Marabá recebe neste sábado, 18 de abril, uma programação que une debate político e resgate histórico, reunindo lideranças, pesquisadores e militantes no Plenarinho da Câmara Municipal, a partir das 14 horas. A atividade marca os 104 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil (PcdoB), celebrados originalmente em 25 de março, e os 54 anos do início da Guerrilha do Araguaia, iniciada em 12 de abril de 1972.
A agenda foi organizada para coincidir com o calendário de mobilizações na região, em meio ao ato nacional do MST realizado na Curva do S, em Eldorado do Carajás, nesta sexta-feira, 17 de abril, que relembra os 30 anos do massacre.
O encontro contará com a presença do vereador de Belém e professor da UEPA, Rodrigo Moraes, do professor Janailson Macêdo Luiz, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), especialista no estudo da Guerrilha do Araguaia, e de Jorge Panzera, dirigente nacional do PCdoB.
Leia mais:A programação também inclui o lançamento do livro “Filhos desta Raça”, que aborda a trajetória de Hecilda Veiga e de seu filho, Paulo Fonteles Filho. A obra destaca a ligação de Fonteles com a região, onde atuou como advogado de camponeses e pesquisador dos movimentos de resistência.
Segundo Luiz Gonzaga, dirigente do PCdoB Marabá, um dos principais pontos da agenda política no município é a transformação da Casa Azul, antigo centro de operações e repressão do Exército, em um espaço de memória.
“Atualmente, o imóvel pertence ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e há uma articulação em curso envolvendo o Governo Federal, o Ministério dos Direitos Humanos, a Unifesspa e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU). O objetivo é negociar a cessão do espaço, seguindo exemplos de outras áreas do DNIT que foram destinadas a órgãos públicos, como a Defensoria Pública do Estado. A proposta é que a Casa Azul seja preservada devido ao seu elemento simbólico, por ter sido palco de graves violações de direitos humanos”, afirmou.
Ao comentar a reorganização das políticas de reparação histórica no governo Lula, Gonzaga afirmou que a Comissão de Anistia, frequentemente confundida com a Comissão da Verdade, está em processo de reconstrução após o desmonte dos últimos anos.
“Há um processo de reconstrução de políticas públicas. A questão da memória e da justiça está presente, mas é verdade que precisamos de uma retomada com mais força para o anistiamento dessas pessoas”, disse.

