Correio de Carajás

Cinco dias depois, Integrantes do MST desocupam sede da Fazendinha

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Tina Santos

 

Após cinco dias ocupando a sede da Fazenda Fazendinha, em Curionópolis, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desocuparam o local e voltaram para o acampamento montado em uma área da propriedade desde 2010.

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Eles deixaram o local após uma reunião na localidade com o ouvidor agrário da Superintendência do Incra em Marabá, Wellington Bezerra da Silva, que mediou as negociações entre o movimento e os fazendeiros da região, que se uniram em apoio aos proprietários da Fazendinha.

Na próxima terça-feira (27), acontece mais uma reunião em Marabá entre os representantes da fazenda e o Incra para tentar avançar nas negociações entre as partes, uma vez que existe um mandado de reintegração de posse da área em favor da União. A sede da fazenda estava ocupada desde a última segunda-feira (19) e o clima no local era tenso.

Os produtores rurais, indignados com a ocupação da propriedade. se uniram em apoio à família do fazendeiro Sidnei Rubens Oliveira Barreto, conhecido como Dow, que ocupa a área desde 1995. Os produtores rurais montaram acampamento na entrada da propriedade, segundo eles, para impedir que houvesse roubo dos animais da fazenda e também que os sem terra ocupassem completamente a fazenda, de 75 alqueires, localizada às margens do PA-275.

Durante esse tempo, várias foram as tentativas de negociação para que o movimento saísse da sede, onde teriam causados diversos danos, como destruição de casas, queima de pastos e abate de animais. Sem uma ação efetiva do Estado e União, os fazendeiros chegaram a bloquear na quarta-feira, por quase cinco horas, a rodovia PA-275, que já havia sido bloqueada na segunda-feira pelos sem terra, quando ocuparam a fazenda.

Na quinta-feira (22), representantes do Incra, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, MST e dos donos da fazenda se reuniram durante todo dia, em Curionópolis, para discutir uma saída para o assunto. Foi assinado um termo entre as partes, onde havia o comprometimento de não fechar mais a rodovia e evitar conflito no local.

Mas, os sem terra não saíram da fazenda e a classe produtiva, com o apoio do Sindicato dos Produtores Rurais de Parauapebas (Siproduz), decidiu que ia fechar a rodovia logo nas primeiras horas da manhã de ontem, sexta-feira (23). Mas a garantia que o ouvidor do Incra iria para a área tentar uma negociação para saída dos posseiros da sede do imóvel, fez os fazendeiros esperar e não fechar a rodovia.

Por volta de 11 horas, o ouvidor chegou ao local. Lá, ouviu dos produtores rurais que, se os sem terra permanecessem na sede da fazenda, eles iriam entrar e retirá-los de lá.

Após mais de uma hora de conversa com os sem terra, eles concordaram em deixar o local e desmontaram o acampamento, voltando para a área onde estão desde 2010.

Logo após a saída, a equipe do Centro de Perícias Renato Chaves entrou na fazenda para fazer perícia no local. A Imprensa não foi autorizada a acompanhá-los para fazer imagens.

Antes da chegada do ouvidor, o fazendeiro Sidnei Barreto não escondia a revolta com a situação. Ele estava disposto a entrar na propriedade, junto com os amigos, para retirar seus bens de lá, incluído mais de 300 cabeças de gado. Segundo o fazendeiro, alguns membros do MST do acampamento “Frei Henri Burin des Roziers”, alegaram que eles não tinham nada a ver com a ocupação da sede da fazenda, que seria de responsabilidade de um grupo que veio de outros acampamentos da região e que eles foram ‘obrigados’ a dar apoio.

O fazendeiro frisou que o Incra informou que existe um projeto para a área de implantação ali do projeto Casulo. A criação dos chamados Projetos de Assentamento Casulo (PCAs) é viabilizada pelo Incra a partir de parceria com o poder público municipal, mediante acordo de cooperação técnica.

Cabe às prefeituras acompanhar os assentamentos, estimulando atividades economicamente viáveis e ecologicamente sustentáveis. O Incra, por sua vez, cadastra as famílias, fazendo com que tenham acesso aos benefícios do Programa Nacional de Reforma Agrária.

Segundo o ouvidor agrário Wellington Bezerra, enquanto as questões legais não se definem, a área vai ficar em poder do fazendeiro. Ele observa que o papel da Ouvidoria, nessas situações, é apenas intermediar entre as partes para evitar possíveis confrontos e tragédias anunciadas.

Ele deixou claro que a Ouvidoria não tem como impedir que os posseiros voltem a ocupar a sede da fazenda. “Nós não somos polícia. Fazemos apenas a mediação dos conflitos. Essa outra parte cabe à justiça e à polícia”, frisou.

O presidente do Siproduz, João Barreto, espera que a polícia possa identificar e prender as pessoas que depredaram a sede da fazenda. Ele destaca que a classe produtiva não é contra os sem terra, mas condena esse tipo de ação, como a que aconteceu na Fazendinha.

“Ali não tem trabalhador rural. Aquilo é uma milícia e a polícia precisa identificar e prendê-los. Eles são criminosos e não sem terra”, diz João. 

