📅 Publicado em 18/08/2026 08h30✏️ Atualizado em 18/08/2026 08h43
O crescimento do comércio eletrônico transformou a logística em um dos setores que mais geram oportunidades de trabalho no país. Desde a pandemia, o volume de encomendas cresceu 120%. Já entre 2022 e o início de 2025, o aumento foi de 84%, segundo dados da Jadlog.
De acordo com o levantamento realizado pela plataforma EmpresAqui, o setor de logística registrou a abertura de mais de 168 mil novas empresas apenas no primeiro semestre de 2026. O número representa um crescimento de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para entender como esse avanço impacta a economia regional, o Correio de Carajás entrevistou representantes de transportadoras e, também, do comércio de Marabá e Paruapebas. Entre elas está a Jadlog, considerada uma das principais concorrentes dos Correios no Brasil.
Leia mais:Em entrevista ao CORREIO, Sérgio Alberto Stachelski, proprietário da Casperlog Encomendas, unidade da Jadlog em Marabá, explica que a empresa atua há 14 anos no município e detalhou como funciona a operação logística. Segundo ele, a unidade passou de uma média de 300 para 500 encomendas por dia entregues. Em períodos de maior demanda, como Black Friday e fim de ano, esse volume pode chegar a 700 encomendas diárias.

A expansão do setor também ampliou a geração de renda. A unidade da Jadlog em Marabá mantém sete funcionários diretos e 14 prestadores de serviço. Além disso, outras transportadoras passaram a contratar entregadores parceiros para atender ao crescimento das compras pela internet. O fortalecimento da logística também aumentou a competitividade do comércio local, que passou a receber mercadorias com mais rapidez e oferecer diferentes modalidades de entrega aos consumidores.
Segundo Sérgio, a pandemia marcou uma mudança definitiva no comportamento dos consumidores. “O comércio eletrônico foi a alavanca, o processo que impulsionou esse crescimento. O divisor de águas foi o antes e o pós-pandemia. O dilema da covid-19 fez com que a população se restringisse em termos de locomoção e aumentou o acesso às mídias, ou seja, o e-commerce foi o grande propulsor”, explica.
O gestor afirma que o aumento das compras pela internet elevou significativamente a demanda pelos serviços de transporte. Segundo ele, o volume de cargas quadruplicou em relação ao período anterior. Para Sérgio, o avanço do setor também está diretamente ligado à inclusão digital da população. “As pessoas não aumentaram em número. Elas aumentaram a capacidade de inclusão nas mídias sociais. O comércio eletrônico foi a alavanca que impulsionou esse crescimento”, pontua.

Em sua fala, o empresário explica que a empresa pertence a um grupo francês que atende todo o sul e sudeste do Pará. Sérgio revela ainda que, recentemente, Marabá passou a contar com um novo hub operacional da Jadlog, reduzindo em até quatro dias o prazo de entrega para diversas cidades da região. “Há mais ou menos um mês e meio, abriu-se um hub em Marabá, a carreta não vai mais a Belém. Isso fez com que Redenção, Parauapebas e Altamira ganhem tempo e são atendidos mais rapidamente”, garante.
O crescimento das transportadoras também mudou a realidade dos trabalhadores do setor. Segundo Sérgio, tanto os entregadores autônomos quanto os profissionais precisaram se qualificar para atender às exigências do mercado. “O crescimento foi de 12% de demanda e mão de obra neste segmento logístico”, explica.
Ele atribui a expansão do setor ao fortalecimento do e-commerce (compra e venda de produtos ou serviços pela internet) e das operações B2B, voltadas para negócios entre empresas. “Pequenas empresas, MEI e pessoas autônomas tiveram mais acessos e conseguiram ofertar seus produtos e serviços de maneira mais rápida”, esclarece.
Segundo o gestor, um dos diferenciais da empresa é o gerenciamento das entregas que não são concluídas na primeira tentativa. Na unidade de Marabá existe um setor exclusivo para administrar essas ocorrências. “Nós temos o potencial de entregar ou retornar para gestão de cargas, ou seja, você está ausente, amanhã podemos retornar. Trabalhamos em cima de uma ante devolução”, finaliza.
Em relação aos CEPs e endereços, uma das principais dificuldades enfrentadas pelos Correios em Marabá, Sérgio afirma que a empresa atua preventivamente para evitar problemas na entrega ao cliente final. “Se eu não trabalhar na gestão de carga eu posso ter cargas travadas, entregas que não deveriam ser feitas. Aqui está o potencial de perda, o que gera baixa de faturamento”, argumenta.

Setor de logística cria mais vagas de emprego em Marabá
Há um ano e nove meses, Luís Paulo Corrêa, entregador da J&T Transpress, atua exclusivamente no segmento e afirma ter encontrado na atividade sua principal fonte de renda. “Eu chego na empresa às sete horas da manhã, separo meus pacotes por rota e saio entregando. Trabalho o dia todo e ganho por entrega”, explica Luís.

