Algo de cruel – e quase poético – aconteceu no futebol paraense. Em pouco mais de 24 horas, o Mangueirão foi palco de dois lances capazes de entrar para a memória. E, curiosamente, nenhum deles serviu para evitar a derrota de quem os protagonizou.
Primeiro, Marcelo Rangel. Contra o Flamengo, o goleiro do Remo virou uma espécie de homem-elástico. Quando a bola parecia destinada às redes, ele apareceu. Fez uma defesa que a crônica esportiva chamou de milagrosa, quase sobrenatural.
Mas goleiro não joga sozinho. E o Remo acabou castigado pelo gol de Samuel Lino: 0 a 1.
Leia mais:No dia seguinte, foi a vez de Marcinho, do Paysandu, escrever seu capítulo. Um gol antológico contra o Brusque, daqueles que justificam o ingresso, o replay e a conversa de bar. Só que, outra vez, a beleza do lance não foi suficiente. O Paysandu perdeu no mesmo Mangueirão.
E talvez essa seja uma das maiores ironias do futebol: há jogadas que merecem a vitória, mas não conseguem alcançá-la.
Rangel fez uma defesa para ganhar um jogo. Marcinho fez um gol de falta para ganhar uma placa.
Nenhum dos dois ganhou os três pontos.
O Mangueirão, casa dos dois gigantes, assistiu em pouco mais de 24 horas a duas obras de arte do futebol paraense – uma com as mãos, outra com os pés. E o placar, indiferente à poesia, tratou as duas com a mesma frieza.
Porque o futebol tem dessas crueldades.
Às vezes, o jogador faz tudo certo.
E mesmo assim perde.
Observação: As opiniões contidas nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do CORREIO DE CARAJÁS

