Correio de Carajás

Alergia Alimentar II

Coluna Dr. Nagilson

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Nagilson Amoury

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Quando o sistema imunológico reage de forma anormal a algo que você comeu ou bebeu, provavelmente você está tendo um tipo de alergia alimentar. Dentre esses alimentos, os principais responsáveis por cerca de 90% dos casos de alergias alimentares são: leite de vaca, ovos, amendoim, peixes, mariscos, nozes, castanhas, trigo, e glúten.

       Segundo a Food and Allergy Research and Education, é estimado que cerca de 15 milhões de americanos tenham alergias alimentares. Em sua maioria, o problema atinge crianças, que são 1 em 13 pessoas afetadas. No mundo, esse número é ainda maior de pessoas que em algum momento tem algum tipo de alergia alimentar. Não há dados estatísticos sobre esse número no Brasil.

       Na avaliação diagnóstica das reações adversas a alimentos, a história clínica tem papel fundamental. Uma alergia alimentar pode afetar diversos órgãos como a pele, o trato gastrointestinal, o sistema respiratório e até o sistema cardiovascular. Dependendo do indivíduo, ele pode ser alérgico a praticamente qualquer coisa. Porém, existem certos tipos de alimentos, inicialmente citados, mais prováveis de causar uma reação alérgica do que outros.

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       O sistema imunológico de cada pessoa é diferente. Os sintomas de alergia alimentar geralmente variam de pessoa para pessoa e podem ser leves ou graves. Eles podem surgir de repente assim que a pessoa ingere o alimento ou se manifestar apenas horas depois. Desta forma, uma pessoa pode reagir a uma pequena quantidade da substância ou ter uma certa tolerância ao produto.

       Se o sistema imunológico do indivíduo for sensível, uma pequena quantidade do alimento pode causar reações alérgicas perigosas, principalmente se afetarem a respiração. Do mesmo modo, como a maioria das alergias alimentares afetam a respiração, pessoas com asma ou outras doenças respiratórias correm maior risco de vida ao sofrer uma reação alérgica.

      Uma coisa que se observa na prática clínica das alergias alimentares, são exemplos de alérgenos com similaridade de sequências proteicas e consequente risco de reações cruzadas. Por exemplo, existe o risco de reação cruzada do Amendoim com ervilha, lentilha, feijão; de Nozes com castanha-do-pará, avelã; de Salmão com peixe-espada, linguado; de Camarão com caranguejo, lagosta; de Trigo com centeio e cevada; de Leite de vaca com carne (bovina) e leite de cabra; de Pólen com maçã, pêssego, melão; e de Látex com kiwi, banana, abacate.

      O quadro clinico é amplo e individualmente variável, compreendendo sintomas que incluem os tratos cutâneo, respiratório, gastrintestinal e por vezes, estendendo-se a reações sistêmicas graves como o choque anafilático. Vários fatores respondem pelas características das reações clinicas, entre eles os relacionados ao hospedeiro e peculiaridades das proteínas alergênicas.

      As manifestações clinicas das alergias alimentares podem ser de três tipos: mediadas por imunoglobulina E (IgE), mediadas por células e mistas. As mediadas por IgE podem atingir o trato gastrointestinal com prurido labial e de orofaringe, anafilaxia

gastrointestinal; a pele com urticária e angioedema, trato respiratório com rinite aguda, conjuntivite aguda e broncoespasmo; e o organismo de forma sistêmica com choque anafilático.

      As mediadas por células podem atingir o trato gastrointestinal com enterocolites e proctocolites induzidas por proteínas, FPIES; cutâneas com dermatite herpetiforme e dermatite de contato; respiratórias com hemossiderose induzida por alimentos. As de mediação mista podem atingir o trato gastrointestinal com esofagite eosinofílica; cutâneas com dermatite atópica. O tema prossegue na próxima edição de terça-feira.

* O autor é especialista em cirurgia geral e saúde digestiva.

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