Fotos: Ulisses Pompeu

Resgatar espécies que caíram emesquecimento e incentivar a propagação de diferentes tipos de plantas sãoalguns dos objetivos dos organizadores da II Feira de Troca de Sementes doSudeste do Pará, realizada no domingo (14), no estacionamento da VP8, em frenteà Feira da Folha 28.

O evento é coordenado pelaUniversidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), com diversosparceiros, e conforme o agrônomo Bernardo Tomchinsky, professor do curso deCiências Biológicas e um dos organizadores, a primeira edição do evento aconteceuem 2012. A intenção, porém, sempre foi torná-lo anual.

“Estamos tentando resgatar issocom vários parceiros, como Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dosTrabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação dos Trabalhadores naAgricultura do Estado do Pará (Fetagri), Associação de Mulheres Quebradeiras deCoco Babaçu, indígenas e pessoas oriundas de vários assentamentos. A ideia étornar este evento frequente para a gente resgatar e não perder as plantas quetemos na região”, explica.

De acordo com o professor, emdecorrência do trabalho de resgate de plantas tradicionais o banco de sementesmantido pela Unifesspa já conseguiu reunir interessantes espécies. “Na coleçãojá temos cinco variedades diferentes de taioba, dois tipos de araruta – quecaiu em esquecimento -, e dois tipos de ora-pro-nóbis, uma planta bem comum emMinas Gerais”, cita, explicando que essa última trata-se de um cacto que produzfolha com teor de proteína mais alto que alguns tipos de carne. “A ideia é não perderesse material e propagar”.

Ao todo, diz, já são 60 tipos diferentes de plantas no banco da universidade. “Conseguimos amendoim e milho tradicionais que os indígenas não tinham mais aqui na região, a ideia do projeto é esse, além de promover o consumo de mais tipos de plantas também resgatar as que caíram em esquecimento”.

Aproximadamente 100 produtoresforam convidados a visitar a feira neste domingo, para troca e conhecimento desementes. Ideomar Silva dos Santos, diretor da Escola Família Agrícola, foi umdos interessados no projeto, para onde levou também alunos da instituição.

“Estamos trazendo exemplares de mudas produzidas na escola e a avaliação que faço desse evento é que é de extrema importância para a região, incentiva a agricultura familiar e, sobretudo, a propagação de espécies, alguma estão até em extinção. Muito louvável essa atitude da Unifesspa de formar um banco de sementes e podermos participar também de forma educativa, trazendo os alunos para compreender a importância dessa troca, da cultura de sementes, esperamos que possa ter mais edições desta feira”, observou.

Durante o evento, também ocorreuação de pintura corporal com participação dos estudantes indígenas da Unifesspa,representados em três etnias, Guajajara, Gavião e Xikrin. (Luciana Marschall eUlisses Pompeu)