Correio de Carajás

Famílias da Piçarreira da Infraero fecham ponte para clamar contra despejo

Moradores da Piçarreira chegaram a bloquear a Rodovia Transamazônica como protesto à decisão da Justiça Federal / Foto: Josseli Carvalho
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Uma manifestação na ponte sobre o Rio Itacaiunas na manhã desta quinta-feira, 12, bloqueou a Rodovia Transamazônica e deixou o trânsito lento por algumas horas, nos acessos aos núcleos Nova Marabá e Cidade Nova. Eram os moradores da ocupação conhecida como “Piçarreira”, do Bairro Infraero, que decidiram protestar contra a intimação da Justiça Federal, no último dia 20 de outubro, para que desocupem o local. Porém, os habitantes não pretendem obedecer ao pedido, chamando a atenção para que alguém os acuda.

Nos cartazes, pedidos de ajuda como “Queremos justiça e não guerra”, “Precisamos de ajuda, senhor prefeito”, e “Queremos nossa moradia que querem nos tirar”, estampam o desespero dos moradores, que informaram à Reportagem do Portal Correio que o prazo para a desocupação é segunda-feira (16). Segundo eles, a saída seria feita no sábado (14), porém, foi estendida devido as Eleições 2020.

Desesperados, os ocupantes da Piçarreira fizeram cartazes pedindo ajuda / Foto: Evangelista Rocha

Lindomar Pereira Borges é morador da Piçarreira e lamentou os transtornos do bloqueio da rodovia, que causou congestionamento de aproximadamente 2,5 quilômetros. No entanto, justifica que é um ato necessário para que a sociedade tome conhecimento da situação que os moradores estão passando. Segundo ele, serão remanejadas 105 famílias e outras 18 serão despejadas.

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Lindomar explica que 18 famílias seriam despejadas e 105 remanejadas / Foto: Josseli Carvalho

“A decisão do juiz é favorável para uns e para outros não. Então, queremos que o juiz consiga encaixar essas 18 famílias junto com as outras 105. Essa é nossa reinvindicação. Jamais quisemos atrapalhar a vida das pessoas, mas foi o único jeito de chamar a atenção das autoridades públicas, principalmente do prefeito, pois acredito que se não fosse pelas eleições, ele pelo menos olharia por nós”, explicou Lindomar.

Outro morador presente na manifestação, Max Silva informou que a população contratou advogada que está em busca de reverter a situação. “Viemos fazer essa manifestação para que alguém olhe para nós, pois há muitos idosos e crianças que vivem lá. Eu mesmo construí minha casa e agora estou sem ter para onde ir”, disse Max.

Enquanto a Reportagem conversava com Max, a PRF dialogava com os manifestantes / Foto: Evangelista Rocha

Não muito depois, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram acionados para conter a manifestação, devido ao congestionamento que estava sendo causado. O Portal Correio tentou falar com os policias, porém, sem gravar entrevista, informaram que a reinvindicação dos moradores era apenas relativa à permanência nas moradias da localidade e que Mancipor Lopes, responsável pela Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU), iria até o local para dialogar.

A manifestação deixou um congestionamento de quase 2,5 quilômetros / Foto: Evangelista Rocha

A Reportagem deixou a manifestação por volta das 12h35 e pela tarde entrou em contato com Mancipor, para saber se ele foi ao encontro dos moradores. Por telefone, o superintendente explicou que recebeu um pedido do secretário de Segurança Institucional, Jair Guimarães, para que recebesse na SDU os representantes dos moradores, o que de fato ocorreu, conforme Mancipor.

“Recebi os representantes e expliquei que a SDU não é parte do processo, que estamos apenas fazendo um levantamento de dados a pedido da Justiça Federal. Também informei que buscaria, junto à Justiça Federal, a possível realocação dessas 18 famílias, porém, não garanti que elas seriam realocadas. Não assegurei que conseguiria isso, porque as 18 famílias iniciaram ou concluíram suas edificações depois da liminar deferida. Por conta disso, o juiz entendeu que essas famílias não deveriam ser incluídas na decisão humanizada”, esclareceu o superintendente da SDU.

O Portal Correio tentou contatar Lindomar, que representava os moradores, para que ele informasse a sua versão da reunião com Mancipor, porém, o telefone era direcionado para a caixa postal. (Zeus Bandeira e Josseli Carvalho)

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