Correio de Carajás

Dnit quer bloqueio total do tráfego na ponte do Araguaia na BR-230

A interdição da ponte sobre o Rio Araguaia, que conecta Araguatins (TO) e Palestina do Pará (PA), não tem prazo para acabar e gera preocupação logística na região.

Ponte rodoviária sobre um rio extenso com um ônibus passando, em meio a paisagem rural e vegetação.
Ponte sobre o rio Araguaia agora tem interdição total pelo Dnit e está sem operação/Foto: Arquivo CORREIO
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 20/04/2026 20h59

A travessia entre os estados do Pará e do Tocantins pela BR-230 (Rodovia Transamazônica) segue preocupante. O DNIT afirmou, em e-mail à imprensa, que interditou totalmente da ponte sobre o Rio Araguaia, que liga os municípios de Palestina do Pará (PA) e Araguatins (TO). Nesta segunda-feira (20), no entanto, motoristas relataram ter transitado livremente pelo local.

A medida drástica, segundo o órgão federal, é essencial para garantir a segurança dos usuários e permitir a execução de uma inspeção técnica minuciosa na estrutura.

Na mensagem, o Dnit diz que a interdição total não tem prazo definido para terminar. O bloqueio se estenderia até a conclusão dos trabalhos da equipe técnica especializada, que atua no local desde o dia 14 de abril realizando ensaios, levantamentos e avaliações das condições estruturais da ponte.

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O CORREIO consultou o escritório do Dnit em Marabá, que também disse não saber de bloqueio total, num primeiro momento. Minutos mais tarde, admitiu que o Dnit Brasília tem essa intenção. Destacaram, ainda, que o Dnit do Tocantins é que está responsável pelas inspeções.

Histórico de restrições

A paralisação total do tráfego é o ápice de uma crise estrutural que vem se desenhando há meses. Desde o início de março deste ano, a ponte já operava sob severas restrições de carga impostas pelo próprio DNIT. Na ocasião, o órgão limitou a circulação a veículos com até seis eixos, estabelecendo um peso máximo de 8,5 toneladas por eixo e um peso bruto total de 53 toneladas. Cargas especiais já estavam terminantemente proibidas de utilizar a travessia.

As restrições preventivas foram motivadas por laudos técnicos preliminares que apontaram fragilidades alarmantes na construção. Os estudos indicaram uma redução na rigidez estrutural da ponte, que estaria operando com uma capacidade cerca de 8% inferior à prevista no projeto original.

Além disso, foram identificados sinais visíveis de degradação, como o esfarelamento do concreto e a exposição das armaduras de aço, comprometendo a integridade da obra.

Inaugurada há 15 anos

A interdição da ponte sobre o Rio Araguaia na BR-230 chama a atenção não apenas pelos impactos logísticos, mas também pelo tempo de vida útil da estrutura. Inaugurada com grande pompa em 25 de outubro de 2010, a obra custou aos cofres públicos cerca de R$ 71 milhões na época.

Com 900 metros de extensão, a ponte foi construída pela Egesa S/A em um processo que se arrastou por oito anos, de 2002 a 2010. Na época de sua entrega, foi celebrada como um marco para a integração regional, substituindo o lento e custoso serviço de balsas que operava no local.

Quinze anos depois, a necessidade de uma interdição total para avaliar falhas estruturais levanta questionamentos sobre a qualidade dos materiais empregados e a eficiência da manutenção preventiva ao longo da última década.

Rotas alternativas

Com as restrições ou com o bloqueio total da ponte em Araguatins (caso realmente se dê), o DNIT orienta os motoristas a utilizarem rotas alternativas para garantir a continuidade do tráfego com segurança e reduzir os transtornos logísticos. O órgão mapeou quatro opções principais de desvio:

 

Rota 1 – BR-153 com travessia em Xambioá (TO) / São Geraldo do Araguaia (PA): Considerada a principal e mais segura alternativa, esta rota utiliza a BR-153 até a região de Xambioá, realizando a travessia pela nova ponte inaugurada recentemente, que liga o município tocantinense a São Geraldo do Araguaia. O percurso é totalmente pavimentado e não possui restrições de carga. Após a travessia, o fluxo segue normalmente pela malha rodoviária do Pará.

 

Rota 2 – BR-230 até Buriti do Tocantins com travessia por balsa: O motorista deve seguir pela BR-230 até Buriti do Tocantins, acessar a TO-010 e realizar a travessia por balsa no Rio Tocantins. Em seguida, o trajeto continua pela MA-125 e BR-222 até chegar a Marabá (PA). Esta opção inclui trechos não pavimentados.

 

Rota 3 – Desvio por Esperantina (TO): Alternativa pela região de Esperantina, com travessia por balsa no Rio Araguaia entre Esperantina (TO) e São João do Araguaia (PA). Após a travessia, o motorista segue para Marabá e demais conexões regionais. Também inclui trechos sem asfalto.

 

Rota 4 – Desvio pelo Maranhão (Imperatriz): Opção de percurso totalmente pavimentado e sem a necessidade de uso de balsas. O trajeto é feito via Imperatriz (MA), utilizando as rodovias BR-010 e BR-222.

O DNIT reforça que as equipes técnicas continuam monitorando ininterruptamente as condições da estrutura e que novas atualizações sobre o andamento da inspeção e a possível liberação do tráfego serão divulgadas conforme o avanço das avaliações. Enquanto isso, o setor de transporte de cargas e a população local aguardam com apreensão o diagnóstico final sobre o futuro da ponte.