Correio de Carajás

Repórter do Correio participa de Congresso de Jornalismo de Educação, em SP

Educação, cultura e desigualdade entram no debate do 10º Congresso da Jeduca. Temas ajudam a levantar questões sobre a realidade das escolas de Marabá

Luciana e outros 29 jornalistas de todo o Brasil foram selecionados como bolsistas e tiveram todas as despesas pagas para participar do congresso
Por: Luciana Araújo

O Congresso Internacional de Jornalismo de Educação 2026 começou nesta terça-feira (22), em São Paulo. Representando o Correio de Carajás, a repórter Luciana Araújo acompanha uma programação que reúne jornalistas, pesquisadores e especialistas para discutir os principais desafios da educação brasileira e da cobertura jornalística sobre o setor.

No primeiro dia do evento, que marca os 10 anos da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), foram discutidos temas como eleições, orçamento da educação, desigualdades, gênero, saúde mental e novas formas de fazer jornalismo.

Embora os debates ocorram em São Paulo, os temas discutidos também fazem parte da realidade de Marabá. Questões como financiamento da educação, desigualdades entre escolas, saúde mental dos estudantes, acesso à cultura e formação de crianças e adolescentes estão presentes no cotidiano da rede de ensino do município e ajudam a definir a qualidade da educação oferecida à população.

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CRIANÇAS E JORNALISMO

Na abertura do congresso, quatro crianças de escolas públicas de diferentes regiões de São Paulo participaram de um debate sobre o que pensam a respeito da educação e do jornalismo. A conversa foi mediada por Luiza Tenente, do g1 e da Jeduca. Durante o painel, Alicia Belo, Larissa Nascimento, Valentina Nunes e Victor Marques, todos com 10 anos, contaram sobre a rotina escolar e a participação no projeto ‘Imprensa Jovem’, que transforma estudantes em produtores de conteúdo e agentes de cidadania.

A escola de tempo integral também foi tema da conversa. Enquanto Victor, Alicia e Larissa disseram que gostariam de passar mais tempo na escola, Valentina defendeu que é preciso equilíbrio. Para ela, estar na escola é importante, mas conviver com a família e participar de outras atividades também faz parte do aprendizado.

Com muita desenvoltura, as crianças falaram sobre escola e jornalismo durante o painel mais descontraído do dia/Fotos: Luciana Araújo

Em Marabá, a discussão se relaciona à ampliação do tempo que os estudantes passam nas escolas. A educação em tempo integral não significa apenas ficar mais horas na instituição. O modelo também pode incluir atividades culturais, esportivas e de acompanhamento pedagógico. Por isso, o debate envolve tanto o tempo de permanência quanto o que é oferecido aos alunos durante esse período.

A proximidade das eleições de 2026 também esteve entre os principais assuntos da manhã. No painel “Eleições 2026: A educação entre a esquerda e a direita”, Cara Fitzpatrick e Alexandre Schneider discutiram as diferenças e semelhanças na forma como grupos políticos dos Estados Unidos e do Brasil veem a escola pública. A conversa foi mediada por Antônio Gois, colunista de educação de O Globo e conselheiro da Jeduca.

“Por um tempo, o debate era sobre medir a aprendizagem, pressupondo que as escolas privadas eram melhores. Agora, como as pesquisas mostram que as crianças aprendem quase o mesmo nas escolas públicas e privadas, o debate é sobre valores e as escolhas das famílias, como se elas fossem em si boas para as crianças”, refletiu Cara durante o painel.

O orçamento destinado à educação e os desafios de tratar do tema na cobertura política também foram discutidos em outras mesas sobre as eleições de 2026. Participaram Bernardo Mello Franco, Eliane Cantanhêde, Iuri Pitta, Mônica Waldvogel, Dalmo Palmeira e Bruno Bondarovsky. A condução ficou por conta dos jornalistas Renata Cafardo, Paula Ferreira e Paulo Saldaña.

