📅 Publicado em 28/07/2026 17h35
Mais uma morte que poderia ter sido evitada aconteceu no Hospital Materno Infantil (HMI) de Marabá. Uma jovem mãe de 28 anos deu entrada no dia 9 deste mês, recebeu alta no dia seguinte e passou 10 dias em casa, sangrando até morrer, no último dia 21. O caso vinha sendo mantido a sete chaves, mas a reportagem deste CORREIO recebeu a informação e descobriu que a morte já foi denunciada à Polícia Civil.
A paciente em questão é Leudimere da Silva Rodrigues. A morte pode ter sido causada por uma gravidez ectópica (fora do útero), que não foi diagnosticada pela equipe médica durante o atendimento inicial. A informação foi repassada por um médico que analisou o caso. E é disso que a família desconfia. Por isso a polícia foi acionada.
Conforme apurado, a paciente não chegou à unidade com o diagnóstico de gravidez ectópica, o que teria levado a equipe a tratar o quadro como uma gestação intrauterina que havia evoluído para óbito fetal. Com essa hipótese, foi realizado um procedimento de curetagem para a retirada dos restos da gestação.
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Mas a gravidez, na verdade, estava localizada em uma das trompas. Sem a identificação desse quadro, não foi realizada a cirurgia indicada para remover a gestação ectópica e evitar o rompimento da trompa.
Como a trompa não possui condições de suportar o desenvolvimento da gestação, o rompimento do órgão ocorre inevitavelmente, provocando uma grave hemorragia interna, situação que levou a paciente à morte.
Com o agravamento do quadro, a família ainda procurou a unidade de saúde da Vila Três Poderes (zona rural de Marabá), onde moram. Mas ali mesmo é que não tinha a estrutura necessária. Depois de vários dias sofrendo, Leudimere faleceu.
Diante disso, os familiares levaram o corpo para o Instituto Médico Legal (IML) de Marabá, para ser submetido a exame de necropsia; e registraram Boletim de Ocorrência na Polícia Civil para investigar o caso.
A reportagem do CORREIO entrou em contato com parentes de Leudimere da Silva Rodrigues, mas eles não quiseram gravar entrevista, pois ainda estão muito abalados com o que ocorreu. Todavia, por telefone, um dos familiares usou a expressão “erro médico” para se referir ao episódio.
A causa da morte foi choque hipovolêmico, após hemorragia intra-abdominal, causada por gravidez tubaria que rompeu a trompa, conforme apurado por este CORREIO.
Apesar de procurada pela reportagem, a Prefeitura de Marabá ainda não emitiu nenhuma nota de esclarecimento sobre o assunto.
