📅 Publicado em 20/08/2026 08h52✏️ Atualizado em 20/08/2026 08h53
Com o passar dos anos e o avanço das tecnologias de logística e comunicação com os consumidores, as transportadoras privadas passaram a adotar novas estratégias para a distribuição de encomendas. Para representar a percepção de quem utiliza esses serviços em Marabá, a reportagem ouviu a jornalista Luciana Marschall, que compara a experiência oferecida pelas empresas privadas com a dos Correios, cuja atuação, segundo ela, já apresenta sinais de desgaste diante das novas exigências dos consumidores.
O perfil de consumo de Luciana é voltado, principalmente, para livros e artigos para o lar, produtos que ela diz encontrar com mais facilidade no comércio virtual do que em Marabá. Na hora da entrega, a jornalista afirma perceber uma diferença significativa no atendimento prestado pelas empresas privadas, que costumam manter contato mais próximo com o destinatário e oferecem maior flexibilidade de dias e horários.
“As empresas privadas costumam chamar no portão, telefonar quando não encontram o cliente e até combinar outro local para a entrega, o que facilita bastante o recebimento. Já com os Correios, quando não há ninguém em casa nas tentativas de entrega, a encomenda pode retornar ao remetente, gerando atraso e dor de cabeça. Além disso, as transportadoras privadas têm horários mais flexíveis, realizando entregas até à noite e aos fins de semana”, relata.
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Apesar das críticas ao modelo de entrega da estatal, Luciana defende a permanência dos Correios como empresa pública. Para ela, a instituição exerce um papel estratégico ao garantir a distribuição de provas do Enem, urnas eletrônicas, materiais escolares e outros serviços governamentais, inclusive em comunidades remotas onde empresas privadas dificilmente operariam por falta de retorno financeiro.
A jornalista avalia que a concorrência das transportadoras privadas beneficia os consumidores, especialmente pela variedade de preços e pela capacidade de transportar cargas maiores, como móveis. Ainda assim, acredita que os Correios oferecem uma segurança que vai além da lógica de mercado. “As empresas privadas são importantes e dão mais opções para o consumidor, mas os Correios têm um compromisso público. A gente sabe que, precisando, eles vão estar lá, inclusive nos lugares mais distantes. Não vamos privatizar os Correios, não”, conclui.
Empresário marabaense não vê Correios como concorrente
Com mais de 30 anos de atuação no transporte de cargas, o empresário José Neto, proprietário da Transnorte, afirma que o crescimento das transportadoras privadas está diretamente ligado aos investimentos em tecnologia e à busca por maior eficiência nas entregas. Segundo ele, a empresa atende todo o Pará, utiliza sistemas de rastreamento em tempo real e mantém o atendimento humanizado como diferencial para os clientes.
O empresário avalia que Marabá ainda oferece boas condições para a logística, com poucas restrições para circulação de caminhões, e destaca que a Transnorte registra crescimento anual de até 20% no volume de cargas, motivando novos investimentos em infraestrutura e ampliação da capacidade operacional.
Na avaliação de Neto, os Correios deixaram de disputar o mesmo mercado das transportadoras privadas. Para ele, a estatal mantém relevância pelo compromisso com serviços públicos e pela presença em praticamente todos os municípios, enquanto as empresas privadas concentram suas operações no transporte comercial e na prospecção de novos clientes.

Embora reconheça a importância histórica dos Correios, Neto acredita que o avanço da logística privada ampliou as opções para consumidores e empresas, impulsionando um mercado cada vez mais competitivo e especializado.
E OS CORREIOS?
Para garantir o contraponto da reportagem, o Correio de Carajás entrou em contato com a assessoria de imprensa dos Correios no Pará e com o Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) de Marabá. Foram encaminhados questionamentos sobre a evolução do mercado de encomendas, investimentos em tecnologia e rastreamento, prazos de entrega, criação de CEPs, impactos do crescimento urbano em Marabá, desafios da operação na Região Norte e projetos previstos para ampliar a eficiência dos serviços, além da solicitação de dados estatísticos que contribuíssem para a apuração.
Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia respondido aos questionamentos.
Os Correios disponibilizam informações institucionais e indicadores nacionais em seus relatórios de transparência, como dados sobre frota, número de empregados e desempenho operacional. No entanto, não divulgam publicamente estatísticas detalhadas por município, como volume de encomendas, quantidade de entregas, devoluções por problemas de endereçamento ou tamanho da operação em cidades específicas, como Marabá.
