Correio de Carajás

Autoridades federais reforçam compromisso com reforma agrária em Eldorado do Carajás

Ministra e presidente do Incra destacam ações e reafirmam compromisso com famílias assentadas e acampadas, visando ampliar acesso à terra e apoio.

Grupo de pessoas sorrindo segurando a bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Fernanda Machiavelli: “Os que marcharam aqui deixaram um legado e cabe a nós seguir essa caminhada”/ Fotos: Evangelista Rocha e Kauã Fhillipe
Por: Kauã Fhillipe e Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 17/04/2026 14h07

Fernanda Machiavelli, ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e César Aldrighi, presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), participam nesta sexta-feira (17) do ato em memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás. Durante a mobilização, que acontece na Curva do S, os representantes do governo federal destacaram ações voltadas à reforma agrária e reafirmaram o compromisso com famílias assentadas e acampadas na região.

O evento reúne trabalhadores rurais, movimentos sociais e autoridades e integra a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária Popular. A programação inclui celebrações religiosas, manifestações culturais e discussões políticas sobre a questão agrária no país.

Para o CORREIO, a ministra afirma que a presença do governo no ato simboliza a solidariedade às vítimas do massacre e reforça o compromisso de manter e ampliar políticas públicas voltadas à reforma agrária, tanto para famílias já assentadas quanto para aquelas que ainda aguardam acesso à terra para produção de alimentos.

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Fernanda também desta programas voltados ao fortalecimento da agricultura familiar na região: “Nós temos o crédito instalação, com desconto para quem paga em dia, o Pronaf para assentados com juros de 0,5% ao ano, além de ações de restauração florestal, assistência técnica e programas de compras públicas, como o de aquisição de alimentos e o de alimentação escolar”.

Segundo ela, há ainda iniciativas específicas voltadas às mulheres do campo, como a implantação de quintais produtivos que incentivam a produção de alimentos, a criação de animais e o fortalecimento da renda e da autonomia nas comunidades rurais.

Ao comentar o marco dos 30 anos do massacre, a ministra ressaltou o significado histórico da mobilização.

“Esses 30 anos marcam uma história de muita luta e também de conquistas. Os que marcharam aqui deixaram um legado e cabe a nós seguir essa caminhada para que todas as famílias que ainda estão acampadas tenham acesso à terra”, afirma.

Na ocasião, Fernanda também mencionou a demanda ainda existente no estado e destacou que há cerca de 40 mil famílias acampadas no Pará, além de reconhecer avanços recentes, como a criação de 14 assentamentos em Marabá, e reafirmar o compromisso de ampliar o acesso à terra.

Por sua vez, o presidente do Incra, César Aldrighi, explica que a atuação do órgão se divide entre o acesso à terra e o desenvolvimento dos assentamentos. Para ele o Incra tem dois grandes eixos de trabalho. Um é promover o acesso à terra e o outro é garantir o desenvolvimento dos assentamentos para que as famílias permaneçam produzindo.

 “Já criamos 14 assentamentos em Marabá, com mais de 70 mil hectares destinados e mais de 3 mil famílias atendidas”, diz César.

Para o CORREIO, ele destaca a importância de políticas públicas para garantir a permanência das famílias no campo: “É preciso assegurar crédito, assistência e condições de produção para que essas famílias possam se desenvolver e acessar, posteriormente, o crédito bancário”.

Ele também destacou a presença histórica do Incra na região após o massacre, ao afirmar que a criação da superintendência de Marabá, a partir de 1996, ampliou a atuação do órgão e passou a priorizar a criação e o desenvolvimento dos assentamentos.

César Aldrighi (de branco): “É preciso assegurar crédito, assistência e condições de produção para essas famílias”

O ato na Curva do S ocorre no Dia Internacional da Luta Camponesa e reúne cerca de 3 mil participantes, que caminharam ao longo da semana até o local. Para os organizadores, além da memória das vítimas, a mobilização também busca pressionar por avanços na reforma agrária e ampliar políticas públicas voltadas à população do campo.