Em Roterdã, Flavinha só ficou atrás da argelina Kaylia Nemour e da chinesa Zhang Qingying. Elas empataram com 14,566 pontos, mas a argelina levou o ouro no critério de desempate, por ter maior nota de execução (8,266 x 8,066). As duas inverteram as posições em relação ao pódio do Mundial de 2025, quando a chinesa foi a campeã.

A final

Atual vice-campeã mundial da trave, Kaylia Nemour abriu a final colocando a barra no alto. A argelina executou muito bem uma série de alto grau de dificuldade para conseguir 14,566 pontos. Campeã do individual geral, a americana Skye Blakely teve dois desequilíbrios médios e tirou 13,633.

Bronze na trave das Olimpíadas de Paris 2024, a italiana Manila Esposito perdeu uma ligação de elementos, mas fez uma boa série para 14,066. Campeã dos Jogos Asiáticos, a japonesa Mana Okamura teve uma queda e muitos desequilíbrios, ficando fora da briga por medalha, com 12,666.

A francesa Elena Colas executou bem sua série, apenas com pequenos desequilíbrios, e tirou 14,100. Vice-líder da classificatória, a chinesa Qiu Qiyuan lutou para não cair em uma acrobacia e só conseguiu 13,633.

Era a vez de Flavinha. A brasileira executou muito bem todas as ligações, inclusive a sequência acrobática (flic + layout + layout), que a derrubou na final do individual geral. Só teve um desequilíbrio médio no mortal lateral. Nada que tirasse o sorriso da brasileira antes mesmo de receber a nota. Com 14,300 pontos, o pódio estava garantido, assumindo a segunda posição. O técnico Francisco Porath ainda pediu um recurso para tentar aumentar em dois décimos a nota de dificuldade, mas a arbitragem manteve o 6,1.