Tina Santos

 

Após cinco dias ocupando a sede da Fazenda Fazendinha, em Curionópolis, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desocuparam o local e voltaram para o acampamento montado em uma área da propriedade desde 2010.

Eles deixaram o local após uma reunião na localidade com o ouvidor agrário da Superintendência do Incra em Marabá, Wellington Bezerra da Silva, que mediou as negociações entre o movimento e os fazendeiros da região, que se uniram em apoio aos proprietários da Fazendinha.

Na próxima terça-feira (27), acontece mais uma reunião em Marabá entre os representantes da fazenda e o Incra para tentar avançar nas negociações entre as partes, uma vez que existe um mandado de reintegração de posse da área em favor da União. A sede da fazenda estava ocupada desde a última segunda-feira (19) e o clima no local era tenso.

Os produtores rurais, indignados com a ocupação da propriedade. se uniram em apoio à família do fazendeiro Sidnei Rubens Oliveira Barreto, conhecido como Dow, que ocupa a área desde 1995. Os produtores rurais montaram acampamento na entrada da propriedade, segundo eles, para impedir que houvesse roubo dos animais da fazenda e também que os sem terra ocupassem completamente a fazenda, de 75 alqueires, localizada às margens do PA-275.

Durante esse tempo, várias foram as tentativas de negociação para que o movimento saísse da sede, onde teriam causados diversos danos, como destruição de casas, queima de pastos e abate de animais. Sem uma ação efetiva do Estado e União, os fazendeiros chegaram a bloquear na quarta-feira, por quase cinco horas, a rodovia PA-275, que já havia sido bloqueada na segunda-feira pelos sem terra, quando ocuparam a fazenda.

Na quinta-feira (22), representantes do Incra, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, MST e dos donos da fazenda se reuniram durante todo dia, em Curionópolis, para discutir uma saída para o assunto. Foi assinado um termo entre as partes, onde havia o comprometimento de não fechar mais a rodovia e evitar conflito no local.

Mas, os sem terra não saíram da fazenda e a classe produtiva, com o apoio do Sindicato dos Produtores Rurais de Parauapebas (Siproduz), decidiu que ia fechar a rodovia logo nas primeiras horas da manhã de ontem, sexta-feira (23). Mas a garantia que o ouvidor do Incra iria para a área tentar uma negociação para saída dos posseiros da sede do imóvel, fez os fazendeiros esperar e não fechar a rodovia.

Por volta de 11 horas, o ouvidor chegou ao local. Lá, ouviu dos produtores rurais que, se os sem terra permanecessem na sede da fazenda, eles iriam entrar e retirá-los de lá.

Após mais de uma hora de conversa com os sem terra, eles concordaram em deixar o local e desmontaram o acampamento, voltando para a área onde estão desde 2010.

Logo após a saída, a equipe do Centro de Perícias Renato Chaves entrou na fazenda para fazer perícia no local. A Imprensa não foi autorizada a acompanhá-los para fazer imagens.

Antes da chegada do ouvidor, o fazendeiro Sidnei Barreto não escondia a revolta com a situação. Ele estava disposto a entrar na propriedade, junto com os amigos, para retirar seus bens de lá, incluído mais de 300 cabeças de gado. Segundo o fazendeiro, alguns membros do MST do acampamento “Frei Henri Burin des Roziers”, alegaram que eles não tinham nada a ver com a ocupação da sede da fazenda, que seria de responsabilidade de um grupo que veio de outros acampamentos da região e que eles foram ‘obrigados’ a dar apoio.

O fazendeiro frisou que o Incra informou que existe um projeto para a área de implantação ali do projeto Casulo. A criação dos chamados Projetos de Assentamento Casulo (PCAs) é viabilizada pelo Incra a partir de parceria com o poder público municipal, mediante acordo de cooperação técnica.

Cabe às prefeituras acompanhar os assentamentos, estimulando atividades economicamente viáveis e ecologicamente sustentáveis. O Incra, por sua vez, cadastra as famílias, fazendo com que tenham acesso aos benefícios do Programa Nacional de Reforma Agrária.

Segundo o ouvidor agrário Wellington Bezerra, enquanto as questões legais não se definem, a área vai ficar em poder do fazendeiro. Ele observa que o papel da Ouvidoria, nessas situações, é apenas intermediar entre as partes para evitar possíveis confrontos e tragédias anunciadas.

Ele deixou claro que a Ouvidoria não tem como impedir que os posseiros voltem a ocupar a sede da fazenda. “Nós não somos polícia. Fazemos apenas a mediação dos conflitos. Essa outra parte cabe à justiça e à polícia”, frisou.

O presidente do Siproduz, João Barreto, espera que a polícia possa identificar e prender as pessoas que depredaram a sede da fazenda. Ele destaca que a classe produtiva não é contra os sem terra, mas condena esse tipo de ação, como a que aconteceu na Fazendinha.

“Ali não tem trabalhador rural. Aquilo é uma milícia e a polícia precisa identificar e prendê-los. Eles são criminosos e não sem terra”, diz João. 

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