Correio de Carajás

Espera sentado, porque em pé o usuário cansa

Espera sentado, porque em pé o usuário cansa
Nesta parada de ônibus no núcleo Cidade Nova, alguns usuários aguardam impacientes o ônibus que nunca chega/ Foto: Ulisses Pompeu
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Nenhum ônibus saiu da garagem na manhã da última segunda-feira (9) porque os 310 rodoviários paralisaram o transporte coletivo. Os trabalhadores reivindicam o pagamento de três meses de salários atrasados e sete meses de vale alimentação. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviários do Estado do Pará (Sintrasul), Ozéias Brandão, as empresas TCA e Nasson não estão cumprindo com o acordo de que 50% da receita deveria ser destinada ao pagamento dos valores em atraso.

“A ferramenta que o trabalhador tem é essa e é ela que está sendo usada para resolver esse problema. Porque o trabalhador está cansado de prestar um bom serviço e nada receber. Não está reivindicando aumento de salário nem outra coisa a não ser receber o trabalho que já foi prestado”, explica.

A espera pelos ônibus em Marabá já é um problema que a população enfrenta diariamente e ao longo de toda a segunda-feira complicou ainda mais a vida de quem precisa do transporte coletivo, já que a paralisação foi de 100% da frota.

Leia mais:
Na porta da garagem das empresas, trabalhadores protestam pelo atraso salarial desumano

Problema se repete

Não é de agora que os rodoviários fazem greve na tentativa de receber os pagamentos atrasados. Na última paralisação realizada em agosto deste ano, quando mais de 20 carros foram parados no Terminal de Ônibus Coletivo de Marabá e os passageiros que embarcaram sem saber que haveria paralisação e simplesmente foram deixados no terminal, longe do destino final.

Contradição nas respostas

Por telefone, no final da tarde desta segunda, o advogado das empresas, Robert Silva, explicou que protocolou uma ação no Tribunal Regional do Trabalho, alegando que a greve de 100% dos funcionários é abusiva, tendo em vista que prejudica os usuários totalmente. A segunda ação foi protocolada na Vara do Trabalho, pedindo a proibição de ocupação da porta da garagem pelos funcionários. Se o juiz apreciar os pedidos, além da obrigatoriedade de ter 30% da frota nas ruas, o descumprimento das decisões pode acarretar multa diária e uso da força policial para a retirada dos grevistas da porta da garagem das empresas. Ele informou ainda que por volta das 17 horas, após os grevistas desocuparem a portaria da garagem, a empresa liberou 30% da frota.

Já o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviários do Estado do Pará (Sintrasul), Ozéias Brandão, informou, também por telefone, que depois das 17 horas os rodoviários liberaram a portaria da garagem, mas que a própria empresa manteve os portões fechados sem permitir a saída dos ônibus. Ele antecipou, ainda, que a categoria pretende se reunir novamente na porta das empresas na manhã desta terça-feira (10) para organizar o próximo passo da greve.

Solução distante

o secretário de Segurança Institucional, Jair Barata Guimarães, lembrou que há 40 dias houve reunião com o prefeito Tião Miranda, interventor das empresas TCA e Nassom, que exploram o serviço de transporte de passageiros e representantes do sindicato dos trabalhadores. Foi tratada a questão de a empresa atender os funcionários, repassando 50% do arrecadado com catraca para pagar os funcionários, o que não foi cumprido. A empresa foi notificada para manter a folha em dia, a cumprir contrato, aumentar a frota de ônibus e melhorar o transporte de uma forma geral. Mas também não cumpriu.

Passados 40 dias, segundo o secretário Jair Barata, as empresas argumentaram por escrito, mas não atenderam aos pedidos feitos na notificação. Com isso, foi feita abertura de processo administrativo, que vai durar 60 dias. Uma comissão foi criada e terá de orientar o prefeito Tião Miranda sobre a melhor saída jurídica para o caso. Depois dos dois meses, as empresas terão prazo para responder à comissão, por escrito, e ainda pode recorrer ao prefeito, que é a última instância do município. Depois disso, Tião Mirada vai avaliar se rescinde o contrato com a TCA e Nassom. (Fabiane Barbosa com informações de Chagas Filho)

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