Correio de Carajás

Fibromialgia

Coluna Dr. Nagilson

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Nagilson Amoury

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A fibromialgia é condição rara que se caracteriza por dor muscular generalizada, crônica (mais de três meses), mas que não apresenta evidencia de inflamação nos locais de dor. Ela é acompanhada de sintomas típicos, como sono não reparador (sono que não restaura a pessoa) e cansaço.

      Podem haver distúrbios do humor como ansiedade e depressão, e muitos pacientes queixam-se alterações da concentração e de memória. Acomete indivíduos de qualquer faixa etária, preferencialmente entre os 35 e 60 anos. No Brasil, estima-se que acomete cerca de 2,5% dos indivíduos acima de 16 anos de idade. Há um predomínio no sexo feminino de 8 mulheres para cada homem com fibromialgia.

      Dados da literatura demonstram uma predisposição genética favorável ao desenvolvimento do quadro em determinados indivíduos. Estes, quando expostos a estressores ambientais, prováveis gatilhos, evoluem com a síndrome. Entre os estressores podem ser citados quadros infecciosos virais, traumas físicos importantes e distúrbios do humor, como a depressão e ansiedade. Lembrando que os mesmos gatilhos funcionam como agentes moduladores do seu curso clínico.

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      A fibromialgia é bastante comum, afetando 2,5% da população mundial, sem diferenças entre nacionalidades ou condições socioeconômicas. Geralmente afeta mais mulheres do que homens e surge entre 30 e 50 anos de idade, embora existam pacientes mais jovens e mais velhos. Daniel Feldman explica que os principais sintomas observados são dores difusas, fadiga e distúrbios do sono.

      A presença da dor difusa e crônica, com pelo menos três meses de duração, é obrigatória em 100% dos pacientes e não tem características especificas. Os distúrbios do sono observados em 80 a 90% dos casos, podem manifestar-se de várias formas. Seja como dificuldade em iniciar o sono, despertares frequentes durante a noite, despertar precoce ao amanhecer ou simplesmente acordar muito cansado.

      A fadiga está presente em percentual semelhante às dos distúrbios do sono, sendo descrita como perda de energia para as atividades diárias, físicas e mentais. O paciente já a descreve ao despertar e relata que não melhora muito com o sono. Eventualmente pode se tornar intensa a ponto de impedir a realização das tarefas corriqueiras.

      Para Roberto Heymann, uma parcela considerável desses pacientes apresenta transtornos do humor, sendo depressão, ansiedade, e pânico os mais frequentes. Queixas cognitivas também são observadas, em especial os distúrbios da memória, concentração e raciocínio. Uma percentagem entre 25 e 50% dos pacientes com fibromialgia apresentam distúrbios psiquiátricos concomitantes, que dificultam sua abordagem e melhora clínica, necessitando, muitas vezes, de um suporte psicológico ou psiquiátrico mais amplo.

      O tratamento interdisciplinar é obrigatório, sendo necessário individualizar e planejar adequadamente a terapia de cada paciente. A educação do paciente, que é o primeiro passo do tratamento, consiste na explicação detalhada sobre a síndrome, suas causas, consequências, sintomas, fatores agravantes e benefícios. Estabelecem-se metas realistas de tratamento e de ganhos terapêuticos em conjunto com o paciente.

      A terapia cognitivo-comportamental é benéfica nos pacientes com baixa adesão ao tratamento, pois atua aumentando sua capacidade de enfrentamento e alterando crenças inadequadas que estejam prejudicando seu tratamento. Dessa forma, às vezes, se consegue moldar a atitude do paciente e tornar favorável ao tratamento.

      A atividade física deve ser realizada sempre com muito cuidado, pois, se exagerada, pode piorar o quadro clínico. Inicia-se com intensidade leve, cujo o aumento deve ser gradativo e monitorado para que seja bem tolerado desde o início e favoreça a adesão do paciente a longo prazo.

      Inicialmente, deve se dar preferência a qualquer atividade física aeróbia e de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica ou até natação. Em uma boa percentagem de pacientes, uma simples caminhada ao passo normal, durante 30 minutos todos os dias proporciona efeitos terapêuticos encorajadores.

* O autor é médico especialista em cirurgia geral e saúde digestiva.

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