Correio de Carajás

Após explosão em Beirute, primeiro-ministro do Líbano renuncia ao cargo

Silo ficou destruído após explosão na zona portuária de Beirute — Foto: STR/AFP
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, renunciou nesta segunda-feira (10). Ministros de seu governo estavam abandonando seus postos em consequência da megaexplosão no porto de Beirute, na semana passada, e em meio a uma onda de protestos que começou no fim de semana.

Pouco antes do anúncio, ele afirmou que a explosão foi resultado de corrupção endêmica no governo. Em um discurso curto transmitido pela TV, ele afirmou que vai dar “um passo para trás para poder estar com o povo e lutar por mudanças junto com as pessoas”.

Eu declaro hoje a renúncia deste governo. Que Deus proteja o Líbano“. – Hassan Diab

Leia mais:

O presidente do país, Michel Aoun, aceitou o pedido de demissão do premiê libanês mas anunciou, em um pronunciamento televisionado, ter pedido a Diab que seguisse trabalhando de maneira interina até a formação de um novo governo.

A renúncia foi anunciada em mais um dia de protestos no Líbano, enquanto manifestantes que faziam ato no centro revitalizado de Beirute atiravam pedras em agentes de segurança que tentavam proteger a entrada do Parlamento. As forças do estado respondiam ao protesto com gás lacrimogêneo.

No fim de semana, moradores da capital do país começaram a protestar contra o governo. Diab enfrentou pressão crescente para deixar o cargo. Ele havia dito, no sábado, que solicitaria eleições parlamentares antecipadas.

Hassan Diab no palácio de governo do Líbano, em 10 de agosto de 2020 — Foto: Mohamed Azakir/Reuters
Hassan Diab no palácio de governo do Líbano, em 10 de agosto de 2020 — Foto: Mohamed Azakir/Reuters

Megaexplosão no porto de Beirute

A explosão de mais de quase 3 mil toneladas de nitrato de amônio, em 4 de agosto, matou pelo menos 163 pessoas, feriu mais de 6 mil e destruiu partes da movimentada capital mediterrânea, combinando meses de colapso político e econômico.

O gabinete, formado em janeiro com o apoio do poderoso grupo Hezbollah apoiado pelo Irã e seus aliados, se reuniu na segunda-feira, com muitos ministros querendo renunciar, de acordo com fontes ministeriais e políticas.

Os ministros da Informação e Meio Ambiente renunciaram no domingo (9). A mesma decisão foi tomada pela ministra da Justiça e vários legisladores do país, que se demitiram nesta segunda-feira.

O ministro das Finanças Ghazi Wazni, um negociador chave com o FMI sobre um plano de resgate para ajudar o Líbano a sair de uma crise financeira, preparou sua carta de renúncia e a trouxe para uma reunião de gabinete, disse uma fonte próxima a ele e à mídia local.

O gabinete decidiu encaminhar a investigação da explosão ao conselho judicial, a mais alta autoridade legal cujas decisões não podem ser apeladas, disse uma fonte ministerial e a agência de notícias estatal NNA. O conselho geralmente trata dos casos de segurança máxima.

Mapa identifica a região portuária de Beirute, onde aconteceu uma grande explosão nesta terça-feira (4) — Foto: G1
Passo a passo mostra os detalhes da explosão em Beirute, no Líbano, que ocorreu na terça-feira (4) — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1

Responsabilidade

O presidente do Líbano havia dito que o material explosivo foi armazenado sem segurança durante anos no porto. Depois, afirmou que a investigação consideraria se a causa foi alguma interferência externa, negligência ou um acidente.

O governador de Beirute afirmou que muitos trabalhadores e motoristas de caminhões estrangeiros permaneciam desaparecidos e se presume que estejam entre os mortos, complicando as tentativas de identificar as vítimas.

As manifestações contra o governo nos últimos dias foram as maiores desde outubro, quando houve protestos contra a crise econômica enraizada em corrupção endêmica, desperdícios e má gestão. Manifestantes acusaram a elite política de usar os recursos do Estado em benefício próprio.

O secretário-geral da ONU, escreveu uma mensagem de apoio ao Líbano em uma rede social. “O Líbano é resiliente. O Líbano tem um espírito e uma vontade imensos. E o Líbano não está sozinho. A ONU estará com o Líbano para ajudar a aliviar o sofrimento imediato e apoiar a recuperação.”

Passo a passo mostra os detalhes da explosão em Beirute, no Líbano, que ocorreu na terça-feira (4) — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Passo a passo mostra os detalhes da explosão em Beirute, no Líbano, que ocorreu na terça-feira (4) — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1

(Fonte:G1)

Mais

Ministros reiteram relevância da ciência para combate à pandemia

Ministros reiteram relevância da ciência para combate à pandemia

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse hoje (10) não haver outro caminho, se não a ciência, para lidar com…
Estados e municípios poderão utilizar saldos de fundos de saúde

Estados e municípios poderão utilizar saldos de fundos de saúde

O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei complementar que estende até o fim de 2021 a autorização concedida a estados,…
Senadores avaliam semana da CPI da Pandemia como positiva

Senadores avaliam semana da CPI da Pandemia como positiva

Os senadores avaliaram de forma positiva a primeira semana de oitivas da CPI da Pandemia. Foram ouvidos os ex-ministros da…
Brasil precisa fortalecer produção de insumos, diz Queiroga

Brasil precisa fortalecer produção de insumos, diz Queiroga

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quinta-feira (6) em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia…
Queiroga diz que enfrentamento à pandemia requer união de forças

Queiroga diz que enfrentamento à pandemia requer união de forças

Em depoimento nesta quinta-feira (6) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado, o ministro da Saúde, Marcelo…
Teich diz que deixou cargo por falta de autonomia e por não aceitar cloroquina

Teich diz que deixou cargo por falta de autonomia e por não aceitar cloroquina

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich disse nesta quarta-feira (5) em depoimento à CPI da Pandemia que deixou o governo…