📅 Publicado em 22/07/2026 11h26✏️ Atualizado em 22/07/2026 11h32
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância e ainda desperta muitas dúvidas entre pais e responsáveis. Em entrevista ao Correio de Carajás, o pediatra Íris Araújo explicou como identificar os principais sintomas, de que forma é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento. Em Parauapebas, crianças com diagnóstico confirmado ainda podem receber gratuitamente fórmulas infantis especiais por meio da rede municipal de saúde.
Segundo o médico, a APLV é uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no leite de vaca, e não à lactose, como muitas pessoas acreditam.
“O corpo da criança reage às três principais proteínas do leite de vaca: a caseína, a alfa-lactoalbumina e a beta-lactoglobulina. Não tem relação com a lactose, que é o açúcar do leite”, esclarece.
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Os sintomas variam de uma criança para outra. Entre os mais frequentes estão diarreia, que pode conter sangue, fezes espumosas, refluxo, dermatite, dificuldade para dormir, baixo ganho de peso e sangramento nas fezes.
O pediatra ressalta que um sintoma isolado, em geral, não é suficiente para levantar a suspeita da doença. Entretanto, quando dois ou mais desses sinais aparecem simultaneamente, aumenta a possibilidade de a criança apresentar APLV.
Outro ponto importante é que não existe exame de sangue capaz de confirmar o diagnóstico. A confirmação é feita por meio do chamado teste de exclusão.
Nesse procedimento, o leite de vaca e seus derivados são retirados da alimentação da mãe que amamenta ou, quando o bebê utiliza fórmula infantil, ela é substituída por uma fórmula especial. Uma das opções é a Neocate, comercializada em farmácias de Parauapebas por cerca de R$ 305.
A dieta costuma ser mantida por aproximadamente um mês. Em seguida, ocorre a reintrodução da proteína do leite para verificar se os sintomas reaparecem.
“Se os sintomas desaparecem durante a exclusão e retornam após a reintrodução do leite, o diagnóstico de APLV é confirmado”, explica o especialista.
O tratamento consiste justamente na exclusão da proteína do leite de vaca da alimentação. De acordo com Íris Araújo, as recomendações médicas indicam manter essa dieta por um período de seis a nove meses. Após esse intervalo, uma nova tentativa de introdução da proteína é realizada para verificar se a criança desenvolveu tolerância.
Na maioria dos casos, entre os nove meses e um ano de idade, a criança já consegue voltar a consumir leite e derivados sem apresentar reações alérgicas.
ONDE CONSEGUIR A FÓRMULA EM PARAUAPEBAS?
Famílias de crianças com diagnóstico confirmado de APLV podem solicitar gratuitamente fórmulas infantis especiais por meio do Programa de APLV, mantido pela Prefeitura de Parauapebas, por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde Dr. Bento Torres Pinto, no Bairro Rio Verde.
Na unidade funciona o Programa do Leite, onde a família realiza o cadastro e apresenta a documentação necessária, incluindo o laudo médico da criança. Depois dessa etapa, o paciente é encaminhado para avaliação com uma médica especialista e uma nutricionista, que definem a indicação da fórmula conforme os protocolos da rede municipal de saúde.
ENTENDA A DIFERENÇA
A intolerância à lactose não é uma alergia. Ela ocorre porque o organismo produz pouca ou nenhuma lactase, enzima responsável pela digestão da lactose, o açúcar presente no leite. Os sintomas mais comuns são gases, distensão abdominal, cólicas e diarreia após o consumo de leite e derivados.
Já a APLV é uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite de vaca. Por isso, diagnóstico, acompanhamento e tratamento são completamente diferentes.
