O prédio que abriga a garagem das empresas foi a leilão e foi arrematado por R$ 24 milhões/ Foto: Ulisses Pompeu
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“Nada é tão ruim que não possa piorar”. A frase sem autor e sempre usada como uma ironia cai muito bem para o atual momento das duas concessionárias do transporte coletivo de passageiros em Marabá, a Nasson Tur e a TCA. É que o prédio que abriga a garagem das empresas foi a leilão e foi arrematado por R$ 24 milhões. Ou seja, para um despejo não está longe. Tudo isso na mesma semana em que os rodoviários cruzaram os braços por quase 24 horas em mais um ato desesperado pela regularização dos seus salários e benefícios.

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O leilão ocorreu na quinta-feira, dia 22 de agosto e dizia respeito ao imóvel da Folha 33 que serve de garagem para os coletivos. O terreno que foi a leilão em Marabá está situado na via marginal da BR-230 (Transamazônica) e tem 10.000 metros quadrados, com pequenas construções que servem de escritório. A empresa atingida, na verdade é a controladora da Nasson e da TCA, a Transbrasiliana, que já foi uma das maiores e mais poderosas empresas do setor de transporte terrestre do País. Outros 27 imóveis dela foram a leilão.

Além das empresas de Marabá, o Grupo contempla a Transbrasiliana Transportes e Turismo, Rápido Marajó Ltda., Transbrasiliana Especiais e Fretamento Ltda., Transbrasiliana Hotéis Ltda. e Transbrasiliana Encomendas e Cargas Ltda.

Após paralisação do dia anterior, terminal funcionava normal ontem

O CORREIO entrou em contato com o advogado das empresas, Robert Silva, que confirmou a informação ao Jornal, mas não pôde dar mais detalhes devido à conclusão do arremate, que será na próxima segunda-feira (26). Questionado se os funcionários e credores das empresas em Marabá vão ser beneficiados com o resultado desse leilão, pagando essas contas aqui mesmo na cidade, Robert disse que o futuro desse dinheiro será definido pela Justiça, que foi quem colocou os imóveis em leilão, mas que a ideia é essa.

“Parte desses recursos serão pagos aos credores e outra destinada aos trabalhadores, só que antes ainda passará por um processo burocrático, onde o juiz irá determinar o que deve ser feito”, explicou o causídico por telefone do Jornal.

Também ouvido pelo CORREIO, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Estado do Pará (Sintrarsul), Geraldo Dean Silva, disse que os funcionários estão trabalhando normalmente. “Entrei em contato com o gerente das empresas (João Martins) e ele disse que conversou com os trabalhadores e que tirou a justa causa. Ele falou sobre o leilão com os funcionários e parece que assim entraram em acordo para pararem com esse movimento para não prejudicar a população”, esclareceu à Reportagem.

PARALISAÇÃO

Os funcionários paralisaram as atividades pela primeira vez na tarde da última quarta-feira (21) e na quinta-feira, dia 22. Segundo um dos motoristas, que preferiu não se identificar, eles estão com salários atrasados de três a quatro meses e há cinco meses sem vale-alimentação.

Os dois dias foram marcados por muita confusão e pegou toda a população de surpresa, que embarcou nos ônibus sem saber que haveria paralisação e simplesmente foram deixados no terminal, longe do destino final.

Entenda

O terreno que foi a leilão em Marabá está situado na via marginal da BR-230 (Transamazônica) e tem 10.000 metros quadrados, com pequenas construções que servem de escritório.

(Karine Sued)

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