“Que país você quer? Quando você discute isso, está discutindo que educação você quer, para quem ela é e como tem que ser. Ou seja, é um instrumento de igualdade social, de fazer um país melhor e com que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades”, declarou Eliane.

LETRAMENTO DE GÊNERO

À tarde, o congresso discutiu a relação entre gênero e educação. O painel, mediado pela jornalista Vitória Régia da Silva, abordou como a formação dos meninos influencia o ambiente escolar. O tema ganha espaço em um cenário em que discursos misóginos e masculinistas são amplificados e disseminados na internet.

A antropóloga Isabela Venturoza afirmou que as redes sociais permitem que discursos misóginos cheguem a pessoas que, de outras formas, não teriam contato com esse tipo de conteúdo.

“E a força não parte do nada, é uma reação a avanços nos direitos das mulheres”, afirma Isabela.

O jornalista Ismael dos Anjos apresentou estudos recentes coordenados por ele, segundo os quais personalidades do esporte, amigos, influenciadores e líderes religiosos passaram a ocupar um espaço de referência que antes era ocupado principalmente pelos pais. A jornalista Cristina Fibe destacou que o masculinismo, conjunto de correntes e movimentos que se apresentam como defensores dos direitos e interesses dos homens, ganha força em um momento em que as mulheres estão “dando muitos passos à frente. O contra-ataque tenta fazer com que a gente volte ao silêncio, seja revitimizada”.

O tema também pode ser observado nas escolas de Marabá, onde estudantes têm contato diário com conteúdos produzidos nas redes sociais. Entender como esses discursos chegam aos adolescentes é parte dos desafios enfrentados por escolas e famílias na formação dos estudantes e na prevenção de situações de violência e desigualdade.

OUTRAS ATIVIDADES

A estrutura das escolas e sua relação com as desigualdades educacionais também foram tema de uma das atividades. Marcelo Miranda, jornalista do Maranhão, apresentou os bastidores da reportagem “O que a estrutura das escolas revela sobre as desigualdades na educação brasileira?”.

A saúde mental dos jovens foi outro assunto abordado durante o congresso. O painel “Aumento de suicídios na juventude: qual o papel da escola e do jornalismo nessa discussão?” reuniu o psiquiatra Gustavo Estanisnau, a jornalista e ativista Nalu Saad e a jornalista e pesquisadora Suzana Singer. A moderação ficou por conta da repórter Fabiana Cambricoli. O grupo reforçou a importância de o jornalismo abordar o suicídio para além da cobertura de casos.

O primeiro dia de programação também discutiu as mudanças na forma como as pessoas consomem informação. No painel “Novos produtos e formatos: como atrair mais gente para o jornalismo”, participaram Guilherme Amado, Sanara Santos, Sérgio Spagnuolo e Cíntia Gomes.

No fim da tarde, os participantes se dividiram em oficinas. Entre elas estava “Intersetorialidade entre cultura e educação: o que os dados nos dizem e o que podemos construir?”, da qual participou Luciana. Durante a atividade, os participantes foram convidados a pensar em pautas de reportagem a partir de um estudo do Observatório Fundação Itaú sobre os hábitos culturais da população.

Para Luciana, uma possibilidade de reportagem é cruzar os dados do Ideb das escolas de Marabá com as atividades culturais oferecidas por essas instituições. A proposta permitiria investigar se existe relação entre a oferta dessas atividades e aspectos como motivação, desenvolvimento e aprendizagem dos estudantes.

Mesa sobre masculinidade e gênero foi uma das favoritas entre participantes do congresso

NESTA QUARTA-FEIRA

A programação do Congresso Jeduca continua nesta quarta-feira (23), com debates sobre inteligência artificial, educação infantil, imigração, direitos de crianças e adolescentes, impactos do calor nas escolas, produção de vídeos e plataformização da educação.

O segundo dia também terá uma sabatina com o ministro da Educação, Leonardo Barchini. A repórter Luciana Araújo representa o Correio de Carajás na entrevista e foi selecionada para fazer uma pergunta direta ao ministro.