O trecho urbano da BR-230, a Transamazônica, é duplicado dentro de Marabá, o que facilita o deslocamento dos motoristas que circulam diariamente pela cidade e daqueles que estão apenas de passagem. Por outro lado, a rodovia também apresenta riscos, sobretudo nos pontos em que a velocidade da via expressa se encontra com o ritmo mais lento da área urbana.
No complexo Cidade Nova, o retorno que dá acesso ao bairro pela Rua Pedro Fontenele é conhecido pelos motoristas em razão dos frequentes acidentes automobilísticos, muitos deles com vítimas fatais. Nos últimos 30 dias, foram registradas pelo menos três ocorrências graves.

O acidente mais recente aconteceu na manhã de domingo (9), quando um carro modelo Onix tentava atravessar a rodovia para acessar a Rua Pedro Fontenele e atingiu uma motocicleta que trafegava pela BR-230. O motociclista foi lançado a distância e socorrido em seguida por uma ambulância. A reportagem não conseguiu apurar a identidade da vítima nem seu estado de saúde posteriormente.
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Segundo caso
Também no mesmo local e em circunstâncias semelhantes, na madrugada de 30 de julho, um Toyota Corolla, conduzido por um estudante de Medicina que retornava do Aeroporto de Marabá, precisou desviar de outro carro no cruzamento. O motorista perdeu o controle da direção, saiu da pista e colidiu contra a parede de uma loja de produtos para piscinas.
O carro que teria forçado a passagem não foi atingido, mas o Corolla ficou parcialmente destruído. O jovem motorista não sofreu ferimentos, graças ao acionamento dos airbags.

Terceiro caso
Outra ocorrência recente no local, que teve maior repercussão, envolveu o ex-vereador Miguel Gomes Filho, conhecido como Miguelito, na noite de 8 de julho. Nesse caso, ele também conduzia o veículo pela rodovia quando foi surpreendido por outro carro que tentava atravessar a pista para acessar a Rua Pedro Fontenele.
Para evitar uma colisão frontal, Miguelito fez uma manobra brusca, que fez sua Toyota SW4 tombar na pista. Testemunhas que estavam nas proximidades o ajudaram a sair do veículo. Naquele momento, ele aparentemente estava bem. Mais tarde, no Hospital Regional, foi constatada uma fratura na coluna cervical, que exigiu uma cirurgia de emergência.

Repercussão
Miguelito recebeu alta hospitalar, mas ainda utiliza uma proteção cervical. Em entrevista ao CORREIO, ele falou sobre o perigo representado pelo cruzamento.
“Eu poderia ter morrido. Foi grave o que aconteceu comigo. Aquele ponto da BR-230 é muito perigoso por ser um retorno e cruzamento ao mesmo tempo, o que é um verdadeiro absurdo. Precisamos que as autoridades de trânsito locais e federais tenham essa percepção e promovam alguma mudança ali.”
Morador da área, o pecuarista Virgilino Camargo também falou à reportagem. Segundo ele, os acidentes no local são numerosos todos os meses, embora alguns não cheguem ao conhecimento da imprensa por serem de menor gravidade.
Mesmo utilizando o retorno diariamente para chegar em casa, Virgilino considera o trecho extremamente perigoso. Para ele, o local merece a atenção do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Prefeitura de Marabá, com a possibilidade de uma intervenção que reduza os riscos para motoristas e pedestres.
O comerciante Antônio Moreira, dono de um estabelecimento na Rua Pedro Fontenele, também defende mudanças. Para ele, o retorno é necessário para o acesso às empresas instaladas na área, mas a configuração atual oferece perigo aos usuários.
“Esse retorno é nosso, é o acesso para as empresas daqui, mas concordamos que está perigoso. Talvez fosse melhor transferi-lo alguns metros para a frente”, afirmou.
Embora esteja localizado em uma área urbana, o trecho da rodovia é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Em geral, intervenções desse tipo, que têm impacto direto no cotidiano da cidade, são articuladas pela Prefeitura de Marabá, que pode solicitar autorização para executar mudanças ou cobrar do órgão federal a adoção de providências.
Como o titular do escritório local do DNIT não concede entrevistas, o CORREIO solicitou por e-mail à sede da autarquia informações sobre a possibilidade de intervenção e eventuais mudanças no trecho. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta.
