Correio de Carajás

Desenvolvimento regional, planejamento e território são discutidos no primeiro dia do SEDRES

Em Marabá, pesquisadores de diferentes regiões do país discutem planejamento urbano, indicadores socioeconômicos e desigualdades territoriais durante o VIII Seminário de Desenvolvimento, Estado e Sociedade

✏️ Atualizado em 18/09/2026 14h37

O planejamento e o desenvolvimento urbano e regional estiveram no centro das discussões do primeiro dia do VIII Seminário de Desenvolvimento, Estado e Sociedade (SEDRES), realizado nesta quarta-feira (16), em Marabá, no sudeste do Pará. No âmbito da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR), o evento reúne pesquisadores, professores e estudantes de diferentes regiões do país para debater os desafios e as possibilidades de desenvolvimento dos territórios brasileiros.

A realização do seminário no sudeste paraense amplia o debate sobre as contradições que atravessam o desenvolvimento regional, em uma região marcada pela concentração de renda e de terras, além de uma trajetória histórica de exploração dos recursos naturais. Nesse contexto, a interiorização do evento contribui para aproximar a produção acadêmica das realidades vivenciadas fora dos grandes centros urbanos.

Apesar da modificação dos locais de realização do evento no primeiro dia em razão de demandas sociais, com a impossibilidade de acesso a Unidade III da Unifesspa pela manifestação dos moradores do Bairro Cidade Jardim que paralisou a BR 230, enfatizou-se a necessidade e urgência de se discutir desenvolvimento, Estado, território e condições de vida.

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Planejamento e os desafios da urbanização brasileira:

Durante a primeira mesa-redonda do evento, o professor Pedro Amaral, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar/UFMG), apresentou pesquisas sobre a interiorização da urbanização no Brasil. A discussão abordou projeções relacionadas ao crescimento e ao envelhecimento populacional, além de variáveis associadas às mudanças climáticas e à concentração da população negra em diferentes regiões.

As reflexões colocaram em evidência questões sobre os públicos e os territórios que devem ser considerados na elaboração das políticas de planejamento. A discussão parte de um questionamento central: planejar para quem e para onde?

Também durante a mesa, o professor Christian Luiz, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), discutiu a dimensão territorial a partir da atuação de grandes instituições brasileiras, contribuindo para o debate sobre as relações entre planejamento, instituições e desenvolvimento.

Na mesma ocasião, o professor Francisco Lima Júnior destacou, ainda, o caráter de interiorização construído ao longo das oito edições do SEDRES. Segundo ele, apenas três edições foram realizadas em capitais: Rio de Janeiro, Florianópolis e Palmas. Para o professor, a realização do Seminário no interior do país fortalece a possibilidade de relacionar as discussões teóricas às especificidades e aos desafios dos territórios onde o desenvolvimento é vivenciado.

No período da tarde, a programação contou com a mesa-redonda Ipea I, intitulada “O papel da rede de cidades da Amazônia na articulação de processos socioeconômicos e políticas de desenvolvimento sustentável”.

Realizada na Sala 03 do Instituto de Estudos em Direito e Sociedade (IEDS), na Unidade I do Campus I, a mesa teve mediação do professor Gabriel do Carmo Lacerda, do Instituto de Estudos em Desenvolvimento Agrário e Regional (IEDAR/Unifesspa).

Participaram da discussão os pesquisadores Gabriel Teixeira Barros, Claudia de Oliveira Faria Salema, Guilherme de Queiroz Stein e Sérgio Felipe Melo da Silva, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A atividade trouxe para o debate a importância das redes urbanas amazônicas e sua articulação com processos socioeconômicos e políticas de desenvolvimento sustentável, aproximando a discussão sobre planejamento das particularidades da região amazônicas a partir de dados coletados e pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), importante espaço nacional na formulação de políticas públicas.

Conferência de abertura reúne pesquisadores, representantes institucionais e parceiros dos movimentos sociais:

O primeiro dia do VIII SEDRES foi encerrado com a conferência de abertura, que reuniu representantes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR), do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Desenvolvimento Regional e Urbano na Amazônia (PPGPAM), do Ipea e do Instituto Zé Claudio e Maria.

A cerimônia contou com a presença do reitor da Unifesspa, professor Francisco Ribeiro; do professor José Ricardo de Faria, representante da ANPUR; do professor Evaldo Gomes, coordenador do PPGPAM; do pesquisador Aristides Monteiro, do Ipea; e de Clara Santos, do Instituto Zé Claudio e Maria. Na ocasião, o professor José Ricardo de Faria, presidente da Anpur entregou ao Prof. Dr. Evaldo Gomes uma bandeira da Anpur, como reconhecimento do papel do PPGPAM enquanto referência de pesquisa no campo do Desenvolvimento Urbano e Regional no interior da Amazônia.

Além disso, uma programação cultural do grupo de Boi-Bumbá Flor do Campo, tradicional em Marabá, abrilhantou a noite, animou a plateia e reafirmou a cultura como ferramenta transversal para se pensar o Desenvolvimento, Estado e Sociedade a partir da Amazônia e dos atores que a constituem cotidianamente no território.

A programação também incluiu uma palestra da professora Hipólita Siqueira, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ), e do professor Aristides Monteiro, do Ipea. As apresentações contribuíram para ampliar as discussões sobre desenvolvimento regional, planejamento e os desafios enfrentados pelos territórios brasileiros a partir de diferentes concepções teóricas, mas também de dados concretos.

Com a programação do primeiro dia, o VIII SEDRES reafirma a importância do diálogo entre a produção acadêmica, as instituições e as realidades territoriais. Ao reunir pesquisadores em Marabá, o seminário promove discussões sobre os caminhos do desenvolvimento urbano e regional e sobre a construção de políticas capazes de considerar as desigualdades e as especificidades da Amazônia. (Texto: Laura Guido – assessoria)

Imagens: Divulgação