Correio de Carajás

Família busca justiça após matriarca morrer atropelada por jovem sem CNH em Marabá

Arnold não possuía CNH e a moto não estava emplacada quando houve o acidente que tirou a vida de Maria / Foto: Rede Social
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 25/08/2026 15h32

Um mês depois da morte da servidora municipal Maria de Fátima Moraes Silva, de 63 anos, a família ainda busca respostas sobre as circunstâncias do acidente que tirou a vida da idosa, na tarde de 23 de julho, na Rodovia Transamazônica (BR-230), em frente à sede da Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa), no núcleo Cidade Nova. Maria atravessava a via corretamente pela faixa de pedestres quando foi atingida por uma motocicleta sem placa, pilotada por Arnold Miranda, de 18 anos, que não era habilitado.

O caso, inicialmente registrado como uma ocorrência de trânsito, passou a ser acompanhado de perto pela família, que reuniu documentos, imagens e relatos de testemunhas e os apresentou às autoridades policiais.

A filha da vítima, Tatiane Gomes, conversou com a Reportagem do Correio de Carajás esta semana para relatar os desdobramentos da investigação e cobrar a apuração das circunstâncias que levaram à morte da mãe, punindo exemplarmente o responsável.

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Segundo o boletim de ocorrência registrado pela filha, Maria foi atingida enquanto atravessava a rodovia e sofreu múltiplas fraturas. O documento também registra a informação de que o condutor da motocicleta, identificado como Arnold Miranda, de 18 anos, estaria acima da velocidade permitida e não possuiria Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Essas informações constam como relato da comunicante no boletim.

Maria foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal de Marabá (HMM), onde permaneceu internada em estado grave. Conforme o documento de declaração de óbito apresentado pela família, a morte ocorreu em decorrência de choque hemorrágico provocado pela ruptura de vasos do abdômen e, principalmente, da pelve, associado às fraturas dos ossos da região causadas pelo politraumatismo oriundo do acidente de trânsito.

Maria retornava do trabalho quando foi atingida pelo condutor, na faixa de pedestres / Divulgação

Busca por provas

Desde as primeiras horas após o acidente, Tatiane afirma ter procurado informações que pudessem ajudar a esclarecer a dinâmica da colisão. Ela conta que buscou imagens de câmeras de estabelecimentos próximos ao local, localizou testemunhas e reuniu documentos médicos relacionados à ocorrência.

A família também procurou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para comunicar o acidente e solicitar providências relacionadas à motocicleta, que permanecia no local. Posteriormente, segundo Tatiane, foram entregues documentos e informações para auxiliar na apuração e ela afirma ainda que imagens de câmeras de segurança foram obtidas e encaminhadas para análise. Segundo a denunciante, a PRF esteve no local e avaliou elementos relacionados à dinâmica do acidente.

A filha também afirma que documentos analisados pela família apontam elementos sobre a velocidade da motocicleta e a ausência de uma reação do condutor antes do impacto. Esses pontos, contudo, devem ser considerados dentro da investigação e da análise técnica dos órgãos responsáveis.

Vestígios de danos na moto envolvida na fatalidade ajudam a dimensionar o impacto contra a vítima

Relato do condutor

Um dos documentos obtidos pela reportagem contém a declaração atribuída ao condutor da motocicleta. No relato, Arnold afirma que seguia em direção ao Aeroporto de Marabá quando percebeu um carro à sua frente. Segundo ele, o veículo teria parado e, para evitar uma colisão, desviou para a direita, atingindo a vítima que estaria a cerca de dois metros de distância finalizando a travessia na faixa de pedestre. O documento também registra que, após a colisão, o condutor afirma ter prestado os primeiros socorros à vítima e acompanhado o atendimento até o hospital.

Investigação

Tatiane afirma que o inquérito policial continua em andamento e que aguarda a conclusão da apuração para que o caso seja encaminhado ao Ministério Público Estadual que, por sua vez, poderá oferecer denúncia à Justiça. Segundo ela, parte dos documentos reunidos pela família ainda deveria ser anexada ao procedimento. A família também afirma que pretende buscar responsabilização na esfera judicial e que está reunindo documentos relacionados aos gastos decorrentes da morte de Maria.

“Na sexta-feira, enquanto eu ainda estava velando minha mãe, não tive paz nem para viver aquele momento. Voltei para a rua atrás de provas, fui novamente à PRF e avisei que ela tinha morrido. Eu estava velando minha mãe e, ao mesmo tempo, correndo atrás de respostas”, revela Tatiane, ainda sob forte comoção.

A família sustenta que a morte poderia ter sido evitada e espera que a investigação esclareça as circunstâncias do acidente, especialmente a dinâmica da colisão e as condições em que a motocicleta era conduzida. Maria, descrita como “mulher guerreira que cuidou sozinha da casa”, era auxiliar de serviços gerais no Departamento de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação e deixa 5 filhos, 12 netos e 3 bisnetos.

O que diz o citado

O Correio de Carajás procurou a defesa de Arnold Miranda para que ele e seus familiares apresentem sua versão sobre o acidente e os documentos citados pela família da vítima. O advogado responsável, Antônio Araújo, foi contatado e o posicionamento da defesa será acrescentado à reportagem assim que for encaminhado à Redação.