A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), por meio do Programa de Extensão “Escola das Águas: educação popular para tecer cadeias de bioeconomia da pesca artesanal no rio Tocantins, Marabá-PA” (EDA), concluiu com sucesso duas edições do Curso de Aperfeiçoamento em Boas Práticas de Manejo do Pescado e Defesa do Território. A ação é realizada em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e tem como foco o fortalecimento das comunidades ribeirinhas do interior paraense.
Em 2026, as formações beneficiaram diretamente 28 famílias. A primeira etapa, realizada em Marabá entre março e maio, capacitou 16 famílias. Já a segunda edição, promovida de agosto a outubro na Área de Proteção Ambiental (APA) Araguaia, no município de São Geraldo do Araguaia, formou outras 12 famílias.
Formação integral para toda a família
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Planejada de forma participativa e inclusiva, a metodologia do programa dividiu-se em três eixos principais:
- Escola da Pesca: direcionada a pescadores e manipuladores do pescado, focando na melhoria das práticas de trabalho e agregação de valor;
- Escola das Águas: voltada a jovens interessados em monitoramento e manejo da biodiversidade aquática, com ênfase no manejo comunitário de quelônios;
- Escolinha das Águas: espaço focado nas crianças, unindo educação ambiental, cartografia das brincadeiras e arte-educação.
Ao longo dos encontros, os participantes tiveram acesso a oficinas de educação financeira, precificação, técnicas de embalagem e novas formas de apresentação dos produtos. No campo ambiental, aprenderam técnicas de monitoramento e proteção dos quelônios amazônicos — como o resgate de ninhos de tartarugas-da-amazônia e tracajás — e a montagem de bases de manejo.
A defesa do território e da cultura tradicional também esteve no centro do debate, abordando cartografia social (do território de pesca e do corpo-território), protocolos de consulta e legislações de proteção às comunidades tradicionais.
Inovação na culinária local e defumação de baixo custo
Com orientação do chef Andersom Carvalho, tecnólogo em alimentos parceiro do projeto, os cursistas aprenderam boas práticas de higiene, técnicas de filetagem, retirada de espinhas, aproveitamento integral do peixe e criação de novos produtos. Entre as novidades gastronômicas desenvolvidas estão o hambúrguer de peixe e o “Peijinho de Peixe” (doce produzido com filé de pescada branca).
Nas aulas práticas realizadas na comunidade de Santa Cruz, em São Geraldo do Araguaia, os pescadores aprenderam a construir um defumador artesanal de baixo custo e a aplicar técnicas adequadas para a defumação do pescado.
O êxito da iniciativa contou com o envolvimento de diversos setores da Unifesspa — incluindo o Observatório de Políticas Públicas de Mitigação e Adaptação Climática na Amazônia (PPMAC/IEDAR), a Secretaria de Infraestrutura e as Pró-Reitorias de Pesquisa, Extensão e Ações Afirmativas —, além de prefeituras, órgãos ambientais estaduais (Ideflor-Bio) e associações de moradores e pescadores locais.
A equipe executora reúne professores, técnicos, pesquisadores externos e alunos de diversos cursos de graduação e pós-graduação da Unifesspa (como Biologia, Pedagogia, Artes Visuais, Ciências Sociais, Geografia, Sistemas de Informação e PDTSA), garantindo uma abordagem interdisciplinar.
Com os resultados consolidados em 2026, a organização planeja expandir a atuação em 2027, levando novas edições do curso a outras comunidades distribuídas ao longo dos rios Tocantins e Araguaia. (Fonte: Unifesspa)
