Correio de Carajás

Mulher de 59 anos morre após realizar ‘minilipo’ em Marabá

Vítima ainda chegou a ser socorrida para o Hospital Municipal de Marabá, onde foi encaminhada para a UTI, mas não resistiu à infecção

Mulher sorrindo em vestido preto sentada em ambiente noturno com luzes coloridas.
As circunstâncias da morte de Marlene Moraes estão sendo apuradas pela polícia, que tem várias interrogações a responder
Por: Ana Mangas e Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 06/05/2026 10h47

Marlene Silva Moraes, de 59 anos de idade, morreu nesta terça-feira, 5, no Hospital Municipal de Marabá. A paciente deu entrada na casa de saúde após passar mal, cerca de dois dias depois de realizar um procedimento estético chamado ‘minilipo’.

De acordo com o relato feito à Polícia Civil pelo filho da vítima, Miguel Ângelo Morais Ramos (que é policial militar), Marlene havia passado dois dias antes por uma cirurgia plástica e teria apresentado episódios de vômitos e falta de apetite antes do procedimento. Mas, como os exames pré-operatórios, realizados de forma particular, não teriam apontado alterações significativas, ela decidiu realizar a intervenção cirúrgica.

No boletim de ocorrência não consta informações sobre o nome da clínica em que foi realizado procedimento cirúrgico, mas informa que o médico que realizou o procedimento em Marlene é “Dr. Paulo”, sem sobrenome.

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O filho informou que após a cirurgia (possivelmente realizada entre quinta e sexta-feira), a mãe recebeu alta e retornou para casa. No último domingo (3), ela começou a sentir um leve desconforto, embora permanecesse consciente, alimentando-se e caminhando normalmente.

Já na segunda-feira (4), diante da persistência dos sintomas, a vítima foi levada ao HMM, onde deu entrada caminhando e conversando. Contudo, após a admissão hospitalar, o quadro clínico apresentou uma piora súbita, sendo necessária a intubação e transferência para a Unidade de Terapia Intensiva.

Durante o atendimento no hospital, novos exames foram realizados, diagnosticando insuficiência renal aguda e infecção intestinal, divergindo dos exames pré-operatórios que a família possuía. O filho da vítima mencionou ainda que ele próprio faz tratamento de hemodiálise.

Apesar dos esforços médicos, o estado de saúde de Marlene se agravou de forma intensa e ela não resistiu, vindo a óbito na tarde de ontem, 5 de maio. Segundo o prontuário médico citado pelo relator, a causa da morte teria sido uma infecção.

O caso foi registrado na 21ª Seccional Urbana de Marabá para as providências cabíveis e apuração dos fatos.

A Reportagem apurou que no IML de Marabá foi constatado que a vítima sofreu embolia pulmonar maciça e fascite necrotizante, com procedimento estético possivelmente realizado em local sem assepsia.

O CORREIO segue tentando falar com Miguel Ângelo, filho de Marlene, mas até a publicação desta matéria não tivemos retorno do mesmo. O médico Dr. Paulo, também, procurado por telefone, não atendeu às ligações.

Marlene, que tinha pouco mais de 50 anos de idade, morava na Folha 20, Nova Marabá, e deixa três filhos órfãos: Miguel Ângelo, Diego e Ulisses.

Duas fontes informaram à Reportagem que o procedimento teria sido realizado em uma clínica na Folha 20, mas na mesma folha em que ela morava não há registro oficial de um local que realize esse tipo de cirurgia.

Segundo relatos de pessoas da família ouvidas pela Reportagem do CORREIO, Marlene havia realizado outros dois procedimentos estéticos em 2025 e escondia o fato às sete chaves dos filhos, inclusive essa última cirurgia a única pessoa que sabia seria sua nora, de prenome Samara, que é técnica de enfermagem,

O corpo de Marlene está sendo velado na manhã desta quarta-feira (6) na Igreja Quadrangular da Folha 21, na Nova Marabá.