Correio de Carajás

Brigas e agressões envolvendo alunos assustam famílias e expõem crise em escola de Marabá

Após o episódio pela manhã, a escola se encontrou fechada ao longo do dia / Evangelista Rocha
Por: Kauã Fhillipe, Chagas Filho
✏️ Atualizado em 01/09/2026 18h25

Esta terça-feira (1º) foi marcada por episódios de violência que expõem a situação vivenciada por alunos e familiares da EMEF Dr. Inácio de Sousa Moita, no Km 7, Nova Marabá. O que deveria ser apenas mais um dia letivo terminou com uma ocorrência de agressão e esfaqueamento nas proximidades da unidade de ensino, além da ida de mães à Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca) para cobrar providências diante de episódios anteriores.

No episódio, a Guarda Municipal de Marabá (GMM) foi acionada por volta das 11h15, para atender uma ocorrência de briga nas proximidades da escola. Conforme o relatório da corporação, um adolescente teria sido cercado por um grupo enquanto seguia para casa, na região do viaduto do Km 7. A suspeita é de que o conflito tenha relação com desentendimentos anteriores.

Ainda segundo a GMM, o adolescente teria sido derrubado e agredido com chutes e pedradas, e durante a confusão, ele sacou uma faca e atingiu um dos envolvidos. O ferido foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal de Marabá (HMM). A Guarda Municipal iniciou buscas pela região do Km 7, Bairro Araguaia e entorno da linha do trem, com apoio da Polícia Militar.

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Durante as diligências, alguns dos envolvidos foram localizados nas proximidades da linha férrea. Conforme a corporação, houve resistência durante a abordagem e foi necessário o uso progressivo da força e de algemas. Outros dois adolescentes também foram encontrados posteriormente. Ao final da ocorrência, dois menores foram apreendidos e os demais envolvidos, maiores de idade, foram detidos e encaminhados à Deaca, onde o caso ficou sob responsabilidade da autoridade policial.

VIOLÊNCIA RECORRENTE

Segundo relatos de familiares, casos de violência dentro e nos arredores da escola não seriam recentes. Uma das mães, que preferiu não se identificar, procurou a delegacia após o filho, de 13 anos, estudante do 7º ano, ter sido agredido no último dia 20.

De acordo com ela, o adolescente teria sido agredido dentro da escola e, posteriormente, novamente atacado nas proximidades do viaduto do Km 7, quando deixava a unidade. A mãe afirma que o filho chegou a procurar a coordenação durante o recreio para relatar a situação, mas teria sido encaminhado de volta à sala de aula. Ainda conforme o relato, a direção só entrou em contato com a família perto das 13h, quando o menino já estava machucado.

A mãe afirma que levou o filho para atendimento médico, onde foram solicitados repouso e acompanhamento oftalmológico após os ferimentos na região dos olhos. Para ela, uma intervenção mais efetiva da escola no primeiro momento poderia ter evitado que a situação evoluísse para uma nova agressão. A mulher também cobra mudanças na gestão da unidade e pede que Prefeitura ou Estado adotem providências diante do que considera falta de controle sobre os alunos.

Outra mãe também relatou um episódio ocorrido no ano passado envolvendo o filho. Segundo ela, o adolescente teria sido ameaçado dentro da escola por outro aluno que estaria armado com uma faca. A situação, conforme seu relato, só não terminou em uma agressão mais grave porque outro estudante percebeu o que estava acontecendo e comunicou o caso.

Ela também afirmou que, na gestão anterior, havia maior rigor na condução dos conflitos e que a antiga direção costumava acompanhar pessoalmente os estudantes envolvidos em ocorrências, inclusive levando-os até as famílias. Para a mãe, a mudança na administração teria sido acompanhada pelo aumento das brigas dentro e nos arredores da escola. Revoltada, ela cobra uma resposta do poder público e afirma que os pais estão preocupados com a segurança dos alunos.

O QUE DIZ A DIREÇÃO
Procurada pela reportagem, a diretora da EMEF Dr. Inácio de Sousa Moita, Edileuza Porto, preferiu não conceder entrevista, mas informou que a escola está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis. Em comunicado oficial, a direção esclareceu que a ocorrência registrada nesta terça-feira aconteceu fora das dependências da escola, embora tenha envolvido alunos da unidade, e que a Guarda Municipal e as polícias Militar e Civil foram acionadas. A direção também afirmou que vem solicitando reforço na segurança da escola e que realizará uma reunião com pais e responsáveis nesta quarta-feira (2), às 9h30, para prestar esclarecimentos sobre o episódio e as medidas adotadas.