Barqueiro Arão diz que salvar pessoas que se afogam no Rio Tocantins já faz parte de sua rotina/ Fotos: Ulisses Pompeu
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No anonimato, sem alarde, o barqueiro Arão Lopes dos Santos, de 57 anos de idade, já salvou muitas vidas que se afogariam nas águas do Rio Tocantins, onde ele passa o dia e a noite – embora tenha uma casa com esposa e filhos. Mas seus feitos heroicos só estão sendo revelados agora, cerca de 20 dias depois de ter ajudado policiais militares a resgatarem uma mulher que se jogou da ponte sobre o Rio Tocantins.

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Arão foi condecorado em cerimônia simples durante a sessão ordinária desta quarta-feira, 7, na Câmara Municipal de Marabá, pelo vereador Ilker Moraes. Ele recebeu Moção de Aplauso e, logo após deixar o Plenário da Câmara, ele concedeu entrevista ao Portal CORREIO DE CARAJÁS, na qual outras ocasiões em que se viu obrigado a salvar vidas, já que mora dentro de um barco ancorado em frente à Rampa da Folha 8, a menos de 1 km da ponte de 2.310 metros de extensão.

A maior parte do crédito no salvamento da mulher ficou na conta da polícia, porém, foi graças à rabeta de Arão e o conhecimento que ele tem do rio que os agentes puderam chegar até o local onde a mulher havia se jogado. “Eu estava no meu barco quando escutei os gritos do rapaz da viatura me pedindo para fazer um resgate, mas eu expliquei que o barco estava com problemas, então fomos na rabeta, relata.

Barco de Arão, o maior nesta foto, fica ancorado perto da ponte sobre o Rio Tocantins

Na rabeta, Arão e os policiais se dirigiram até o local onde a mulher havia se jogado e foram se guiando para localizá-la através das pessoas que estavam em cima da ponte e iam sinalizando com as mãos o rumo em que ela descia. “Nós chegamos no pedral e ela não estava. Fui descendo mais um pouco e a vi e avisei ‘olha, a mulher vai indo ali’. Então, nós descemos até e percebemos que realmente era ela. quando ela foi colocada no barco, avisei que estava consciente, e então a levamos pra rampa, onde os bombeiros já a esperavam, e assumiram a partir dali”, explicou.

O pescador revelou que adquiriu habilidade para resolver casos de afogamentos como esse quando participou de cursos promovidos pela Marinha para pescadores e barqueiros, que são capacitados para agir diante de afogamentos e técnicas de salvamento. “Tenho a carteira da Marinha, a de pescador profissional, os certificados de cursos de salvamentos, e essa (mulher) não é a primeira que eu salvei não. Já salvei muitas crianças que se afogam na rampa (Folha 8) e adultos também”, destaca.

Pai de quatro filhos, Arão diz ficar revoltado quando vê a irresponsabilidade de pais e mães que não protegem seus filhos contra possíveis afogamentos como os que ele já presenciou muitas vezes. Conta que já flagrou muitos pais atravessando o Rio Tocantins rumo à Praia do Tucunaré sem equipar seus filhos com coletes salva-vidas. “Não custa nada comprar um colete para o seu filho, dinheiro para caixinha de cerveja eles têm, mas para um colete não?” questiona o experiente pescador.

Ainda em tom de críticas, ele deixa uma recomendação para os pais de crianças pequenas, que sempre exijam dos barqueiros colete salva-vidas ao atravessar o rio ou até mesmo em uma piscina. “Qualquer uma, se não sabe nadar, tem de usar o colete, porque mesmo que venha a se afogar, pelo menos dá para avistar”, avalia o barqueiro.

Por morar no seu próprio barco, Arão afirma que já viu muitas coisas acontecerem incomuns acontecerem às proximidades da ponte sobre o Rio Tocantins, além das situações que ele presencia enquanto está trabalhando na Orla de Marabá, com a travessia de veranistas. Um dos acidentes que ele presenciou e quase entrou em ação para socorrer, ocorreu na mesma ponte, onde um carro colidiu com uma moto, arremessando o motoqueiro para fora da ponte. “Eu estava preparado para ir salvá-lo, mas o irmão dele (da vítima) já tinha ido resgatá-lo, então eu fiquei na minha, mas esse era mais um que eu ia salvar”, finaliza Arão. (Zeus Bandeira)

 

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