Correio de Carajás

Expedição de jet ski cruza Marabá e segue rumo a Belém

Grupo de 20 pilotos participa da jornada, que teve início em Barra do Garças (MT) e termina no domingo, na Baía do Guajará

Grupo passou por Marabá esta semana, pernoitou e seguiu viajem/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Milla Andrade
✏️ Atualizado em 17/04/2026 17h59

Os motores sobre as águas chamaram a atenção de moradores e curiosos em Marabá. Um grupo de aventureiros em jet ski passou pelo município na tarde de 16 de abril, durante uma expedição que percorre rios da região Norte. O destino imediato era Tucuruí e, na sequência, os pilotos seguem, hoje, até Belém.

A iniciativa integra o projeto Araguaia Jet, criado por praticantes do esporte em Barra do Garças, no Mato Grosso. Em 2024, a expedição ganhou novos participantes e ampliou o seu alcance, reunindo pilotos de diferentes estados brasileiros, como Goiás. É a Expedição Barra-Belém.

Fila pra reabastecer, numa náutica, antes da sequência da aventura

Em entrevista ao Correio de Carajás, o organizador Weverton Lima contou que a proposta de expandir o grupo surgiu após experiências anteriores bem-sucedidas. “Nós resolvemos abrir este ano para que outros pilotos pudessem conhecer essas belezas aqui do Araguaia”, diz o presidente.

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O grupo já soma conquistas importantes. Em 2023, os integrantes realizaram uma travessia de 6.137 quilômetros em águas doces. Segundo Weverton, o trajeto saiu de Boa Vista, em Roraima, e seguiu até o Mato Grosso, batendo o recorde mundial de navegação em água doce.

Com a repercussão, as vagas para a nova edição foram rapidamente preenchidas. Atualmente, cerca de 20 pilotos participam da jornada, vindos de estados como Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso. “É o sétimo dia em que estamos navegando. Graças a Deus, um sucesso”, pontua.

Durante a passagem por Marabá, o grupo contou com apoio local para manter a logística da viagem, incluindo hospedagem e combustível, por meio de Jorge de Araújo, amigo e apoiador da aventura.

Organizador da expedição, Weverton destaca grande estrutura auxiliar

LOGÍSTICA, DESAFIOS

Integrante da equipe e membro da linha de frente, Daniel, de Nova Xavantina, Mato Grosso, explicou que a expedição tem como principal objetivo integrar navegadores de diferentes regiões do país, além de unir amigos com o mesmo propósito. “Estamos fazendo a expedição de Barra do Garças até Belém do Pará, são 2.500 km de navegação. Tem gente de todo lugar: Santa Catarina, Brasília, Goiás, Mato Grosso do Sul”, destaca.

Segundo ele, o grupo iniciou a jornada na última quinta-feira (9) e deve concluir o percurso no próximo domingo (19).

Em sua fala, o navegante explica que o trajeto inclui grande parte do rio Araguaia e segue pelo rio Tocantins até o destino final. “O trajeto pelo rio Araguaia é de cerca de 1.800 km, e o restante é pelo rio Tocantins até chegar a Belém”, avalia.

Apesar dos desafios naturais do percurso, Daniel destaca a preparação e o espírito de equipe como diferenciais. “Se der algum problema, nós resolvemos. Ninguém fica para trás”, conta, complementando que um amigo chegou até Conceição do Araguaia com defeito no jet ski.

Ele ainda explicou que a logística de abastecimento também exige um planejamento rigoroso. “Normalmente, nós gastamos entre 170 e 200 litros por dia, por jet ski. Então, fazemos toda a logística e organização para abastecer e seguir viagem”, encerra.

De acordo com o participante, em três anos de edição, essa é a primeira vez em que a experiência é aberta ao público. O momento reúne 20 participantes de todo o Brasil.

PARTICIPAÇÃO FEMININA

O destaque para a edição deste ano é a participação da advogada e navegadora experiente Valdéris Moura, de Goiás, única mulher a integrar o grupo. Ela deve se tornar a primeira a participar e completar o percurso de cerca de 2.500 quilômetros, o que, para ela, é uma sensação incrível.

Advogada, navegadora e a única mulher no grupo, Valdéris busca completar o trajeto inédito

Na entrevista, ela destaca os desafios enfrentados ao longo do trajeto. “É muito desafiador, porque esse é um mundo ainda muito masculino. Eu cheguei a pensar: será que eu vou dar conta? Muitas mulheres apoiaram, outras falaram que não ia dar certo”.

Ela ainda relatou os momentos de maior dificuldade durante a navegação. “Hoje foi o trecho mais desafiador, com muita correnteza e pedras. Conseguir cumprir esse trajeto e concluir esse propósito vai ser surreal”.

Para a navegadora, a experiência também representa uma conquista para outras mulheres. Ao chegar a Belém, a advogada aproveitará a cultura paraense, que, segundo ela, é única. “Tenho amigas me esperando para a recepção. É um marco que nós, mulheres, estamos quebrando nessa navegação”, conclui.