A queda e o afinamento dos cabelos estão entre as mudanças físicas mais comuns durante o climatério, fase de transição que antecede e acompanha a menopausa. Apesar de frequente, o tema ainda é pouco discutido em consultas médicas e muitas vezes é tratado como uma consequência natural do envelhecimento.
De acordo com um estudo de 2022 que avaliou a prevalência da alopecia androgenética em mulheres na pós-menopausa, 52% das mulheres entre 50 e 65 anos notam que seus cabelos estão mais finos ou caindo após a menopausa.
Ainda assim, especialistas indicam que o problema muitas vezes não é investigado o suficiente para descobrir suas causas.
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Uma das explicações está nas alterações hormonais típicas dessa fase. Durante a perimenopausa e a menopausa, os níveis de estrogênio e progesterona diminuem de forma significativa, enquanto os andrógenos tendem a permanecer relativamente estáveis. Esse desequilíbrio hormonal pode afetar diretamente o ciclo de crescimento dos fios.
“O estrogênio exerce um papel protetor no folículo capilar porque prolonga a fase de crescimento do cabelo. Quando esse hormônio diminui, mais fios entram na fase de repouso e queda”, explica o tricologista João Gabriel.
Segundo ele, também pode ocorrer a chamada miniaturização capilar, processo em que fios mais grossos passam a crescer progressivamente mais finos e frágeis.
Na prática, as mudanças costumam aparecer como alargamento da risca central, redução de volume no topo da cabeça e fios ressecados ou quebradiços. Embora o fator hormonal seja importante, especialistas alertam que ele raramente é o único responsável pela queda capilar nessa fase da vida.
Deficiências nutricionais, especialmente de ferro, vitamina B12 e vitamina D, podem agravar o quadro. Alterações na tireoide, níveis elevados de estresse, sono inadequado e ingestão insuficiente de proteínas também estão entre os fatores que podem contribuir para o problema.
Entre os médicos, a avaliação da chamada tríade hormônios, ferro e vitamina B12 costuma ser considerada essencial para investigar a saúde capilar de mulheres acima dos 40 anos.
Além das questões físicas, a perda de cabelo pode ter impacto emocional relevante. Estudos apontam que a diminuição da densidade capilar durante a menopausa está associada ao aumento de ansiedade, estresse e redução da autoestima. Em uma fase já marcada por diversas mudanças hormonais e corporais, o cabelo, frequentemente associado à identidade e à feminilidade, torna-se um símbolo visível dessa transição.
“Muitas pacientes relatam que a perda capilar é um dos sinais mais difíceis de lidar durante o climatério”, afirma João Gabriel.
Embora a terapia hormonal possa ajudar em alguns casos, especialistas explicam que ela não costuma ser suficiente, isoladamente, para restaurar o crescimento capilar. O tratamento geralmente envolve uma abordagem combinada, que pode incluir correção de deficiências nutricionais, controle do estresse, cuidados com o couro cabeludo e estímulos diretos aos folículos.
Os resultados, no entanto, costumam levar tempo para aparecer. Como o ciclo de crescimento do cabelo é lento, mudanças perceptíveis podem surgir apenas após algumas semanas ou meses de tratamento, sendo recomendado o acompanhamento com dermatologistas ou especialistas em saúde capilar.
Para médicos que estudam o tema, discutir a queda de cabelo durante o climatério também faz parte de uma visão mais ampla sobre envelhecimento saudável. “A saúde capilar está ligada à vitalidade do organismo como um todo. Avaliar hormônios, nutrição e qualidade do sono faz parte desse cuidado integral”, diz o especialista.
(Fonte: CNN Brasil/Dora Arai)

