📅 Publicado em 18/09/2026 17h01
Marabá sedia, desde o dia 17, a 21ª edição do Congresso Paraense de Apicultura e Meliponicultura, o Apipará, que reúne produtores, pesquisadores, empresários e representantes de instituições públicas para discutir os avanços, os desafios e as perspectivas da cadeia produtiva do mel no estado. A programação se estende até este sábado (19).
Realizado no auditório da Faculdade Anhanguera, na Nova Marabá, o evento promove debates sobre novas tecnologias e comercialização, além de discutir políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor. Em Marabá, pouco mais de 300 participantes acompanham a programação durante os dias do encontro.
Em entrevista ao Correio de Carajás, o presidente da Federação das Associações de Apicultores do Pará (FAPIC), Oziel Monteiro, destacou que o congresso funciona como um espaço de troca de conhecimentos e atualização para os produtores. “É um evento tecnológico e associativo, em que encontramos todos os anos os apicultores em um município para confraternizar e também compartilhar conhecimentos”, afirmou Oziel.
Leia mais:Segundo o presidente, a federação se prepara ao longo do ano para levar os conhecimentos tecnológicos desenvolvidos no período e repassar as informações às associações e aos apicultores que participam do evento.

Apesar do potencial do Pará, ele afirma que a atividade ainda enfrenta dificuldades relacionadas principalmente às políticas públicas e à profissionalização do setor. “Os desafios são muitos. O Pará é um estado que está na Amazônia e tem um potencial grande, mas as políticas públicas ainda são pequenas. A atividade é secundária e ainda está focada na agricultura familiar. Então, precisamos ampliar a visão sobre a importância da apicultura para o nosso estado”, ressaltou.
Atuando como promotora de Justiça Agrária em Marabá, Alexssandra Mardegan também destacou o crescimento da cadeia produtiva e a importância das abelhas para o meio ambiente. “A cadeia produtiva do mel tem crescido, especialmente porque as pessoas estão descobrindo a importância das abelhas e percebendo que, sem elas, que estão entre os principais insetos polinizadores das produções que consumimos, nós não temos comida”, afirmou.
Para Alexssandra, o fortalecimento da atividade também contribui para a geração de renda e a valorização das comunidades, especialmente por meio da participação feminina na meliponicultura. “Quando as mulheres trabalham nessa atividade, você não garante apenas autonomia, geração de renda e preservação ambiental, mas também valoriza aquele território e aquela comunidade. Isso é fundamental”, enfatizou.

Profissionalização e mercado
Um dos destaques do congresso é a participação de produtores que encontraram na atividade uma oportunidade de transformação econômica. É o caso de Joelma Nunes, que atua há seis anos na apicultura e hoje tem no setor sua principal fonte de renda. Atualmente, ela também é diretora financeira da Federação dos Apicultores do Estado do Pará (FAPIC).
Para ela, o ingresso no setor exige planejamento e investimento, mas oferece oportunidades para quem busca profissionalização. “Não é simplesmente decidir ser apicultor. Precisamos nos organizar para que o negócio dê certo”, avaliou.
Joelma acrescenta que a atividade está presente na agricultura familiar, mas tem grande potencial de crescimento. Atuando no município de Primavera, no nordeste do Pará, ela enfatiza que a cadeia produtiva vai muito além da produção de mel, pois permite o aproveitamento de diferentes floradas e o trabalho com própolis, pólen e até apitoxina, o veneno das abelhas.

Segundo ela, é necessária uma organização coletiva para fortalecer o setor.
Representando a Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura, o presidente Sérgio Farias participou da programação e falou sobre a importância estratégica das abelhas para a biodiversidade, a agricultura e a economia. “Elas aumentam a diversidade das plantas e das flores e contribuem para a produtividade de culturas como soja, café e sorgo”, afirmou.
Para Sérgio, a relação entre as abelhas e a produção de alimentos ainda precisa ser mais bem compreendida pela população. Segundo ele, a abelha é a locomotiva que move esse sistema. “Com as mudanças climáticas e todos os desafios que vivemos, ela continua sendo um dos principais símbolos da biodiversidade. Onde tem abelha, tem vida”, completou.

O presidente defendeu mais investimentos dos setores público e privado para fortalecer a atividade. “Esse segmento carece de recursos. As caixas e os insumos são caros, e os equipamentos de proteção também. Hoje temos cerca de 400 mil apicultores no Brasil, e mais de 90% pertencem à agricultura familiar. Precisamos de um olhar mais carinhoso para a área”, declarou.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o baixo consumo de mel no Brasil. “O consumo médio no Brasil é de apenas 65 gramas por habitante por ano. Em países da Europa e nos Estados Unidos, esse consumo chega perto de um quilo por pessoa. Se aumentássemos esse consumo, fortaleceríamos muito mais toda a cadeia produtiva”.
Expoama aproxima público da produção de mel
Incluída na programação da 38ª Expoama, a atividade permite que marabaenses e visitantes conheçam de perto a produção e experimentem os diferentes sabores dos produtos expostos na feira. É o caso do apicultor Valdir Uchoa, proprietário da Blue Mel e produtor de açaí.
Ao Correio, ele contou que a intenção inicial era utilizar as abelhas para melhorar a polinização dentro da propriedade e, consequentemente, aumentar a produtividade dos frutos. No entanto, encontrou na atividade outras possibilidades.
“Hoje, eu tenho as abelhas com ferrão, que são as Apis. É uma abelha de alta produtividade, de 30 a 50 quilos de mel por colmeia. Também tenho a produção de abelhas sem ferrão, que é muito forte dentro da minha propriedade. Ela produz menos mel, mas oferece benefícios em substâncias, proteínas e nutrição muito superiores aos das Apis”, explicou.

Além do mel, a propriedade trabalha com a produção de pólen, outro produto que, segundo Valdir, possui grande potencial comercial e nutricional. O pólen é considerado um superalimento por ser rico em nutrientes.
Para Valdir, uma das características que contribuem para a expansão da apicultura e da meliponicultura é a possibilidade de criar abelhas em pequenas propriedades rurais, inclusive como atividade complementar à produção agrícola.
Segundo ele, a relação entre as abelhas e a agricultura vai muito além da produção de mel.
“Se não houver abelha, não há fruto, não há semente, não há reflorestamento. Então, o papel dela hoje é fundamental para a preservação da natureza”, concluiu.

