Correio de Carajás

Aos 85, mãe tenta descobrir, com DNA, se encontrou a filha após 43 anos

Aos 85 anos, Cirleide Medeiros, de Parauapebas, busca realizar um teste de DNA para saber se mulher em Rondônia é sua filha legítima Imagens: Ronaldo Modesto
Por: Theíza Cristhine e Ronaldo Modesto
✏️ Atualizado em 01/09/2026 15h20

Depois de 43 anos de espera, uma mãe de 85 anos deu mais um passo na tentativa de, finalmente, colocar um ponto final em uma busca que atravessa gerações. Cirleide Martins de Medeiros procurou a Defensoria Pública, em Parauapebas, nesta terça-feira (1º), para tentar a realização gratuita de um exame de DNA que pode ajudar a esclarecer se uma mulher que vive em Porto Velho, em Rondônia, é sua filha. Trata-se de Maria do Socorro Martins Medeiros, desaparecida em 1983, aos 4 anos de idade.

O sumiço aconteceu no antigo Porto da Balsa, em Imperatriz (MA). Na época, Cirleide havia vendido os poucos bens que possuía e estava de mudança para Marabá. Grávida e perto de dar à luz, ela seguia viagem acompanhada dos filhos quando precisou sair por alguns instantes para comprar comida.

Segundo o relato da família, Maria do Socorro correu atrás da mãe em meio à intensa movimentação de pessoas no porto. Quando Cirleide retornou, encontrou os outros filhos, mas Maria do Socorro havia desaparecido.

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Desde aquele dia, a família nunca mais recebeu notícias concretas sobre o paradeiro dela. Ao longo das décadas, a esperança, porém, nunca deixou de existir. Cirleide teve 11 filhos, mas nunca desistiu de encontrar a filha desaparecida.

Uma mulher que vive em Porto Velho entrou em contato com os familiares e acredita que pode ser Maria do Socorro. Ela já realizou um exame de DNA e aguarda a possibilidade de uma comparação genética com os parentes que vivem em Parauapebas.

Para isso, a família busca realizar o exame de forma gratuita por meio da Defensoria Pública. A intenção é comparar o material genético e descobrir, finalmente, se a mulher que apareceu décadas depois é a menina que desapareceu no Porto da Balsa em 1983.
“Eu tenho esperança pela minha filha”, afirmou.

A esperança ganhou ainda mais força depois de uma história que, segundo ela, ouviu há muitos anos.

Aos 85 anos, a mãe ainda espera ter a oportunidade de olhar para a filha e dizer que nunca deixou de procurá-la.