Correio de Carajás

Mães atípicas cobram CPI da Saúde e denunciam falta de medicamentos

Mulher falando ao microfone em uma mesa de reunião com outras pessoas.
Mães de crianças com TEA sofrem desde o ano passado sem atendimento adequado para seus filhos em Marabá

A sessão da Câmara Municipal de Marabá desta terça-feira (12) foi marcada por fortes denúncias feitas por mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que cobraram a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a falta de medicamentos, dificuldades em terapias e atendimentos especializados na rede pública de saúde.

Representando a rede de mães atípicas, Caroline Silva utilizou a tribuna para relatar a situação enfrentada pelas famílias. Segundo ela, medicamentos essenciais estão em falta desde o ano passado, incluindo remédios de uso contínuo para crianças com TEA. Ela citou como exemplo a falta de Bupropiona, Duloxetina, Divalproato, Diosmina Hesperidina, Glucosamina Condroitina, Sertralina e Risperidona “Meu filho está sem medicação e tenho que me virar. O município deu as costas para a gente”, afirmou.

Caroline também denunciou dificuldades para obtenção de laudos médicos devido à demora na realização de exames e à ausência de profissionais especializados, como neuropsicólogos. Ela relatou ainda que muitas famílias não têm condições financeiras de comprar os medicamentos, considerados de alto custo.

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Durante o pronunciamento, a representante das mães atípicas pediu apoio dos vereadores e defendeu a abertura de uma CPI da Saúde para apurar a destinação dos recursos públicos voltados à compra de medicamentos e à oferta de terapias.

Vereadores se manifestam

O vereador Márcio do São Félix afirmou que a mobilização das mães trouxe maior visibilidade ao problema e criticou a gestão da saúde pública no município. “Em Marabá não falta recurso, falta gestão e administração”, declarou.

Já a vereadora Vanda Américo destacou que a ausência de medicamentos pode provocar regressão no quadro das crianças autistas e adoecimento das famílias. “Não dá mais para empurrar com a barriga. Essa situação precisa ser resolvida”, disse. Ela também afirmou que existem programas federais destinados ao repasse de recursos para aquisição de medicamentos, defendendo que a Secretaria Municipal de Saúde apresente esclarecimentos à população.

O vereador Ubirajara Sompré declarou apoio à abertura da CPI e pediu prestação de contas sobre gastos com terapias e medicamentos. “Quem tiver culpa que pague e devolva o dinheiro”, afirmou.

O projeto de abertura da CPI foi apresentado em plenário e já conta com três assinaturas. Nesta quarta-feira, às 10 horas, ocorre uma reunião com a secretária de saúde, Lícia Conceição Souza, para verificação de algumas questões relacionadas a contratos e pagamentos de fornecedores da Secretaria Municipal de Saúde de Marabá. Mais vereadores devem assinar o documento ainda nesta quarta-feira.