– Veículo, objeto da negociação, está apreendido pela Polícia Civil/ Fotos: Evangelista Rocha
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Durante cinco dias um homem identificado até o momento apenas como Rogério conseguiu enganar duas pessoas, mesmo sem encontrá-las, fazendo uma vender um automóvel para outra e ficando com o dinheiro pago pelo veículo.

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De acordo com o delegado Ivan Pinto, da 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, em novembro o proprietário de um Renault Sandero anunciou o carro, avaliado em R$ 33 mil na tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), por R$ 29 mil na plataforma OLX, de compra e venda online.

Dois meses depois, em 31 de janeiro, Rogério o procurou dizendo estar interessado no veículo e se comprometeu a pagar o valor do anúncio, solicitando que fossem enviadas fotos e vídeos do bem via Whatsapp.

No último dia 1º (sexta) Rogério afirmou ter gostado do carro e falou que, por ele, o acordo de compra e venda já estava firmado e que o proprietário poderia retirar o anúncio da OLX, o que foi feito no dia seguinte pelo proprietário.

Após isso, entretanto, Rogério montou um anúncio fake, utilizando as fotos do automóvel, e anunciando o mesmo carro, mas desta vez por R$ 22 mil e sujeito a negociações. Como o valor estava muito abaixo do mercado rapidamente conseguiu um comprador, no mesmo final de semana.  para este valor.

Paralelamente, disse ao vendedor que a intenção era adquirir o carro para um funcionário dele que trabalhava em uma fazenda e que chegaria na segunda-feira. “Era o tempo que ele tinha pra conseguir um comprador”.

Para a pessoa interessada no automóvel Rogério disse que o carro estava com um amigo e que o amigo havia comprado o Sandero, mas não estava conseguindo pagar e que Rogério estava intermediando porque esta pessoa confundia “negócios com amizade”.

“Ele enrolou essa situação até a última segunda-feira, dia 4. Nesta data, Rogério estelionatário conseguiu ligar para o dono e disse que o ‘funcionário’ estava em Marabá e ia encontra-lo em frente ao Itaú da Nova Marabá. Falou para o comprador que o suposto amigo estaria esperando ele no local”.

Desta forma, as duas vítimas se encontraram e o comprador gostou do veículo, mas havia sido orientado por Rogério a somente negociar com ele. Ao se afastar um pouco do proprietário ainda negociou com Rogério por telefone e baixou o valor de R$ 22 mil para R$ 16 mil.

Em seguida, as vítimas foram para um cartório e o estelionatário passou um TED ao proprietário, no valor de R$ 29 mil, via Whatsapp, mas que não era verdadeiro e não foi creditado na conta. “O proprietário enviou para a gerente do banco e ela, em horário movimentado, olhou a imagem e não viu nenhum indício de fraude, mas não consultou a conta. Falou para ele que a princípio estava tudo certo”, conta o delegado.

O dono do carro permaneceu consultando a conta e ligou de novo ao estelionatário, que afirma ter feito, mas que por algum motivo não caiu o valor e, inclusive, a conta dele havia sido bloqueada, mas que estava tudo certo e no dia seguinte iria depositar.

“O proprietário e o comprador assinaram o registro e foram até a casa da pessoa que vendeu para tirar objetos pessoais. Nisso o comprador depositou R$ 13 mil que ele tinha em conta para o estelionatário, afirmando que depositaria o restante no outro dia na conta da esposa do estelionatário”, explica.

Na terça-feira, entretanto, o proprietário do carro percebeu que o valor não havia sido creditado e entrou novamente em contato com o golpista que, desta vez, afirmou que a esposa iria pessoalmente ao banco depositar o valor que ele teria em casa. “O proprietário esperou no banco até 14 horas, mas ninguém apareceu e o estelionatário bloqueou o vendedor no telefone”.

A partir disso, o homem procurou a 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil para denunciar o caso e o automóvel, que estava em posse da outra vítima, acabou apreendido. “Tombamos o procedimento investigativo e a princípio as provas nos autos mostram que as duas pessoas que estiveram aqui foram lesadas. O comprador, apesar de ter a posse do carro, pagou a uma pessoa que não era a proprietária do veículo, porém, o real proprietário não recebeu nenhum centavo. No final o veículo foi apreendido e está recolhido na delegacia”.

Delegado Ivan: “Ninguém saiu em vantagem, todos foram prejudicados”

Segundo o delegado, não pode haver enriquecimento sem causa, ou seja, como o valor pago pelo carro foi muito abaixo do mercado, o comprador ainda terá que pagar o restante do valor para o proprietário. “Terá que pagar 13 mil ao real proprietário, ou seja, ninguém saiu em vantagem, todos foram prejudicados e a questão agora é a polícia procurar essa pessoa que se identifica como Rogério e a esposa, que se identifica como Érica Regina”.

O delegado solicitou ao Poder Judiciário que mantenha a apreensão até o fim do inquérito, que tem prazo de 30 dias.

SAIBA MAIS

O delegado Ivan Pinto orienta as pessoas a não confiarem em TED enviado por Whatsapp e sugere sempre consultar a conta. Destacou que o estelionatário conseguiu enganar até a gerente do banco com o comprovante falsificado. Por fim, destacou que a compra e venda deve ser feita sempre sem intermediários.

(Luciana Marschall)

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