Correio de Carajás

No Dia da Pizza, marabaense transforma sonho de infância em referência na gastronomia

Chef André relembra como a vontade de comer pizza se transformou em uma carreira reconhecida dentro e fora do Brasil

Chef de cozinha sorrindo entusiasticamente segurando uma pizza artesanal em um ambiente externo.
Chef há 12 anos, o marabaense André transformou um sonho de infância em uma carreira reconhecida na culinária/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Milla Andrade
✏️ Atualizado em 10/07/2026 09h57

Para muita gente, pizza é sinônimo de confraternização. Para o chef André Felipe Mota Alves, de 40 anos, nascido e criado no Bairro Cabelo Seco, em Marabá, ela representa a realização de um sonho que nasceu em uma infância simples e ganhou projeção nacional e internacional.

Gastrólogo, chef de cozinha, pizzaiolo e especialista em diversas áreas, como gastronomia autoral, mineira, amazônica e peruana, André também é integrante da Federação Italiana de Cozinheiros no Brasil (ACIB-FIC).

Há 12 anos na gastronomia, André conta que sua primeira formação foi na área de panificação e massas. Apesar disso, foi somente há seis anos que decidiu mergulhar definitivamente no universo das pizzas. “O mundo da pizza entrou na minha vida como um desafio de infância. Venho de uma família humilde. Na época, víamos as pessoas comendo pizza, e éramos quatro irmãos. Para ir a uma pizzaria ficava muito caro”, relembra.

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Em uma entrevista emocionante, em um dos cartões-postais de Marabá, a Praça São Félix, o chef conta que, quando entrou no mundo da gastronomia, o maior questionamento foi justamente por que não fazer aquilo que antes era apenas um sonho. “Sempre tive vontade de comer e não conseguia”, compartilha.

Filho de enfermeira e de vendedor, ele conta que a curiosidade logo deu lugar ao estudo. André passou a pesquisar a origem da pizza, técnicas de fermentação, tipos de farinha e métodos tradicionais de preparo. “Eu entendi que pizza não era simplesmente trigo e água. Ela tem uma história e, por isso, fui muito mais a fundo no assunto”, acrescenta.

Para o chef, a iguaria não é apenas recheio. É dedicação, empenho e amor. “Fui atrás da história e, quando conheci a verdadeira pizza, percebi que a vida toda comi massa de pão”, diz.

SABORES QUE CONQUISTAM

Hoje, André é reconhecido pelo trabalho desenvolvido com pizzas de estilo italiano, utilizando equipamentos de alta performance e técnicas que reproduzem o resultado de uma pizzaria profissional até mesmo em eventos realizados em praças, residências e espaços reduzidos. “Nosso objetivo sempre foi levar o verdadeiro sabor italiano com uma estrutura menor. O forno que utilizo chega a 500 graus, aquece de cima para baixo e permite fazer uma pizza de alta qualidade em qualquer ambiente”, completa.

Durante a entrevista, o chef revela ainda que, embora mantenha um cardápio com sabores tradicionais, os clientes têm buscado experiências mais sofisticadas. “O sabor mais pedido hoje no meu estabelecimento é a burrata com presunto Parma. Logo depois vem a pizza carro-chefe de calabresa”, pontua.

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Para o pizzaiolo, o diferencial está nos detalhes. Reconhecido pela criatividade e valorização da culinária paraense, André brinca na cozinha e também fora dela. A inovação dos novos fornos permite levar o melhor da culinária a diferentes lugares da cidade, sempre valorizando ingredientes que enaltecem a gastronomia paraense.

Apaixonado pelo que faz, ele é enfático ao revelar que não existe segredo em sua cozinha. “Nossa pizzaria é de vidro. A ideia é nunca guardar segredo. Nossas pizzas recebem um toque agridoce com fios de mel. É um detalhe que deixa todos com água na boca”, revela.

Outro ponto destacado por ele é a massa, que exige estudo da temperatura, fermentação, qualidade da farinha e tempo de descanso. Cada massa demora, em média, uma hora para ser preparada e só pode ser consumida após quatro ou cinco dias de descanso adequado.

Orgulhoso, o chef de cozinha assegura que o trabalho desenvolvido em Marabá o levou a conviver com alguns dos principais nomes da pizzaria mundial. Hoje, ele mantém contato com chefs internacionais e participa de competições especializadas.

O reconhecimento, no entanto, veio acompanhado de desafios. “Há cinco anos recebi uma crítica de um chef de cozinha que disse que eu nunca seria um pizzaiolo. Foi quando parei e pensei: ‘Por que não fazer isso?’”, recorda.

A crítica o motivou ainda mais a estudar, para entender profundamente a pizza e levar o nome de Marabá para o Brasil e o mundo. Agora, o próximo passo é ainda maior, disputar um campeonato mundial na Macedônia. “O prêmio que estou esperando está vindo, depois de quatro anos tentando”, prevê.

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MAIS QUE UMA DATA COMEMORATIVA

No Dia Mundial da Pizza, chefe André acredita que a homenagem vai além do calendário. “Todo dia é dia de comemorar. É uma festa na mesa de todos. A pizza é tudo para mim”, encerra.

Ao olhar para a própria trajetória, o marabaense declara que a maior recompensa não está apenas nos prêmios conquistados, mas na confiança dos clientes e no crescimento da equipe.

Para André, o Dia Mundial da Pizza é apenas um símbolo de uma história construída diariamente com muito trabalho. Mais do que acumular títulos, ele acredita que o verdadeiro legado está nas pessoas que ajudou a formar ao longo do caminho. Ver sonhos ganhando continuidade por meio de sua equipe é, para ele, a prova de que todo esforço valeu a pena. Afinal, a pizza que um dia parecia distante para um menino do Cabelo Seco hoje reúne famílias e cria memórias em torno da mesma mesa. Como ele costuma dizer, dia de pizza é todo dia.

SAIBA MAIS

Quem quiser experimentar a pizza do chef André pode procurar a N”Bis Pizzaria Burger, localizada no bairro São Félix.