Correio de Carajás

Caso José Arthur: PF descarta que menino desaparecido no PA esteja entre crianças resgatadas nos EUA

José Arthur sumiu no dia 26 de março, em Eldorado do Carajás. A Polícia Federal confirmou que não foi identificada nenhuma vítima brasileira entre as crianças localizadas na operação

Apesar dos esforços, nenhum vestígio ou pista sobre o paradeiro do bebê foi encontrado no local
✏️ Atualizado em 10/09/2026 09h23

O bebê José Arthur, desaparecido no Pará, não está entre as crianças resgatadas em operação nos Estados Unidos. A confirmação foi dada pela Polícia Federal nesta terça-feira (8).

O menino de 1 ano e 6 meses sumiu em 26 de março, na Vila Peruana, em Eldorado do Carajás. Ele brincava no quintal de casa.

A Polícia Civil ouviu mais de 25 depoimentos e chegou a prender temporariamente 2 suspeitos em abril. Eles foram libertados em junho após o fim do prazo.

Leia mais:

José Arthur Sousa Barros, que desapareceu há mais de 5 meses em Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, não está entre as crianças que foram resgatadas em uma operação nos Estados Unidos.

A informação foi divulgada pelo advogado da família, Elisson de Sousa Araújo, que recebeu a confirmação da Polícia Federal (PF), na terça-feira (8).

De acordo com a Polícia Federal, não foi identificada nenhuma vítima brasileira entre as crianças localizadas na operação.

Na última semana, o advogado da família tinha acionado a PF para cruzar os dados da criança com informações sobre possíveis vítimas de tráfico infantil que tinham sido resgatadas nos Estados Unidos durante a operação ‘Statewide Shield’ (Escudo Estadual), realizada entre 17 e 21 de agosto.

A ação resgatou 163 bebês, crianças e adolescentes na Flórida, com idades de dois meses a 17 anos.

Alerta internacional

Como nova medida para tentar localizar o bebê, o advogado Elisson Araújo informou que já oficializou um pedido à Polícia Federal para que o nome de José Arthur seja incluído no Aviso Amarelo (Yellow Notice) da Interpol.

O Aviso Amarelo (Yellow Notice) da Interpol é um alerta policial internacional emitido com objetivo de localizar pessoas desaparecidas ou identificar quem não consegue revelar a própria identidade.

“José Arthur, infelizmente, não estava entre essas crianças, mas nós não desistiremos dele. Meu amiguinho, onde você estiver, eu não vou desistir de você. O Brasil não desistirá de você.”, afirma o advogado.

A investigação sobre o caso José Arthur foi transferida para a Delegacia de Homicídios de Marabá.

O menino está desaparecido desde o dia 26 de março, quando foi visto pela última vez na localidade de Vila Peruana.

Relembre o caso

José Arthur Sousa Barros desapareceu na noite do dia 26 de março deste ano, na Vila Peruana, uma área rural de Eldorado do Carajás que fica próxima ao Assentamento Lourival Santana, no sudeste do Pará.

O menino, que na época tinha um ano e seis meses, brincava com os primos no quintal da casa onde morava com a família quando sumiu sem deixar rastros.

A região onde ocorreu o desaparecimento é de difícil acesso, cercada por áreas de mata densa, rios e cortada por uma rodovia federal.

Forças de segurança e moradores da comunidade iniciaram uma intensa mobilização de buscas. A operação contou com o apoio de homens do Corpo de Bombeiros, equipes policiais especializadas, cães farejadores, além do uso de drones para mapeamento aéreo e mergulhadores para buscas nos rios da região.

Apesar dos esforços, nenhum vestígio ou pista sobre o paradeiro do bebê foi encontrado no local.

No decorrer do inquérito, a Polícia Civil ouviu mais de 25 depoimentos e apreendeu aparelhos celulares para perícia. Duas semanas após o desaparecimento, no dia 10 de abril, uma operação policial prendeu temporariamente dois homens: Roserlândio Castro de Almeida e Evandro Firmino da Silva.

Segundo as investigações, os suspeitos eram amigos da família e frequentavam a residência de onde a criança sumiu. No entanto, em junho, ambos foram colocados em liberdade após o término do prazo das prisões temporárias.

Em agosto, quando José Arthur completou dois anos de idade, o caso foi tema de uma audiência pública na Câmara Municipal de Eldorado do Carajás, que reuniu familiares, autoridades locais e representantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.

Durante a sessão, a mãe do menino, Geiciara Souza Gonçalves, emocionou os presentes ao relatar a dor da ausência do filho, reforçando que mantém a esperança de reencontrá-lo vivo.

“Ele fez dois anos de vida. Eu tenho certeza que meu filho está vivo, mas passou os dois aninhos dele longe de mim. Mas eu tenho muita fé em Deus que esse vai ser o primeiro e o último aniversário que ele vai passar longe de mim”, desabafou Geiciara.