Correio de Carajás

Diocese de Marabá proíbe propaganda eleitoral em igrejas e orienta fiéis

Documento assinado por Dom Vital Corbellini reforça que a Igreja Católica não indica candidatos ou partidos e proíbe propaganda eleitoral em espaços eclesiásticos

Por: Da Redação

A Diocese de Marabá publicou uma orientação pastoral para as Eleições Gerais de 2026 com recomendações dirigidas ao clero, às pessoas consagradas, às lideranças de pastorais, movimentos e serviços e aos fiéis. Assinado pelo bispo diocesano, Dom Vital Corbellini, o documento afirma que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos e convoca os cristãos a exercerem a cidadania com responsabilidade, ética, discernimento e compromisso com a verdade, a justiça, a dignidade humana e o bem comum.

A orientação foi divulgada em 21 de agosto de 2026, às vésperas do processo eleitoral. No texto, a diocese afirma acolher mensagem do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), publicada em 17 de junho, que defende a promoção da vida e do bem comum e alerta para problemas como desigualdade social, corrupção, compra de votos e disseminação deliberada de mentiras.

Espaços religiosos

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Um dos principais pontos do documento é a determinação de que templos, capelas, salões paroquiais e demais espaços das comunidades não sejam cedidos ou utilizados, direta ou indiretamente, para propaganda eleitoral. A diocese também recomenda que se evitem, dentro e nas imediações desses locais, práticas que possam confundir o anúncio do Evangelho com a promoção de candidaturas.

Segundo a orientação pastoral, os templos religiosos são considerados bens de uso comum para fins eleitorais, ainda que sejam de propriedade privada. O documento cita a legislação eleitoral para fundamentar a vedação à propaganda eleitoral nesses espaços.

Restrições para clero

A Diocese de Marabá orienta que o clero, as pessoas consagradas e as lideranças de movimentos e serviços não promovam apoio, discursos ou publicações que indiquem preferência político-partidária em espaços religiosos ou nas redes sociais oficiais da Igreja.

O documento menciona dispositivos do Código de Direito Canônico que vedam aos clérigos assumir cargos que impliquem o exercício do poder civil e ter participação ativa em partidos políticos. A recomendação é estendida, por analogia, às pessoas consagradas e às lideranças pastorais. De acordo com a diocese, a medida não restringe o direito individual de voto, mas busca impedir o uso da autoridade moral e da estrutura eclesial em favor de candidaturas.

A orientação ainda alerta que esse tipo de instrumentalização pode caracterizar abuso de poder religioso e produzir consequências eleitorais para os beneficiários, incluindo cassação de registro ou diploma e inelegibilidade, conforme a avaliação das autoridades competentes.

Fiéis são chamados

Aos leigos e leigas, a diocese afirma que a participação política é um dever cívico e pode ser compreendida como expressão da caridade cristã quando exercida de maneira ética. Ao mesmo tempo, pede que a liberdade de cada pessoa seja respeitada e que a unidade da comunidade seja preservada.

Por esse motivo, a orientação recomenda que, durante celebrações, novenas, procissões e outros eventos religiosos, os participantes não utilizem camisas, bonés, adesivos, bandeiras ou santinhos de propaganda eleitoral. Para a diocese, as celebrações devem permanecer como espaços de comunhão entre pessoas com diferentes opções políticas, e não se transformar em palanques eleitorais.

Responsabilidade institucional

A Diocese de Marabá também atribui aos párocos, reitores de santuários e coordenadores de pastorais a responsabilidade de zelar pelo cumprimento das orientações em suas respectivas áreas. Em caso de dúvida ou risco de descumprimento, o documento recomenda que a situação seja comunicada à Cúria Diocesana.

A instituição afirma ainda que a propaganda irregular em bens de uso comum pode resultar em multa para os responsáveis. A responsabilização, segundo a orientação, pode alcançar paróquias, comunidades e entidades vinculadas à diocese que autorizem ou permitam esse uso, com possíveis impactos sobre a credibilidade institucional.

Ao concluir a mensagem, Dom Vital Corbellini convida as comunidades a serem “construtoras de pontes e promotoras da paz social”, com compromisso ativo com a verdade, a justiça e a fraternidade. O texto também pede a intercessão de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira da Diocese de Marabá, pelo processo eleitoral e pelo povo da região.

“Que neste período eleitoral sejamos construtores de pontes e promotores da paz social, comprometidos com a verdade, a justiça e a fraternidade”, afirma a orientação pastoral.