A malsucedida cavadinha do atleta Ícaro, que custou a eliminação do Águia de Marabá na Copinha 2026, é ato que merece um puxão de orelha da comissão técnica. O jogador deve ser conscientizado de que futebol profissional – ainda mais no interior – não é terreno para aventuras como esta (ponto). Mas, por outro lado, o que se viu a seguir no “Tribunal da Internet” foi um verdadeiro linchamento do rapaz, calcado num discurso de pura aparofobia, com pitadas de inveja.
Grande parte das críticas era externalizada por frases como “Não serve nem pra trabalhar no Atacadão”; ou “Vai ser empacotador do Mateus”; ou “Vai trabalhar de caixa no Líder”.
Torcedor é torcedor e tem todo direito de se manifestar, até mesmo de xingar, quando a emoção dominar sua razão. Mas há, pelo menos, dois problemas nesse tipo de crítica.
Leia mais:O primeiro está óbvio, que é a subalternização de uma profissão. Ser empacotador ou caixa de supermercado não é demérito algum. Pelo contrário, é uma atividade digna, porque são profissionais que trabalham muito e, via de regra, não recebem um salário compatível com a importância da função que desempenham.
O segundo problema é que, quando as pessoas dizem que um jovem não conseguirá se tornar jogador profissional, já estão decretando o fim da carreira de alguém que está apenas começando.
Ícaro só tem 17 anos. Talvez ele se torne um grande jogador, ou um jogador mediano, ou talvez não vire um atleta profissional. Ninguém sabe. Mas, por enquanto, não encerrem a carreira do rapaz!
Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS.
