📅 Publicado em 25/05/2026 17h23✏️ Atualizado em 25/05/2026 17h31
As balsas da empresa Pipes entraram em operação na tarde desta segunda-feira (25), restabelecendo a travessia de veículos entre o Pará e o Tocantins na BR-230. A retomada acontece depois que a ponte sobre o rio Araguaia — que liga Araguatins (TO) a Palestina do Pará (PA) — foi totalmente interditada no mês passado por falta de segurança estrutural. Com isso, a região volta a reviver uma realidade que dominou aquele trecho por muitos anos e que havia sido extinta em 2010, com a inauguração da própria ponte.
A travessia está sendo realizada mediante pagamento pelos motoristas e pilotos de motocicleta. No entanto, segundo a própria Pipes e o DNIT, está sendo viabilizada a contratação do serviço pelo Governo Federal para que, em breve, a travessia passe a ser gratuita para os usuários — solução que deverá se manter até que uma nova ponte seja construída no local.

Como chegamos até aqui
A operação das balsas é o desfecho de uma semana de intensa pressão política e social. Na última sexta-feira (22), o Correio de Carajás noticiou que imagens aéreas captadas no local já mostravam maquinário pesado abrindo caminho e preparando rampas de acesso para a chegada e saída das embarcações — sinal claro de que a operação estava iminente.
A virada aconteceu na noite de quinta-feira (21), durante uma reunião de mobilização em Araguatins que reuniu representantes de todos os setores da cidade. O prefeito Aquiles, divulgou um vídeo com um documento indicando que o DNIT havia autorizado a empresa Pipes a realizar o transporte fluvial com cobrança de tarifa diretamente ao usuário.
Juno Marzola, um dos organizadores do encontro, confirmou a informação: “O documento preconiza que o DNIT autorizou a empresa Pipes a fazer o transporte pago pelo usuário, o que já nos satisfaz plenamente.”
A reunião também produziu um documento elaborado em conjunto com a OAB regional de Araguatins, encaminhado ao DNIT, com duas pautas: a liberação das balsas para o transporte — mesmo que pago — e, se não houver risco à segurança, a liberação da plataforma da ponte para a circulação de carros e motos.
O impasse
A negociação para a operação emergencial das balsas esteve paralisada por dias em razão de uma divergência entre o Governo Federal e a empresa. O DNIT insistia em oferecer a travessia de forma gratuita aos motoristas, mas a Pipes não chegava a um acordo com o valor que o governo pretendia pagar pelo serviço. A saída encontrada — autorizar a cobrança direta ao usuário, com a perspectiva de futura contratação federal — foi comemorada por moradores e lideranças locais como uma solução pragmática para um impasse que já causava prejuízos crescentes à região.
A tabela de preços
Com a operação paga, a empresa Pipes divulgou a tabela de tarifas cobradas na travessia entre Araguatins (TO) e Palestina (PA). Os valores variam de acordo com o tipo de veículo. Pedestres e passageiros pagam R$ 5,00, o mesmo valor cobrado por bicicleta, moto/mobilete e animal em tropa (por cabeça). Automóveis custam R$ 25,00 e caminhonetes, R$ 25,00 (com reboque, R$ 30,50).
Para os veículos de carga, os valores sobem conforme o porte: caminhão 3/4 carregado custa R$ 53,00 (vazio, R$ 43,00); caminhão toco carregado, R$ 73,50 (vazio, R$ 53,00); caminhão truck carregado, R$ 94,00 (vazio, R$ 73,50). Já as carretas têm tarifas progressivas: a de 4 eixos carregada custa R$ 117,00; a de 6 eixos, R$ 170,50; a de 8 eixos, R$ 234,00; a de 9 eixos, R$ 265,00; e a de 10 eixos carregada, R$ 294,00 — a tarifa mais alta da tabela. Ônibus custam R$ 76,25 e micro-ônibus, R$ 45,75. Tratores de esteira são cobrados a R$ 89,00 e pá mecânica ou patrol, R$ 53,00.
O futuro da travessia
A interdição da ponte tem origem em problemas estruturais reconhecidos pelo próprio DNIT. O órgão já sinalizou que a solução mais provável é a demolição da estrutura para posterior reconstrução — perspectiva que preocupa profundamente as comunidades dos dois lados do rio, que dependem da travessia para o escoamento da produção agrícola, o abastecimento do comércio e o acesso a serviços essenciais.
Enquanto as balsas operam como solução emergencial, a população aguarda um cronograma concreto de obras que ainda não foi divulgado pelo governo federal.
