Correio de Carajás

Casa da Cultura reúne atividades de arte, memória e patrimônio na 20ª Primavera dos Museus em Canaã

Programação da 20ª Primavera dos Museus reúne atividades de 21 a 30 de setembro e transforma cerâmica, aquarela, literatura, brincadeiras e memórias em caminhos para aproximar diferentes públicos da arte e do patrimônio cultural

Um pedaço de barro pode guardar uma história. Uma cor pode despertar uma memória. Uma história contada por alguém pode ajudar outra pessoa a reconhecer a sua própria. Durante a 20ª Primavera dos Museus, essas diferentes formas de criar, lembrar e compartilhar estarão espalhadas pela programação da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás.

Entre os dias 21 e 30 de setembro, crianças, jovens, artistas, artesãos, estudantes, famílias e moradores do município serão convidados não apenas a visitar o espaço, mas a participar dele. A programação reúne uma imersão nos saberes da cerâmica marajoara, em diálogo com a arte oleira de Carajás, oficinas de aquarela, atividades lúdicas sobre patrimônio e encontros em torno da literatura e das memórias da comunidade.

A Casa da Cultura de Canaã dos Carajás participa da mobilização nacional promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que chega à 20ª edição propondo uma reflexão sobre a relação entre museus e pessoas. Em Canaã, o tema encontra uma programação construída justamente a partir da aproximação entre o espaço cultural e quem vive no território.

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“A 20ª Primavera dos Museus é um convite para que todas as pessoas se reconheçam nos espaços de arte, cultura e memória. Quando falamos em museus para todos, estamos falando de lugares de encontro, diálogo e acolhimento, onde diferentes histórias, saberes e vivências têm espaço e importância”, destaca a coordenadora do Educativo da Casa da Cultura, Sandra Rosa.

Segundo ela, esse entendimento também amplia a própria ideia de patrimônio. “Na Casa da Cultura, acreditamos que o patrimônio cultural não está apenas nos objetos ou nas exposições, mas também nas memórias compartilhadas, nos afetos, nas tradições e nas experiências de cada pessoa que passa por aqui. Mais do que uma visita à Casa da Cultura, queremos que cada visitante se sinta parte dela.”

Quando o barro conecta territórios

Um dos destaques da programação começa no dia 21 de setembro e aproxima duas regiões do Pará a partir de um dos materiais mais antigos utilizados pela humanidade para criar, registrar e transmitir culturas: o barro.

O projeto “Barro em Confluência: formação, criação e intercâmbio de saberes na Amazônia Paraense” levará ceramistas do Ateliê Arte Mangue Marajó, de Soure, no arquipélago do Marajó, até Canaã dos Carajás para uma imersão de sete dias com artistas, artesãos e jovens do município.

Contemplada pelo Edital Casa Aberta Amazônia Paraense 2026, a iniciativa propõe colocar os saberes ancestrais ligados à cerâmica marajoara em diálogo com a tradição oleira de Carajás e práticas contemporâneas de criação.

Não se trata apenas de aprender a modelar uma peça. O percurso acompanha diferentes etapas do fazer cerâmico, da coleta e preparação do barro à modelagem, passando pela produção e aplicação de pigmentos e pela finalização das peças. Ao longo dos encontros, os participantes serão estimulados a experimentar técnicas e criar peças inspiradas também na identidade cerâmica local.

O resultado desse encontro de saberes, que atravessa diferentes territórios paraenses, será compartilhado com o público em uma mostra no dia 30 de setembro.

Da exposição para as próprias mãos

Se o barro será uma maneira de experimentar o patrimônio pelo tato, as cores serão outro caminho para aproximar o público da arte.

Entre os dias 22 e 24 de setembro, a oficina “Descobrindo as Cores Primárias” parte da exposição Entre Mitos e Memórias: A Arte de Domingos Nunes, em cartaz na Casa da Cultura, para convidar estudantes e grupos a experimentarem a aquarela.

Amarelo, azul e vermelho serão o ponto de partida. A partir das cores primárias e de suas combinações, os participantes poderão criar novas tonalidades e produzir suas próprias imagens, estabelecendo relações entre aquilo que observam nas obras e suas próprias referências, memórias e imaginação.

Para Wendrel Diblack, a experimentação muda a relação dos jovens com aquilo que encontram no espaço expositivo. “Quando eles colocam a mão na tinta e começam a produzir, deixam de ser apenas visitantes e passam a participar ativamente da experiência artística. Isso cria uma relação mais afetiva com a exposição, porque eles começam a interpretar as obras a partir das próprias experiências e da imaginação.”

Ao final, as aquarelas produzidas formarão um varal artístico coletivo. Mais do que apresentar o resultado da oficina, a instalação permitirá que diferentes maneiras de enxergar e interpretar as obras também passem a ocupar a Casa.