O entregador afirma que realiza, em média, cerca de 150 entregas por dia, número que pode ultrapassar 200 em períodos de maior movimento. “Tem dia que passa de 200 entregas. Há dias que chego em casa depois das dez da noite. É uma renda boa”, comemora.
Mesmo atuando como prestador de serviço, Luís destaca que contribui para o INSS para garantir proteção previdenciária. Segundo ele, apesar de não possuir vínculo empregatício, a contribuição oferece mais segurança caso ocorra algum imprevisto, como acidente.
Para ele, o trabalho vai muito além da simples entrega de uma encomenda. “Nós fazemos mais do que um entregador. Se o cliente não está em casa, nós ligamos, procuramos uma alternativa, entregamos para um vizinho quando autorizado, mandamos foto e justificamos tudo direitinho. Eu só vou embora depois de entregar o pacote”, completa.
O avanço da logística também é percebido pelas empresas instaladas em Marabá. Na Farm Rio, localizada no Piso L3 do Partage Shopping Marabá, as transportadoras são responsáveis por todo o abastecimento da unidade.
Segundo a gerente Beatriz Cardoso, a loja trabalha atualmente com três empresas de transporte, tendo a Jadlog como principal parceira. “Nós trabalhamos com essa logística dentro do estado. Como temos uma demanda grande na loja, a transportadora consegue suprir essa necessidade com um prazo muito bom”, conta.

Ela explica que a localização da região torna a logística um fator decisivo para o funcionamento da unidade. “Nós somos de uma região de difícil acesso, um pouco mais afastada da Capital, então, essa dinâmica do fluxo ajuda muito tanto na operação da loja quanto no atendimento aos clientes”, relata a gerente.
Entre os principais diferenciais apontados por Beatriz está o suporte oferecido pelas transportadoras instaladas na cidade. “Realmente é a logística. Nós conseguimos acompanhar e ter um suporte dentro de Marabá. Não precisamos resolver em São Paulo ou Rio de Janeiro. Se necessário, o responsável vem até a loja, conversa conosco e resolve rapidamente”, esclarece.
Outro fator destacado é a relação entre custo e eficiência. “Além de ter um custo-benefício melhor, como a nossa demanda é grande, isso acaba sendo um ponto muito positivo para nós”, encerra.
Segundo Beatriz, o abastecimento da loja ocorre, em média, entre oito a dez dias, prazo considerado satisfatório para manter o estoque atualizado. Para ela, quanto maior dinamismo entregue pela logística melhor o desenvolvimento da empresa.
A gerente explica que a logística também amplia as possibilidades para os consumidores. “O cliente pode comprar pelo site e receber em casa ou retirar aqui na loja. Se eu não tenho uma peça no tamanho desejado, consigo fazer esse pedido e a cliente escolhe onde prefere receber”, esclarece.
Questionada sobre a utilização dos Correios, Beatriz afirma que o modelo atual atende melhor às necessidades da empresa. “Realmente é pela demanda. A gente precisa de um tempo mais ágil e, também, de um custo-benefício melhor. Como trabalhamos com um grande volume, o nosso custo seria muito alto”, avalia.
Avanço logístico remodela comércio
Os reflexos da evolução das transportadoras também são percebidos pelo comércio. Na Studio Z, localizada no Partage Shopping Marabá, a logística é fundamental tanto para abastecer a loja quanto para atender consumidores que compram pela internet.
Segundo o gerente Ruberval Bastos, a empresa trabalha simultaneamente com os Correios e transportadoras, cada um desempenhando uma função diferente. “Nós trabalhamos tanto com os Correios quanto com transportadoras. Os Correios atendem os clientes que compram pelo nosso site. Já as transportadoras fazem o abastecimento da loja com os produtos que vêm da nossa matriz”, observa.

De acordo com ele, os Correios mantêm um desempenho satisfatório nas entregas destinadas aos consumidores. Em um prazo de seis a 12 dias úteis, os Correios fazem as entregas destinadas exclusivamente aos clientes. “Existem exceções em determinados períodos, mas é um serviço que traz benefício para o cliente”, justifica o gerente.
Já no abastecimento da loja, o volume movimentado pelas transportadoras demonstra a importância da logística para o varejo. Semanalmente chegam à loja, cerca de 300 volumes de carga. “São cargas fechadas, com caixas de calçados e acessórios. As transportadoras trabalham exclusivamente com esse tipo de operação e nos atendem muito bem”, afirma.
Ruberval destaca ainda que a evolução da infraestrutura logística em Marabá também contribuiu para melhorar o abastecimento das empresas. “Ultimamente melhorou bastante. Isso é bem notório. O número de transportadoras cresceu aqui em Marabá, e isso facilita muito para nós”, comemora.
Segundo ele, a empresa acompanha toda a movimentação das cargas desde a saída da matriz, localizada em Santa Catarina, até a chegada à loja. “As entregas estão sendo feitas dentro do prazo que a Studio Z estipula. Hoje recebemos os produtos, em média, entre oito e doze dias após a saída da matriz, e isso tem sido cumprido”, complementa.
Para o gerente, a melhoria da logística representa ganhos tanto para as empresas quanto para os consumidores. “É um trabalho que melhorou muito e está atendendo a demanda aqui em Marabá”, termina.
Apesar de o cenário ser positivo, a infraestrutura rodoviária continua sendo um dos principais obstáculos para o desenvolvimento do setor. Para Sérgio, a malha rodoviária ainda é o “X” da questão.
Mesmo diante dos desafios, ele acredita que a tendência é de expansão contínua do comércio eletrônico e, consequentemente, da logística. “Vai continuar existindo a loja física, mas essa nova geração vai impulsionar ainda mais o mercado eletrônico. Precisamos estar preparados para atender essa demanda. Ainda não inventaram uma forma de teletransportar mercadorias. Sempre será necessário um serviço logístico eficiente para conectar empresas e consumidores”, conclui Sérgio.
