Correio de Carajás

Destroços de avião desaparecido há 74 anos são encontrados no mar; acidente matou 52 pessoas

Voo da Pan Am fez um pouso forçado no oceano após decolar de Porto Rico, em 1952. Incidente ajudou a mudar as normas de segurança da aviação comercial.

Esta imagem sem data, fornecida pela Fundação Histórica da Pan Am na terça-feira, 21 de julho de 2026, mostra o avião Clipper Endeavour — Foto: Pan Am Historical Foundation via AP

Os destroços de um avião da Pan Am que estava desaparecido havia 74 anos foram finalmente encontrados por exploradores no mar. A descoberta foi anunciada nesta terça-feira (21). O acidente matou 52 pessoas e mudou as normas de segurança da aviação comercial.

O caso aconteceu em 1952. Naquele ano, o Clipper Endeavor, um DC-4 da companhia aérea, perdeu potência nos motores pouco depois de decolar de Porto Rico e fez um pouso forçado no oceano. O voo tinha como destino Nova York e levava 69 pessoas.

  • Os 17 sobreviventes disseram aos investigadores que todos os passageiros e tripulantes sobreviveram ao impacto.
  • O drama começou logo depois, já que muitos passageiros não encontravam os coletes salva-vidas, e a tripulação enfrentava dificuldades para retirar os botes infláveis.
  • Em poucos minutos, a aeronave afundou.

 

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Os destroços foram localizados no mês passado por uma equipe que utilizou um drone submarino autônomo equipado com sonar. A fuselagem e a cauda do avião estavam a cerca de 2 mil pés de profundidade, o equivalente a aproximadamente 610 metros.

Segundo o especialista em segurança da aviação John Cox, o acidente se tornou um marco para a indústria.

“Este incidente se tornou um catalisador e ajudou a impulsionar avanços na segurança, como melhores equipamentos de flutuação e briefings pré-voo”, afirmou em entrevista à Associated Press.

“Portanto, este é um passo importante no caminho para o que hoje desfrutamos como segurança da aviação. Foi um grito de guerra na época.”

 

Atualmente, antes da decolagem, comissários orientam os passageiros sobre a localização das saídas de emergência, dos coletes salva-vidas e a forma correta de utilizá-los, um procedimento que ganhou força após o desastre.

Além do valor histórico, a descoberta também pode trazer esperança para familiares de vítimas de outros acidentes ocorridos no mar, como o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines, em 2014, que levava 239 pessoas a bordo.

Anos de pesquisa

 

Imagem mostra o logotipo da Pan Am entre os destroços do Clipper Endeavou — Foto: Air/Sea Heritage Foundation e Deep Sea Vision via AP
Imagem mostra o logotipo da Pan Am entre os destroços do Clipper Endeavou — Foto: Air/Sea Heritage Foundation e Deep Sea Vision via AP

A busca pelo Clipper Endeavor começou em 2019, quando o pesquisador Russ Matthews leu uma notícia sobre uma etiqueta de bagagem do voo que havia aparecido na costa da Flórida.

A partir dali, ele passou anos analisando arquivos da Pan Am, da Guarda Costeira dos Estados Unidos e relatórios do então Conselho de Aeronáutica Civil, órgão que antecedeu a Administração Federal de Aviação (FAA).

A pista decisiva veio de documentos encontrados em Porto Rico, incluindo o mapa elaborado por pilotos da Força Aérea americana que testemunharam a queda durante um voo de treinamento e estimaram o local do acidente.

Uma primeira tentativa de localizar os destroços, em 2024, fracassou por causa do mau tempo. Neste ano, porém, Matthews contou com a ajuda da empresa Deep Sea Vision, especializada em exploração submarina.

Imagem mostra destroços do voo da Pan Am no fundo do mar — Foto: Air/Sea Heritage Foundation and Deep Sea Vision via AP
Imagem mostra destroços do voo da Pan Am no fundo do mar — Foto: Air/Sea Heritage Foundation and Deep Sea Vision via AP

Em abril, uma embarcação da empresa que transportava um drone submarino equipado com sensores capazes de detectar a aeronave iniciou as buscas.

Com base nas pesquisas históricas e em dados meteorológicos da época do acidente, os exploradores delimitaram uma área de cerca de 34 quilômetros quadrados.

O drone encontrou os destroços logo na primeira varredura, embora a equipe só tenha percebido isso quando o equipamento retornou à superfície e as imagens foram descarregadas.

O momento foi registrado pela equipe do programa “Expedition Unknown”, do Discovery Channel. Nas imagens divulgadas nesta terça-feira, é possível ouvir a reação dos pesquisadores quando a silhueta do avião aparece na tela.

(Fonte:G1)