“A atividade educativa se torna uma ponte entre a arte, a memória e o território, fazendo com que esses jovens percebam que também podem ocupar e construir esses espaços culturais”, completa Wendrel.

Um museu construído também por sonhos

No dia 25 de setembro, essa participação ganha uma pergunta muito concreta: “O que você gostaria de aprender na Casa da Cultura?”

As respostas de crianças, famílias e visitantes serão penduradas na Árvore dos Sonhos, uma instalação coletiva que integra a atividade Brincando com Cultura – Conhecendo e Valorizando Nosso Patrimônio.

Inspirada também na exposição de Domingos Nunes, a programação propõe uma aproximação lúdica com o patrimônio cultural. Com mediação dos Pequenos Agentes Culturais da Casa da Cultura, o público poderá participar de brincadeiras, música, show de mágica, modelagem de balões e pintura facial artística, com Tia Tata e Palhaço Chocolate.

Os cartões deixados na Árvore dos Sonhos permanecerão como registro dos interesses e expectativas da própria comunidade para o espaço cultural, fazendo do público não apenas destinatário da programação, mas também alguém capaz de dizer o que gostaria de encontrar e construir ali.

No mesmo dia, a Sala de Leitura realiza duas edições da socialização literária “Histórias que Moram em Nós”, conduzida pela escritora, contadora de histórias e mediadora de leitura Gabi Silva.

Por meio de leituras mediadas e rodas de conversa, crianças, adultos e pessoas de diferentes gerações serão estimulados a compartilhar histórias, experiências e lembranças. A proposta parte do reconhecimento de que as narrativas da comunidade também são parte da memória e da identidade cultural do território.

É esse movimento de aproximação que conecta as diferentes atividades da Primavera dos Museus em Canaã dos Carajás. Para Gabriela Sobral, diretora da Casa da Cultura, a relação com a comunidade está na própria concepção do espaço. A adesão à Primavera dos Museus também integra o compromisso da instituição de se manter articulada às políticas públicas de cultura.

“A Casa da Cultura tem um modelo de gestão e de conexão com a comunidade historicamente mais próximo das pessoas. Esse modelo de concepção das casas de cultura ajuda a romper com a ideia do museu como cânone, como um lugar sagrado no sentido de ser intocável. Isso também está relacionado à ideia da museologia social. Celebrar esse tema é executar aquilo que sempre fizemos: conectar nosso trabalho e nossa programação à comunidade de Canaã dos Carajás”, afirma.

Ao longo de dez dias, a programação propõe diferentes maneiras de fazer essa aproximação: há quem chegue para olhar uma obra e termine produzindo a sua; quem encontre no barro saberes trazidos de outro território; quem compartilhe uma lembrança e descubra que ela também faz parte da história de um lugar. E há quem deixe um desejo pendurado em uma árvore. Esses gestos ajudam a construir um museu não apenas para as pessoas, mas com elas.

SERVIÇO

Barro em Confluência: formação, criação e intercâmbio de saberes na Amazônia Paraense

Oficinas: 21 a 27 de setembro, das 9h às 11h

Mostra dos resultados: 30 de setembro, das 9h às 11h

Público: artistas, artesãos e jovens maiores de 16 anos

Local: CRAS Novo Horizonte – Rua Angelim, S/N – Nova Canaã – Canaã dos Carajás (PA)

Oficineiros: Cilene Andrade e Ronaldo Guedes, do Ateliê Arte Mangue Marajó

Informações: (94) 99220-3451

Inscrições: https://forms.cloud.microsoft/r/LU3CiiVFT5

 

Oficina de Aquarela: Descobrindo as Cores Primárias

Datas: 22 a 24 de setembro

Horários: 9h às 11h e 15h às 17h

Público: escolas e grupos, mediante agendamento prévio

Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás – Rua das Esmeraldas, 143, Nova Canaã II

Facilitador: Diblack

Agendamentos e informações: (94) 99249-1549

 

Socialização literária: Histórias que Moram em Nós

Data: 25 de setembro

Horários: 8h às 9h e 14h às 15h

Público: livre

Local: Sala de Leitura da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás – Rua das Esmeraldas, 143, Nova Canaã II

Facilitadora: Gabi Silva

Informações: (94) 99160-8186

 

Brincando com Cultura – Conhecendo e Valorizando Nosso Patrimônio

Data: 25 de setembro

Horários: 9h às 11h e 15h às 17h

Público: livre

Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás – Rua das Esmeraldas, 143, Nova Canaã II

Facilitadores: Tia Tata e Palhaço Chocolate

Informações: (94) 99249-1549