📅 Publicado em 02/04/2026 14h54✏️ Atualizado em 02/04/2026 14h58
A chuva que iniciou por volta das 6 horas perdurou durante a manhã desta Quinta-Feira Santa (2), em Marabá. A água, que em outros contextos é sinônimo de bênçãos, trouxe diversos prejuízos para a população marabaense.
Entre os afetados estão os moradores do Residencial Park Cidade Nova. Imagens recebidas pelo Correio de Carajás mostram casas alagadas e com goteiras. Áreas externas do condomínio também ficaram cobertas pela água.
Um dos registros mostra objetos boiando em uma garagem e, em outra, a água escorrendo por luminárias. O chão da cozinha, da sala e do banheiro de um apartamento aparece submerso. No vídeo, um homem relata o drama: “Eu achei que estava morando em um condomínio, mas descobri que estou é no Rio Tocantins”. Outra pessoa afirma em áudio que o caso não é isolado e acontece uma ou duas vezes ao ano.
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A reportagem entrou em contato tanto com a administradora do condomínio quanto com a Construtora Costa, responsável pela obra. Até o fechamento desta matéria, a construtora não se manifestou sobre o problema.
A administração do residencial, por sua vez, informou que se solidariza com o ocorrido e justificou que a limpeza dos bueiros foi realizada nos dias 25 e 26 de março. A gestão responsabilizou a estrutura externa pelas inundações.
“Do lado do condomínio passa uma grota que, se ela entupir, volta a água para dentro do condomínio. Infelizmente não tem muito o que fazer”, declara a administradora. A gestão ressaltou ainda que já move um processo judicial contra a construtora e orientou que os condôminos formalizem as perdas adequadamente, visto que, das 504 unidades cadastradas no local, apenas três pessoas oficializaram reclamações na administração.
MORADORES RECLAMAM
O repórter Chagas Filho, da TV Correio, esteve no residencial na manhã desta quinta-feira e conversou com moradores sobre o cenário. O funcionário público Nandiel Nascimento reside no Park Cidade Nova desde 2023 e afirma que os condôminos enfrentam diversos transtornos físicos nas casas.
“Não estamos tendo um bom diálogo com a construtora, não temos uma boa resposta em tempo hábil”, afirma. Ele também aponta que os problemas estruturais representam um risco para quem mora nos andares baixos dos blocos de apartamentos.
Atuante na Defesa Civil de Itupiranga desde 2017, Nandiel pontua que o sistema de escoamento do residencial não foi projetado corretamente, gerando perdas materiais significativas para as famílias domiciliadas nas ruas mais baixas.
“A água, como foi mostrado em vários vídeos divulgados em redes sociais, está chegando a 50 centímetros de lâmina dentro das residências. Isso mostra que a drenagem não é suficiente”, explica.
A suspeita sobre a principal causa do problema foi levantada após uma inspeção informal no entorno do residencial. “Eu tive a curiosidade, junto com o novo síndico eleito e mais um advogado, de ir pela rua de trás. Identificamos que o igarapé que passa ao lado foi soterrado, coberto totalmente, e implantaram manilhas”, relata Nandiel.
O morador avalia que a tubulação instalada provoca o retorno da enxurrada para as vias internas do condomínio e defende uma vistoria técnica detalhada no local.
“É preciso contratar um engenheiro sanitarista para fazer um laudo, porque eu acredito que a estrutura não é suficiente para o escoamento de toda essa água”, argumenta.
Outros problemas estruturais
A vendedora Mislaine Gomes Chaves também conversou com a TV Correio nesta manhã. Morando no Park Cidade Nova há um ano, ela relata já ter enviado diversos e-mails para a construtora cobrando soluções para as rachaduras. Ao mostrar a parede de um quarto, com uma área de tijolos exposta, é possível ver a deterioração da estrutura.
“Não é só aqui nesse cômodo. Tenho na minha sala, em outro quarto, esse problema de rachadura. Para eles, isso aqui era superficial de início, mas dá para ver que está infiltrando”, diz a moradora. Mislaine tem uma filha de dois anos, que recentemente contraiu bronquiolite, e expressa preocupação com a saúde da criança: “Nessa sujeira toda é complicado de ficar”.
Assim como Nandiel, ela alerta para a situação do igarapé vizinho e teme que os prédios desmoronem devido à cheia da grota.
“A construtora está só construindo mais casas e apartamentos e não dá suporte de qualidade. Hoje liguei para perguntar quando eles vêm terminar essa obra e falaram que estão sem funcionários”, desabafa Mislaine.
Para ela, a omissão da empresa agrava os prejuízos e atinge até mesmo os moradores mais vulneráveis. A vendedora relata que um casal de idosos, vizinho de seu apartamento, também sofre com os transtornos e teve móveis destruídos recentemente após o rompimento de uma tubulação.
“Eles não dão suporte. A gente perde bens materiais, perde a nossa paz, a nossa tranquilidade e, simplesmente, eles estão acomodados e ficam postergando um problema em vez de, de fato, resolver”, protesta a moradora.

