Correio de Carajás

TRE do Pará inicia envio de 23,2 mil urnas para as zonas eleitorais

Equipamentos serão distribuídos gradualmente a partir de Ananindeua, passarão por novos testes e começarão a ser preparados para a votação na segunda quinzena de setembro

No Pará, 23.259 urnas deverão cumprir esse percurso
✏️ Atualizado em 18/08/2026 08h28

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) começou a distribuir as urnas eletrônicas que serão utilizadas nas Eleições Gerais de 2026. Ao todo, 23.259 equipamentos deverão atender às zonas eleitorais do estado. A operação teve início em 3 de agosto, no Núcleo Gestor de Urnas, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, e ocorre de maneira escalonada para garantir que os equipamentos cheguem aos municípios dentro do prazo previsto.

A quantidade prevista para o Pará é cerca de 350 urnas superior à utilizada nas eleições municipais de 2024. Na comparação com o pleito presidencial de 2022, quando foram usados 22.025 equipamentos no estado, o aumento passa de mil unidades. O crescimento está relacionado à organização da estrutura de votação e à necessidade de acompanhar as alterações no eleitorado e no número de seções eleitorais.

Segundo o TRE-PA, a remessa tem média de 1.500 urnas por dia, embora o volume possa variar conforme as condições de cada jornada. Como o parque estadual precisa ser enviado para diferentes regiões, a distribuição não é concluída em uma única etapa. Os equipamentos deverão chegar às zonas eleitorais até o início de setembro. Depois disso, passarão por novos testes antes de receberem a preparação definitiva para o pleito.

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A previsão é que a preparação das urnas ocorra a partir da segunda quinzena de setembro. Nessa fase, os equipamentos serão carregados com os dados da eleição, passarão por procedimentos específicos de conferência e receberão os lacres de segurança. Depois de prontos, serão levados aos locais de votação de acordo com o planejamento de cada zona eleitoral.

Manutenção começa antes do transporte

A distribuição iniciada em Ananindeua é apenas uma das etapas de um processo que começa meses antes da eleição. De acordo com Tiago Neves, chefe da Seção de Urnas Eletrônicas do TRE-PA, os equipamentos passam por ciclos anuais de manutenção antes de serem encaminhados para o interior e para as demais zonas eleitorais.

Cada urna é levada a uma bancada e submetida a uma sequência de verificações. Os testes avaliam as condições de funcionamento do equipamento e procuram identificar qualquer problema que possa comprometer o uso no dia da votação. Neves explica que a manutenção tem o objetivo de assegurar que todas as unidades estejam aptas a operar quando forem instaladas nos locais de votação.

“As urnas eletrônicas passam por diversos ciclos anuais de manutenção, ou seja, cada urna vai para a bancada e passa por testes exaustivos para garantir que esteja totalmente funcional no dia do pleito”, afirmou o chefe da seção.

O trabalho não termina com a saída do depósito centralizado. Depois de chegarem às zonas eleitorais, as urnas serão novamente conferidas. A realização de testes nos destinos permite verificar se os equipamentos chegaram em condições adequadas após o transporte e se continuam funcionando de acordo com os padrões exigidos pela Justiça Eleitoral.

“Elas têm que chegar até o início de setembro nas zonas eleitorais, para que lá ainda passem por mais testes, garantindo sua funcionalidade plena”, informou Neves. Segundo ele, a preparação específica para a eleição ocorrerá somente depois dessa nova rodada de verificações. “A partir da segunda quinzena de setembro, elas vão ser preparadas já para a eleição”, detalhou.

Quatro modelos

O conjunto de urnas disponível no Pará é formado por quatro modelos: UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022. A maior parte do parque estadual já foi renovada e está concentrada nas versões mais recentes. Os modelos de 2020 e 2022 são considerados novos dentro da estrutura de equipamentos mantida pelo TRE-PA.

Na apuração local, Tiago Neves afirmou que precisaria consultar a documentação da licitação para confirmar o ano exato de fabricação de cada modelo, mas indicou que parte dos equipamentos mais recentes teria sido produzida em 2019 e 2021. A denominação dos modelos, contudo, não corresponde necessariamente ao ano de fabricação. Em um panorama nacional divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a UE2020 aparece como fabricada em 2021, enquanto a UE2022 foi produzida em 2023.

