📅 Publicado em 31/08/2026 10h00
O Código Penal Brasileiro classifica como crimes contra a dignidade sexual condutas como estupro, violação sexual mediante fraude, importunação e assédio sexual, exposição da intimidade sexual, estupro de vulnerável, corrupção de menores e favorecimento à prostituição, entre outras. Em Marabá, esse é o tipo de crime que mais cresceu entre 2020 e 2024.
O município saltou de 47 casos para 183 e aparece em 4º lugar no ranking com os maiores números de vítimas do Pará, atrás de Belém (1º), Santarém (2º) e Altamira (3º). Os dados foram divulgados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) através do Boletim da Segurança Pública Paraense, publicado em junho de 2026.
A progressão dos números aconteceu de maneira gradual entre 2020 (47), 2021 (64) e 2022 (60). Em 2023, Marabá somou 132 vítimas, registrando um aumento de 120% em relação ao ano anterior. Em 2024, foram 183. Ou seja, em quatro anos houve uma escalada expressiva e alarmante de 289,36% desse tipo de crime.
Leia mais:Os dados estaduais, quando desagregados, mostram que em 2024 a faixa etária com maior número de vítimas é a de pessoas entre 10 e 14 anos. Foram registrados 1.713 casos, representando 44,66% do total estadual (3.836).
Isolando apenas os casos de estupro, Marabá segue sendo destaque devido ao grande volume e ocupa o 3º lugar no ranking. Foram 61 casos em 2020 e preocupantes 168 em 2024. Um aumento de 175,41%. As faixas etárias com mais vítimas estão entre crianças e adolescentes de 0 a 11 anos e de 12 a 17.
Com o aumento rápido de vítimas entre crianças e adolescentes, denunciar é a principal forma de barrar esses crimes. Qualquer pessoa pode fazer uma denúncia anônima pelo Disque 100. Se a violência estiver acontecendo na hora, o número correto é o 190 da Polícia Militar. Em Marabá, as vítimas ou testemunhas também podem procurar o Conselho Tutelar e a Delegacia da Criança e do Adolescente (Deaca) para registrar o boletim, garantir proteção à vítima e iniciar as investigações.
Marabá tem queda de 43% nos roubos, mas alta nos furtos entre 2020 e 2024
Além do salto nos crimes sexuais, o levantamento da Fapespa também mostra a realidade da violência nas ruas de Marabá, revelando um cenário de altos e baixos.
Os roubos caíram 43,38% entre 2020 e 2024, mas o município continua sendo o terceiro com mais vítimas de homicídios e feminicídios no Pará. Os dados dos últimos cinco anos mostram que, embora os crimes de rua e contra o patrimônio tenham diminuído bastante, os crimes contra a vida continuam em alta.
Mesmo com uma pequena queda (4,46%) nos assassinatos, que passaram de 112 mortes em 2020 para 107 em 2024, Marabá segue entre as cidades mais violentas do estado. O cenário é igualmente grave para as mulheres. Com 12 vítimas ao longo de cinco anos, a cidade concentra quase 4% de todos os feminicídios do Pará, empatada na terceira posição com Santarém.
Quando o assunto é roubo e furto, o município ocupa o quinto lugar no estado, mas a dinâmica muda dependendo do crime. Os roubos (assaltos com ameaça ou violência), caíram quase pela metade, saindo de 2.086 casos para 1.181. Por outro lado, os furtos (quando o bem é levado sem violência) tiveram uma leve alta de 2,72%, subindo de 2.720 ocorrências em 2020 para 2.794 em 2024.
Embora os registros de assaltos tenham diminuído, o dado isolado não comprova uma redução geral da criminalidade na cidade. As estatísticas oficiais medem apenas os boletins de ocorrência, deixando de fora a subnotificação (ou seja, os crimes acontecem, mas não são registrados na delegacia).
Por outro lado, o fato de os assassinatos quase não caírem, somado à gravidade dos feminicídios e ao aumento das notificações de furtos, mostra que as mortes violentas e os crimes sem confronto direto continuam sendo os maiores e mais difíceis problemas de segurança da cidade.
