Correio de Carajás

Cemitério de cavalos é denunciado na Palmares II

ABATE CLANDESTINO?

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Partes de carcaças de cavalos encontradas em um matagal na Palmares II levantam a suspeita de que os animais estejam sendo abatidos e vendidos como carne bovina na região. Em vídeo que circulou pelas redes sociais nesta semana, um morador mostra restos de ossos e couro em uma área aberta em meio ao mato. “Tem um matador de cavalo”, diz, acrescentando que, aparentemente, apenas os quartos traseiros são removidos do local.

Na gravação, o responsável pelas imagens diz ter chegado ao local após o sogro ter encontrado patas de cavalo. “Nós tamo comendo cavalo, há muito tempo que a população de Palmares II come cavalo”, afirma, reclamando em seguida que “ninguém toma providências” sobre o caso. “Ninguém sabe o que é que a gente tá comendo”.

O Correio de Carajás não localizou o responsável pelo vídeo, mas esteve na região na tarde desta segunda-feira (3) e conversou com algumas pessoas. Conforme os moradores, a suspeita de abate irregular de equinos na região não é novidade e alguns asseguram que as imagens não são recentes.

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Um deles é o açougueiro Paulo Antônio Pereira, que atua no ramo há 37 anos, e diz ouvir a mesma história há pelo menos três meses. “É um boato antigo e esse vídeo é antigo. O boato é grande, mas ninguém nunca denunciou a venda diretamente aqui na Vila”, diz, acrescentando acreditar que os cavalos possam ter sido abatidos pelo consumo, mas que a carne foi comercializada fora da sede.

Paulo Antônio: “O que pode acontecer é o cara matar aqui e vender em Parauapebas ou cidades vizinhas”

“Aqui a gente não teve denúncia de nenhum cliente que comprou carne. Pode ver pela mercadoria que a gente trabalha que é impossível acontecer isso aqui, mas o que pode acontecer é o cara matar aqui e vender em Parauapebas ou outras cidades vizinhas”, diz.

Gladson Barbosa de Souza, presidente da Associação dos Criadores de Pequenos Animais da Palmares e Região de Carajás, também afirmou existirem muitos comentários apontando existir abatedouro clandestino de animais na Palmares II e acha que isso afeta a credibilidade dos comércios locais, que são colocados sob suspeita. “Se alguém está fazendo isso é porque deve ter alguém consumindo, isso é muito ruim pra imagem da categoria”, defende.

Gladson: “Se alguém está fazendo isso é porque deve ter alguém consumindo”

Ele acrescenta, ainda, que a suposta existência do abatedouro clandestino deve ser investigada pelos órgãos reguladores. “Quando vejo falar que os vídeos estão rodando é porque tem algumas informações que devem estar batendo. O vídeo é muito sincero porque é uma filmagem, você vai lá e comprova que, realmente, alguma coisa ali existe”.

Lázara Cesária dos Santos é empresária há 26 anos e atua no ramo de alimentação. Ela diz ouvir as histórias relacionadas ao abate de cavalos há pelo menos seis meses e concorda com Gladson. “Que as autoridades tenham conhecimento disso porque é responsabilidade delas fazer essa fiscalização de perto”, observa, acrescentando adquirir a mercadoria utilizada em sua cozinha apenas de distribuidora regulamentada. “Já tem uns seis meses ou mais que a gente ouve sobre isso. O vídeo tem essa faixa mais ou menos. Deu uma esfriada e agora tá quente de novo”, observa.

Lázara dos Santos: “Que as autoridades tenham conhecimento disso”

Uma guarnição da Polícia Militar da região foi abordada pelo Correio de Carajás questionando eles tinham tomado conhecimento das denúncias. Os policiais preferiram não gravar entrevista, mas informaram que o nome de um suspeito já foi repassado para a equipe, que está atenta à situação. Acrescentaram, ainda, que os açougueiros do bairro não estão adquirindo mercadoria deste homem denunciado. Nenhum nome foi divulgado.

Por fim, a Reportagem também entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Parauapebas, questionando se a administração recebeu denúncias, se tem conhecimento do vídeo em questão e se planeja ações naquela região.

Conforme nota de esclarecimento encaminhada à Redação, a Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror) é a responsável pela inspeção de abatedouros no município e uma equipe do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) fará diligência nesta quinta-feira (5), para levantar informações e verificar a procedência da denúncia.

“O serviço de inspeção é realizado diariamente em todos os abatedouros do município, assim como todas as denúncias recebidas são sempre averiguadas por um corpo técnico. Nos casos comprovados a equipe aciona a Polícia Civil para dar prosseguimento no processo de investigação e responsabilização criminal”, diz o posicionamento.

O consumo de carne equina não é proibido no Brasil, mas é crime vendê-la mediante fraude, comercializando-a como carne bovina, por exemplo, e o abate clandestino de animais para consumo. (Luciana Marschall – com informações de Ronaldo Modesto)

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