As versões fazem parte de um processo de atualização tecnológica que ocorreu ao longo dos últimos anos. Segundo o TSE, a UE2020 tem capacidade de processamento 18 vezes maior que a UE2015. Já a UE2022 é tecnicamente semelhante à UE2020, com mudanças no desenho do gabinete e ajustes na construção do equipamento. A geração mais recente também incorporou melhorias no processamento, no terminal utilizado pelo mesário e em mecanismos de segurança.

A UE2015 trouxe mudanças como a inclusão de códigos QR nos Boletins de Urna e o lançamento do aplicativo Boletim na Mão. A UE2013, lançada em 2014, veio acompanhada de aprimoramentos no sistema operacional Uenux, principalmente na área de criptografia. Essas melhorias foram mantidas nos modelos produzidos posteriormente.

A eleição está marcada para 4 de outubro, quando ocorrerá o primeiro turno. Um eventual segundo turno para as disputas de presidente e governadores será realizado em 25 de outubro. Em ambos os casos, a votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

Na urna, o eleitor fará seis escolhas. A ordem definida pelo TSE começa com deputado federal, seguido de deputado estadual ou distrital, no caso do Distrito Federal. Depois, serão escolhidos os dois senadores, um de cada vez, governador e vice-governador e, por fim, presidente e vice-presidente da República. Na tela, aparecerão o número, o nome, a fotografia, o cargo em disputa e a sigla do partido ou da federação correspondente.

Depósito central tem controle de segurança e umidade

Até o momento da transferência, as urnas permanecem reunidas no depósito centralizado do TRE-PA, em Ananindeua. A estrutura concentra os equipamentos que serão utilizados nas eleições em todo o estado. A transferência para as zonas eleitorais ocorre normalmente no período eleitoral, em geral a partir de agosto do ano do pleito.

“O Tribunal Regional Eleitoral do Pará contém um depósito de urnas centralizadas. Ou seja, todas as urnas usadas na eleição ficam aqui, em Ananindeua, no depósito de urnas”, explicou Tiago Neves.

Preparação inclui testes, lacres e fiscalização

Antes de serem liberadas para a votação, as urnas recebem os dados da eleição e passam por testes de funcionamento. Também são aplicados lacres de segurança. Os procedimentos podem ser acompanhados por representantes do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil, dos partidos políticos, das federações, das coligações e das demais entidades fiscalizadoras previstas pela Justiça Eleitoral.

A preparação inclui verificações de integridade e autenticidade dos sistemas instalados nos equipamentos. O TSE informa que os programas utilizados nas urnas são desenvolvidos pelo próprio tribunal. Depois de passarem pelo Teste Público de Segurança, os softwares são assinados digitalmente e lacrados em uma cerimônia pública realizada na sede do órgão, em Brasília.

Os códigos-fonte dos sistemas eleitorais estão disponíveis para inspeção desde 2 de outubro de 2025 e permanecerão acessíveis até 4 de setembro de 2026, quando está previsto o encerramento da Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais das Eleições Gerais de 2026. O tribunal afirma que o processo eletrônico conta com mais de 40 oportunidades de auditoria ao longo de cada biênio eleitoral.

A urna eletrônica completa 30 anos de utilização no Brasil em 2026. Desde a primeira adoção, em 1996, o sistema passou por mudanças de processamento, criptografia, acessibilidade, auditoria e transparência. Entre as atualizações recentes estão o intérprete de Libras na tela, a voz sintetizada para pessoas com deficiência visual e a publicação de arquivos como Boletins de Urna, registros digitais do voto e logs.

Transporte até os locais de votação

Depois que chegarem às zonas eleitorais, forem testadas e preparadas, as urnas serão transportadas aos locais de votação. O cronograma não é igual em todo o Pará. Ele depende da distância, das condições de acesso e da complexidade logística de cada região.

Há zonas eleitorais em que os equipamentos são enviados dois dias antes da votação. Em outras situações, podem sair na sexta-feira para chegar no sábado e permanecerem instalados e prontos no domingo. A estratégia permite ajustar o transporte às características de cada município e reduzir o intervalo entre a chegada da urna e o início do pleito.

“Tem zonas eleitorais, dependendo da sua complexidade logística, que são mandadas dois dias antes. Às vezes, na sexta-feira elas saem para chegar no sábado ao local de votação e estarem prontas ali no domingo”, explicou Tiago Neves.