📅 Publicado em 21/04/2026 09h00✏️ Atualizado em 21/04/2026 13h03
Cerca de 327 famílias ligadas ao Acampamento Pôr do Sol mantêm, há 12 dias, uma ocupação em frente à sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Marabá. O grupo, que anteriormente estava acampado às margens do Rio Itacaiunas, às proximidades do Bairro da Paz, decidiu transferir a mobilização para a porta do órgão federal como forma de pressionar pela vistoria e destinação de terras públicas para assentamento.
A organização do movimento afirma que as famílias, estimadas aproximadamente 600 pessoas entre adultos e crianças, estão cadastradas no sistema do governo desde 2023, mas o processo de obtenção de terra não avançou no ritmo esperado. Segundo Manuel Floriano Gomes, um dos fundadores e organizadores do acampamento, a paciência do grupo “se esgotou diante da lentidão do Estado”.
Diferente de outras ocupações que buscam a desapropriação de fazendas, o Pôr do Sol reivindica o acesso legal a áreas que já pertencem à União. No local, a rotina é de resistência, pois enquanto parte do grupo sai para trabalhar e garantir o sustento, outros permanecem na vigilância das barracas e na manutenção da cozinha coletiva.
Leia mais:“A gente resolveu pressionar o Governo a assentar essas famílias porque as áreas de ocupação andaram, mas as áreas de acampamento, não. A questão de quem ainda não tem acesso à terra está travada. Por isso, montamos acampamento aqui por tempo indeterminado e não pretendemos levantar enquanto não for resolvido nosso problema”, afirma Floriano.

Resistência e apoio
O movimento conta com o suporte jurídico e logístico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Floriano explica que, embora o Incra tenha sinalizado que o processo está “avançado” e que terras públicas estão sendo identificadas, não há uma localização exata ou prazo definido para a entrega.
Mesmo sob condições precárias e a frequência de chuvas, o líder destaca que a mobilização segue pacífica, sem o intuito inicial de fechar rodovias ou ferrovias, apoiando-se no diálogo institucional (ainda que não descarte estratégias mais firmes caso não haja respostas).
“Nós queremos o processo legal, do jeito que foi prometido para nós, ninguém quer invadir fazenda. Queremos que o governo faça as vistorias e levante essas terras públicas. Os dias aqui são precários, chove, molha tudo, mas a gente não vai ceder. Queremos resistir até conseguir o objetivo”, pontua.
O Acampamento Pôr do Sol surgiu em março de 2022, em Marabá, começando com apenas 60 famílias. Em dois anos, o número saltou para mais de 300 famílias. Até a semana retrasada, o grupo ocupava uma área aos fundos do Bairro da Paz, sentido Tibiriçá, mas a falta de evolução nas vistorias de campo motivou a transferência da estrutura para a frente da Superintendência Regional do Incra (SR-27).
Procurada pela reportagem, a assessoria da superintendência do Incra Marabá afirmou que o coletivo foi recebido pelo órgão e apresentaram suas demandas. A pauta deles foi recepcionada e está sendo trabalhada de maneira a verificar se apresenta viabilidade para atendimento.

