Correio de Carajás

Detento foi executado pelo PCC, diz delegado

Para o delegado Ivan Pinto da Silva, do Departamento de Homicídios de Marabá, não resta nenhuma dúvida de que o detento Wesley Bispo dos Reis, o “Galo Cego”, de 25 anos, foi morto por membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A vítima foi encontrada enforcada no interior de uma das celas da Central de Triagem Masculina de Marabá (CTMM) na manhã da última terça-feira (29). Mas não foi suicídio. Aliás, em coletiva com a Imprensa ontem (30), o delegado disse, com todas as letras, que o PCC domina os presídios de Marabá.

Segundo o delegado, chegando ao local do crime, a perícia do Instituto Médico Legal (IML) e da Polícia Civil, de início, já constatou que não se tratava de suicídio. “Na verdade, isso foi um engodo criado pelos custodiados que dividiam a cela com o Wesley”, disse o delegado.

Diante da situação, o delegado requisitou que todos os nove detentos que estavam custodiados com a vítima prestassem depoimento e fossem submetidos a exame de corpo de delito no IML, pois a cena do crime e as características do morto levavam a crer que houve briga e os envolvidos certamente sofreram lesões, o que será usado como prova material contra os acusados. “A vítima tinha compleição física avantajada e ainda travou luta com seus algozes antes de ser morta”, opina delegado Ivan Silva.

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Três dos detentos acusados aguardam momento de passarem por exame de corpo de delito/ Foto: Evangelista Rocha

O delegado observa que, obviamente, nem todos os detentos da cela participaram da execução de Galo Cego, mas foram obrigados a assistir ao crime, pois se tivessem tentado ajuda-lo poderiam ter sofrido o mesmo destino.

Ainda conforme explicou o policial, assim que sair o resultado do laudo de lesão corporal constatando que a lesão no corpo dos detentos advém dessa luta corporal com a vítima, eles serão flagranteados e conduzidos novamente para o CTM. Segundo o delegado, essa nova autuação evita um possível Alvará de Soltura que porventura algum dos envolvidos esteja perto de receber. “Confessando ou não, eles serão flagranteados por conta da lesão corporal que sofreram”, confirma o delegado.

Perguntado sobre qual teria sido a motivação da execução de Galo Cego, o delegado explicou que embora o detento tivesse dito um pouco antes de morrer que não participava de nenhuma facção criminosa, o Departamento de Homicídios apurou que entre as pessoas assassinadas por Galo Cego estaria um criminoso pertencente ao PCC e isso foi a sentença de more do presidiário. “Como aqui em Marabá, os presídios são dominados pela facção PCC, ele foi morto”, resumiu o policial.

Entre outras acusações, Galo Cego é apontado como autor do crime que vitimou Hilton Jones, conhecido como “Aranha”, registrado na virada do ano, dia 31 de dezembro de 2017, no Bairro Liberdade, Núcleo Cidade Nova.

Na ocasião, Hilton foi alvejado por volta de meia-noite, por disparos de arma de fogo quando se encontrava nas imediações de um estabelecimento comercial. A vítima ainda tentou correr do atirador, mas caiu poucos metros longe de onde estava sentada.

Este outro detento foi levado para uma audiência de custódia antes do exame /
Foto: Evangelista Rocha

O nome de Galo Cego logo foi veiculado ao crime por conta de uma desavença que ambos haviam tido poucas semanas antes. A Polícia Civil já o conhecia pelo apelido, por envolvimento com o tráfico de drogas. A partir disso, Wesley foi identificado e com a ajuda de testemunhas rapidamente qualificado, inclusive com a identificação do local utilizado por ele e pelos comparsas para a comercialização de drogas ilegais.

Na ocasião, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva dele, que foi decretada pelo Poder Judiciário, em seguida a foto dele passou a estampar cartazes do Disque Denúncia, no final do mês de junho, até que ele foi preso em novembro do ano passado.

Em abril de 2018, Galo Cego havia sido denunciado também pelo crime de tráfico de drogas.

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A Central de Triagem Masculina de Marabá, o chamado CTMM, palco do crime, é um complexo prisional que funciona nas proximidades do Centro de Recuperação Agrícola Mariano Antunes (CRAMA), onde ficam custodiados detentos que ainda não foram condenados.

(Chagas Filho)