📅 Publicado em 08/07/2026 07h44✏️ Atualizado em 08/07/2026 09h42
Por volta das 6h da manhã desta quarta-feira (8), a Polícia Civil prendeu Weverson Huge Ribeiro da Silva. Ele é acusado de assassinar Marli Pereira da Silva, recepcionista do Grupo CORREIO. O crime, tratado como feminicídio, ocorreu no dia 10 de março deste ano e, desde então, a sociedade cobrava uma resposta.
O mandado de prisão preventiva já estava em poder da polícia desde a última sexta-feira (3). Segundo o delegado Antônio Mororó, superintendente de Polícia Civil do Sudeste do Pará, a operação foi adiada por dias para garantir que o suspeito fosse localizado antes de ser abordado. A preocupação tinha fundamento: após o crime, Weverson havia deixado Marabá por um período.
Quando os policiais chegaram ao endereço nesta quarta, encontraram uma situação que indica que o suspeito tentava se precaver — ele havia modificado a porta da casa e estava no imóvel ao lado, de onde tinha visão da entrada pelo fundo. Foi preso mesmo assim.
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Quatro meses de espera
O caso começou na manhã de 10 de março, quando Marli não apareceu para trabalhar. Ela raramente faltava. O telefone estava fora de área. Colegas passaram o dia tentando localizá-la. No final da manhã, a Polícia Rodoviária Federal comunicou à Polícia Civil ter encontrado um corpo feminino dentro do Rio Tauarizinho, abaixo da ponte da BR-230, próximo ao bairro Cidade Jardim. Era Marli. O laudo do IML apontou asfixia mecânica por afogamento como causa da morte. Havia hematomas no corpo, sugestivos de luta corporal.
Funcionária do Grupo Correio há 11 anos, Marli tinha 40 anos, era querida pelos colegas e muito conhecida na Folha 33, bairro onde morava.

Weverson, ex-colega de trabalho de Marli, foi identificado como principal suspeito desde os primeiros dias. Era a última pessoa a ter estado com ela antes do crime — na noite anterior, os dois haviam se encontrado, confraternizado e bebido juntos. Dois dias após o assassinato, ele se apresentou à Polícia Civil acompanhado de dois advogados, ficou em silêncio e foi liberado, pois não havia prisão preventiva decretada. A cena gerou revolta. Amigas e familiares de Marli protestaram em frente à delegacia. “Dói saber que o tal suspeito está solto. Esse caso não pode ser só um caso a mais”, disse Érica Tamara Gomes, amiga da vítima.
Semanas se passaram sem novidades públicas. A delegada responsável pelo caso, Eliene Carla de Lima, do Departamento de Homicídios, mantinha sigilo sobre as investigações, informando apenas que 11 testemunhas haviam sido ouvidas. De forma não oficial, circulava a informação de que Weverson teria confessado o crime a familiares e aos próprios advogados — mas para a polícia, permaneceu calado.
Nesta quarta, a prisão foi cumprida. Weverson será encaminhado ao sistema prisional. O delegado Mororó afirmou que as provas reunidas são suficientes para sustentar a manutenção da prisão e instruir uma futura ação penal. A defesa não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
