Correio de Carajás

UEPA celebra 33 anos em Marabá com bolo “sabor UESSPA”

Coordenação, professores, padre e pastor prestigiaram a singela cerimônia para comemorar os 33 anos da UEPA em Marabá
Por: Ana Mangas

Aos 33 anos de fundação, a Universidade do Estado do Pará (UEPA) transformou a comemoração no Campus VIII, em Marabá, em um momento de celebração, mas também de reivindicação política. Após o tradicional “parabéns pra você” e o corte do bolo, a diretora da instituição, Mirian Rosa Pereira, fez um balanço das conquistas da universidade e reforçou um pedido direto ao Governo do Estado: a criação da Universidade do Sul e Sudeste do Pará (UESSPA).

Atualmente, o Campus VIII atende mais de 900 alunos distribuídos em 12 cursos de graduação e sete de pós-graduação. Para Mirian Rosa, a nova universidade representa um passo decisivo para ampliar o acesso ao ensino superior na região.

“A UESSPA é o nosso desejo. O que o Campus VIII e a UEPA tinham como responsabilidade, já foi cumprido. Uma comissão elaborou o projeto, entregou e houve mobilização social. Agora, o Poder Executivo precisa dizer: ‘Sul e Sudeste, a UESSPA existe, é de vocês’”, cobrou a diretora em entrevista ao CORREIO.

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Segundo ela, a proposta está sob análise da governadora Hana Ghassan, após ter sido aceita pelo então governador Helder Barbalho. A expectativa é que o projeto seja encaminhado em breve para a Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA).

“Se com as limitações atuais já somos referência no Norte, imagine com investimento. Vamos impactar muito mais a juventude e garantir o desenvolvimento econômico de municípios que hoje não têm acesso ao ensino superior”, defendeu Miriam Rosa.

Entre os destaques do Campus VIII está o curso de Medicina, implantado em 2013. A graduação conquistou Nota 5 nas avaliações oficiais, tornando-se o único curso da área com pontuação máxima em toda a região Norte.

Apesar do reconhecimento, a diretora afirma que manter esse padrão de excelência exige investimentos constantes e enfrenta dificuldades estruturais.

Um dos principais desafios apontados por Mirian Rosa é o déficit no corpo docente e a ausência de uma residência médica própria. Atualmente, o curso funciona com professores efetivos, contratados e preceptores, mas o quadro ainda é considerado insuficiente. Além disso, limitações jurídicas impedem a criação de novas residências médicas dentro da atual configuração do Campus VIII.

“Falta o olhar do Poder Executivo e dos nossos representantes. O investimento público é fundamental para superarmos esse entrave e garantirmos uma formação médica ainda mais excelente”, afirmou.

Durante a entrevista, a diretora também comentou os desdobramentos das investigações sobre fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), envolvendo estudantes da instituição.

Segundo Mirian Rosa, a universidade adotou uma postura rigorosa diante do caso e reafirmou o compromisso da UEPA com a ética institucional e a transparência.

Ela confirmou que nenhum dos três estudantes investigados pela polícia continua vinculado à universidade. Dois deles foram formalmente expulsos por descumprirem os requisitos éticos e institucionais da instituição. O terceiro solicitou o cancelamento voluntário da matrícula após perceber que também sofreria a sanção de expulsão.

“Jamais vamos aceitar e jamais vamos compactuar com qualquer ato que vá contra a educação pública e contra a universidade”, enfatizou.

Ao final da celebração, Mirian Rosa estendeu os parabéns à comunidade acadêmica, incluindo servidores, funcionários, estudantes e egressos da instituição, destacando o sentimento de pertencimento construído ao longo das últimas três décadas no campus de Marabá.

“Continuem tendo muito orgulho da UEPA. Honrem onde vocês estão com essa marca: uma vez UEPA, UEPA para sempre”, finalizou.