📅 Publicado em 11/06/2026 15h04✏️ Atualizado em 11/06/2026 15h10
Antes mesmo de a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, Marabá já entrou em campo, e o placar, por enquanto, é econômico. Entre camisas personalizadas, ruas decoradas, bares lotados e uma corrida por produtos temáticos, o maior evento esportivo do planeta provocou uma onda de consumo que movimenta do pequeno ambulante às empresas especializadas. Em diferentes pontos da cidade, comerciantes apostam que a paixão pelo futebol pode se converter em faturamento, novos clientes e um impulso extra para fechar o ano em alta.
Enquanto milhões de torcedores se preparam para vibrar com os jogos, uma cadeia robusta de empresas, bares, restaurantes, lojas de confecção, pequenos empreendedores e vendedores ambulantes, enxerga no torneio futebolístico a oportunidade ideal para alavancar faturamentos e conquistar novos clientes.
O aquecimento do comércio varejista e de serviços é um dos indicadores mais claros desse impacto. A busca por artigos personalizados, roupas temáticas e adereços que remetem a Copa, transforma o ritmo de trabalho de setores inteiros, exigindo das empresas locais um planejamento estratégico focado em alta produtividade e inovação tecnológica para dar conta do recado.
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Um exemplo prático desse fervor é a loja Cia do Bordado, localizada na Velha Marabá. O estabelecimento está com uma alta demanda, impulsionada pela paixão do torcedor em vestir as cores do Brasil.
Segundo o vendedor João Vítor, que atua há cerca de três anos na empresa, o fluxo de clientes teve um crescimento expressivo se comparado à edição passada do torneio. Para atender ao público que busca personalizar camisas e uniformes da Seleção Brasileira, a loja precisou adotar medidas estratégicas.

“O ritmo na confecção é frenético. Em apenas 24 horas a equipe chegou a produzir mais de 100 uniformes personalizados da Seleção Brasileira para dar vazão ao fluxo constante de clientes. É gente chegando toda hora, e nós estamos fazendo o máximo possível para entregar tudo a tempo”, conta.
A busca não se restringe ao espaço físico. Com atendimento online, a loja também enfrenta forte congestionamento, exigindo desdobramento da equipe para garantir que os pedidos virtuais sejam processados.
O salto de faturamento e o aumento da procura em relação à última Copa também estão atrelados à modernização dos serviços. Segundo o colaborador, além do tradicional bordado, a introdução da pintura DTF, com técnica de estamparia digital de alta qualidade para uniformes esportivos, tornou-se o principal atrativo para atrair o consumidor exigente.
CAMISA: A QUERIDINHA
Pelas ruas da Velha Marabá, o CORREIO encontrou o vendedor autônomo Edinaldo Gomes Feitosa. Ele é um dos muitos marabaenses que foram às compras para renovar o estoque de torcida da família. Para ele, o esforço do torcedor fora de campo funciona como um combustível essencial para os jogadores.
“Está todo mundo correndo atrás de encontrar a sua camisa para torcer na Copa. A intenção é dar uma força como torcedor para ver se a gente traz esse campeonato para nós, esse Hexa, se Deus quiser”, afirma Feitosa, que estava segurando um modelo específico na cor azul destinado ao membro mais jovem da família, um bebê, que já vai acompanhar o torneio devidamente uniformizado.
Embora os preparativos visuais ainda estejam no início, o plano para engajar a vizinhança já está no radar dos moradores. Edinaldo revela que deve começar nos próximos dias de forma coletiva. “Ainda não decorei, mas vamos ver se combino com os vizinhos para podermos decorar a rua para ficar bonita”, conta.
Na Avenida Antônio Maia, na Velha Marabá, o comércio de rua se transformou em um verdadeiro mar verde e amarelo (misturado com as roupas de festa junina) com trabalhadores autônomos aproveitando a oportunidade da Copa do Mundo para aquecer o orçamento.
O BOOM DA FEIRANTE
Há mais de uma década trabalhando no local ao lado do marido, a feirante Juliane Silva Ferreira acompanha de perto esse fenômeno. “O pessoal gosta desse clima da Copa, o brasileiro gosta dessa movimentação e dessa festa. Tem hora que dá aquela ‘muvuca’ de gente. Esse período é bom demais para as nossas vendas”, relata Juliane.
Para garantir o sucesso nas vendas e se destacar no mercado local, a estratégia dos pequenos empreendedores tem sido a diversificação, com as tradicionais camisas, bandeiras, bonés e adereços. Segundo Juliane, a variedade é o grande diferencial para manter o movimento aquecido e garantir que nenhum cliente saia de mãos vazias.

“A expectativa é de ótimas vendas, tanto para nós quanto para todo mundo que vende também. Nossa torcida agora é para que o Brasil vença, que tenhamos bons jogos e que venha o Hexa!”, torce, entusiasmada.
Bar resgata cultura das ruas pintadas
O clima do maior evento de futebol do mundo chegou, e há quem tenha planejado o próprio negócio para surfar nessa onda. É o caso do Bar Raiz, cujo projeto foi concebido e teve sua inauguração antecipada estrategicamente para coincidir com o início da Copa do Mundo.
O proprietário do estabelecimento, Jhonattan Giacomini Rechzinski, revelou que a resposta do público tem superado todas as expectativas iniciais. “A gente já vem se preparando há um bom tempo. Na verdade, criamos o bar e antecipamos a inauguração justamente por causa da Copa. Estamos surpresos com esse boom de clientes. É gente tirando foto e chegando a todo momento”, comemora o empresário, que vem registrando casa cheia diariamente.
Para se diferenciar no mercado em um período de alta concorrência entre bares e restaurantes, o estabelecimento apostou na nostalgia e no resgate cultural. A tradicional decoração verde e amarela não ficou restrita ao ambiente interno.
“Fizemos uma decoração toda exclusiva e decoramos a rua. Trouxemos de volta aquela cultura das bandeirinhas e das crianças pintando o asfalto”, destaca Jhonattan.

Além do apelo visual, o empresário investiu em uma logística robusta para os dias de jogos. Com as licenças devidamente aprovadas pelos órgãos públicos, a rua em frente ao bar será fechada para o tráfego de veículos, dando lugar a uma estrutura que contará com transmissão em dois telões, espaço de kids para as crianças, e um reforço de garçons e no efetivo de segurança privada para garantir o conforto dos clientes.
Segundo o empresário, o objetivo principal da estrutura montada na rua é atrair o público familiar, oferecendo um ambiente onde pais e filhos possam torcer juntos com tranquilidade. “Pensamos muito nas famílias. Queremos que as pessoas venham aqui, vibrem, sejam bem atendidas e, principalmente, tenham segurança. O Brasil não pode decepcionar. A nossa parte aqui nós estamos fazendo. Com certeza o Brasil vai mostrar um bom futebol e teremos muitos jogos pela frente até a grande final”, torce.
A esperança de melhorar o faturamento no comércio de Marabá evidencia como os grandes eventos esportivos funcionam como motores da economia. O dinheiro que circula na compra de uma camisa personalizada ou na ida a um bar pra assistir o jogo, e acaba gerando um efeito dominó: garante a renda de prestadores de serviço, movimenta fornecedores de matéria-prima e incentiva a contratação de mão de obra temporária ou o pagamento de horas extras.
Seja no ambiente digital ou nas ruas da cidade, a Copa do Mundo de 2026 consolida a economia local.

