📅 Publicado em 25/08/2026 15h30✏️ Atualizado em 25/08/2026 11h28
Aos 27 anos, Bella Godoi queria apenas mudar o formato do nariz e se sentir mais bonita. O que recebeu, porém, foi uma sequência de complicações que, segundo ela, quase lhe custou o próprio nariz: infecção, necrose, uma cicatriz que ainda carrega no rosto e perdas profissionais e emocionais que, seis anos depois, continuam fazendo parte de sua vida.
Moradora de Parauapebas e influenciadora com mais de 30 mil seguidores, Bella decidiu contar ao Correio de Carajás como uma rinomodelação definitiva transformou o desejo de beleza em uma experiência que ela define como um dos períodos mais difíceis de sua vida.
Na época, segundo ela, a rinomodelação definitiva ainda era um procedimento relativamente novo e o profissional que a atendeu era um dentista.
Leia mais:Ela relata que a intervenção foi realizada com anestesia local e sedação. O nariz foi aberto e o procedimento foi feito na própria clínica. Segundo Bella, o resultado, porém, não correspondeu ao que havia sido prometido.
“Eu sempre falei: você consegue me entregar esse nariz? E ele garantia que sim. Então, já foi a primeira frustração”, relembra.
Depois da primeira intervenção, Bella afirma que sentia muitas dores e que um pequeno fio ficou para fora do nariz.
Na tentativa de corrigir o resultado, ela retornou ao profissional. Foi então, de acordo com seu relato, que uma prótese foi colocada no nariz. Bella diz que até hoje não sabe exatamente qual é o material utilizado e que a retirada só pode ser feita por um cirurgião. “Eu não sei o que está no meu nariz”, afirma.
O problema, segundo ela, começou quando a prótese passou a pressionar a pele e começou a formar uma ponta. Ela procurou novamente a clínica antes que o material chegasse a romper completamente a pele.
“Quando a prótese começou a dar pontinha, antes de ela ir para fora, voltei à clínica. Falei: ‘Doutor, a gente precisa ver isso”.
Segundo a influenciadora, o profissional disse que não era problema dele e que as implicações eram decorrentes da falta de repouso e da exposição ao sol. Ela contesta essa argumentação e afirma que sentiu falta de uma assistência mais efetiva para tratar a complicação.
“Já estava infeccionado, já estava saindo pus, a prótese foi para fora. E o meu nariz estava ficando enorme”, lembra.
A situação, conforme o relato da influenciadora, se agravou. Parte da pele do nariz teria necrosado e a infecção comprometido a região. Diante da evolução do quadro, Bella procurou outros profissionais e ouviu de cirurgiões que corria o risco de perder o nariz.
“Todos os cirurgiões estavam falando: ‘Você vai perder o seu nariz’. Você está com uma necrose e isso acontece quando a nossa pele vai ficando podre por dentro”, destaca.

Tentativa de reparar o que aconteceu
Com o nariz comprometido, Bella precisou buscar alternativas para tentar recuperar a região. Foram necessários medicamentos, curativos e tratamentos para amenizar as consequências, além de aplicações de ácido hialurônico para melhorar a aparência da cicatriz.
“Fui em busca de uma melhora e voltei com uma cicatriz”, desabafa.
A cicatriz, segundo Bella, acabou se tornando a parte mais visível de um problema que, para ela, foi muito maior.
A influenciadora também questiona a forma como a segunda intervenção foi realizada. Segundo seu relato, o corte poderia ter sido feito na parte inferior do nariz, como teria ocorrido na primeira intervenção, mas o profissional optou por fazê-lo na parte superior.
“Eu disse: ‘Mas o que você vai fazer assim?’. Porque eu não dou conta de mexer no seu nariz. Eu não sei o que tem aí”, relata.
Para Bella, o fato de o próprio profissional ter realizado as duas intervenções aumentava a responsabilidade sobre o acompanhamento do caso.
“Uma pessoa que abriu, mexeu a primeira, a segunda vez, que não foi outro profissional, ele não sabia mais o que tinha ali?”, questiona.
A jovem reconhece que complicações podem acontecer mesmo quando um procedimento é realizado com finalidade estética, mas acredita que deveria ter recebido uma assistência diferente diante dos primeiros sinais de problema.
“Pode ser de uma em 100 pessoas ser sorteada e acabar acontecendo isso? Pode. Mas eu acho que faltaram assistência e responsabilidade”, afirma.
Segundo ela, foi necessário buscar ajuda de outros profissionais e contar com o apoio de amigos para tentar controlar a situação e evitar consequências ainda mais graves.
“Tive de recorrer a um cirurgião. Com ajuda dos amigos, para ver se apaziguava um pouco a situação para eu não perder o meu nariz.”
Na época, Bella afirma ter pago R$ 6 mil pelo procedimento. Os custos, porém, não terminaram ali. “Foi caro. Laser, curativo, antibiótico”, relata.
Marcas que não aparecem nas fotos
Para quem trabalha com imagem, as consequências ultrapassaram a questão física.
Bella conta que já trabalhava com campanhas publicitárias e produção de conteúdo, atividades em que o rosto tinha papel fundamental. Depois do surgimento da cicatriz, afirma ter perdido trabalhos e enfrentado dificuldades para aparecer publicamente.
Ela chegou a se afastar das redes sociais e precisou reunir coragem para voltar a ficar diante das câmeras. “Eu perdi dinheiro, perdi trabalho, perdi autoestima, perdi vida”, desabafa.
A experiência também deixou consequências emocionais. Bella afirma que passou a ter medo de qualquer intervenção no rosto e que nunca mais realizou procedimentos estéticos com finalidade de transformação, recorrendo apenas a tratamentos para amenizar a cicatriz, como o preenchimento com ácido hialurônico.
Ela também buscou terapia para lidar com os impactos da experiência. “Não nasci com ela. Eu a adquiri durante a minha vida”, afirma, referindo-se à cicatriz.

Bella alerta quem busca procedimentos estéticos
Ao olhar para trás, a influenciadora Bella Godoi diz se arrepender de ter realizado o procedimento com aquele profissional e considera que houve falhas na condução do caso, especialmente no atendimento após o surgimento das complicações.
A experiência também fez com que passasse a questionar a formação e a qualificação de profissionais que atuam na área de procedimentos estéticos.
Para ela, a principal lição não é deixar de buscar procedimentos para melhorar a aparência, mas entender que a busca pela beleza precisa estar acompanhada de segurança.
“Hoje eu aconselho todo mundo a procurar bons profissionais, que passem credibilidade, que tenham especializações e que tenham cuidado com vidas”, afirma.
Bella afirma que chegou a cogitar processar o profissional, mas, à época, estava muito abalada emocionalmente com tudo o que havia vivido e decidiu não seguir adiante.
No fim, a cicatriz que ela carrega acabou se transformando também em uma mensagem. Uma lembrança de que, por trás de um procedimento vendido como transformação estética, existe uma pessoa, uma vida e riscos que nem sempre aparecem nas fotos de antes e depois.
E é justamente olhando para a câmera, com a emoção de quem viveu tudo isso, que ela deixa o alerta: “Procurem profissionais qualificados.”
CLÍNICAS DE ESTÉTICA EM PARAUAPEBAS
- 36 clínicas de estética estão cadastradas na Vigilância Sanitária do município.
- Desse total, 28 possuem alvará sanitário vigente. Fonte: Vigilância Sanitária de Parauapebas
