Israel bombardeia a Faixa de Gaza. O Hezbollah ataca o norte de Israel; os Houthis atacam o sul do país, ambos respaldados pelo Irã.
O Irã ataca grupo apoiado por Israel no Paquistão, um dia depois de lançar mísseis balísticos contra a Síria e o Iraque alvejando bases da inteligência israelense.
O Oriente Médio, região que abriga países do leste do Mediterrâneo até o Golfo Pérsico, vive uma teia de conflitos interligados entre si e em escalada sem precedentes na história moderna da região.
Há semanas, os Estados Unidos expressavam o temor de que o conflito “original”, entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, se espalhasse pela região, o que pode causar um emaranhado de conflitos paralelos envolvendo potências regionais, como o Irã.
Nesta semana, a escalada de ataques mostrou que isso já pode estar acontecendo, com a particularidade de que todos estão interligados. Entenda abaixo como:
- A invasão do Hamas ao sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, quando o grupo terrorista sequestrou centenas de pessoas e matou 1.404, é a origem da nova onda de conflitos na região.
- O governo israelense, como esperado, respondeu com intensos bombardeios à Faixa de Gaza, que já mataram cerca de 24 mil pessoas até esta quarta-feira (17), segundo o governo local, controlado pelo Hamas.
- As primeiras manifestações de fora vieram do Hezbollah, grupo rebelde do Líbano financiado pelo Irã e que foi criado com o objetivo de destruir o Estado israelense. Desde outubro, o Hezbollah vem fazendo ataques no norte de Israel, com o intuito de defender o Hamas e tenta desestabilizar as tropas israelenses, concentradas na Faixa de Gaza, no sul.
- Semanas após o início da guerra, o Exército israelense começou a interceptar mísseis lançados pelos Houthis, grupo rebelde do Iêmen e financiado pelo Irã.
- Aos poucos, os Houthis foram ganhando mais protagonismo no conflito. Rebeldes do grupo vêm atacando navios cargueiros do Ocidente que passam pelo Mar Vermelho, o único ponto de entrada e saída por mar de Israel além do Mar Mediterrâneo. Já foram mais de 20 ataques a navios de diferentes países.
- Em retaliação às ações dos Houthis, EUA e Reino Unido entraram oficialmente no conflito em 12 de janeiro, bombardeando mais de 60 alvos do grupo rebelde no Iêmen, inclusive na capital do país, Sanaa.
- Em retaliação, os Houthis dispararam um míssil de cruzeiro antinavio contra um destróier da Marinha dos EUA no fim de semana, mas o artefato foi interceptado, e voltaram a atacar navios.
- Nesta quarta-feira (17), os EUA mudaram a classificação dos Houthis, agora considerados grupo terrorista pelo país.
- Em paralelo, Israel começou a contra-atacar para além da Faixa de Gaza e diz ter matado membros do alto escalão do Hezbollah e do Hamas no Líbano. Um desses ataques ocorreu na capital do Libano, Beirute. O governo libanês, que até então não havia entrado no conflito, culpou Israel e prometeu retaliação.
- O Irã já participava dessa teia de conflitos indiretamente, através do financiamento ao Hezbollah, ao Hamas e aos Houthis. Mas, depois das ações dos EUA e do Reino Unido, Teerã quis dar uma demonstração de força e fez três ataques.
- Na segunda-feira (15), lançou mísseis contra alvos na Síria e no Iraque, alegando estar destruindo bases do Mossad, o serviço de inteligência de Israel. E, na terça-feira (16), bombardeou no vizinho Paquistão – cujo governo é apoiado pelos EUA – bases do grupo rebelde Jaish al Adl. Teerã alega que esse grupo é financiado por Israel.
Guerra terceirizada
Para o professor de Relações Internacionais da ESPM Leonardo Trevisan, a escalada ocorre em parte porque o Irã está fazendo uma “guerra por procuração” através do apoio aos grupos rebeldes. E os ataques feitos por Teerã são uma tentativa de o país, xiita, tentar se impor na região diante de outra potência, a Arábia Saudita, cujo governo é sunita e mais próximo dos Estados Unidos.
“Essa guerra ganha importância enorme não só pela briga com palestinos, mas pelo contexto de onde ela está”, disse em entrevista à GloboNews.
Agrava o cenário o fato de que potências de fora podem participar de forma mais ativa nos conflitos.
Os Estados Unidos, que vinham tentando se descolar do conflito e inclusive já pediram ao governo israelense que contenha os ataques à Faixa de Gaza, vêm demonstrando agora mais disposição em participar dele.
“Não estamos à procura de uma guerra. Não estamos à procura de expandir isto. Os Houthis têm uma escolha a fazer”, disse, na terça-feira (16), o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby.
O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse em discurso no Fórum Econômico Mundial, que acontece nesta semana em Davos, na Suíça, que a crescente variedade de ataques significa que os aliados devem “estar vigilantes com a possibilidade de que, de fato, estamos num caminho de escalada que temos de gerir”.
(Fonte:G1)

